O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) voltou a ficar à frente do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) nas simulações de segundo turno das eleições presidenciais de 2026, de acordo com pesquisa AtlasIntel divulgada nesta terça-feira (19/05) — a primeira sondagem realizada depois da divulgação dos áudios entre o senador e Daniel Vorcaro, banqueiro do Master.
A pesquisa foi realizada com 5.032 respondentes entre 13 e 18 de maio, com margem de erro de um ponto percentual. Os áudios entre Flávio Bolsonaro e Vorcaro foram divulgados no dia 13 de maio. O levantamento foi encomendado pela agência Bloomberg.
No levantamento, Lula subiu 1,4 pontos percentuais no cenário de um eventual segundo turno contra Flávio Bolsonaro, chegando a 48,9%. A pesquisa anterior havia sido feita em abril.
Flávio caiu seis pontos após a divulgação do áudio com Vorcaro, indo de 47,8% para 41,8%. Houve um aumento de 4,6 pontos percentuais no número de indecisos e pessoas que indicam que votarão nulo — atingindo 9,3%.
Rejeição a Flávio e o caso Master
A rejeição a Flávio Bolsonaro cresceu dois pontos percentuais atingindo 52%. De acordo com a AtlasIntel, o senador é o pré-candidato com o maior nível de eleitores que dizem que não votariam nele de jeito nenhum, seguido por Lula, com 50,6%, patamar semelhante ao registrado em abril.
A pesquisa também mostrou que o medo do eleitorado de que Flávio Bolsonaro vença é superior ao mesmo temor em relação a Lula.
O receio da vitória de Flávio subiu dois pontos percentuais desde abril, enquanto o temor sobre a reeleição do presidente caiu quase 7 percentuais em um mês.
A agência de notícias Bloomberg, que encomendou a pesquisa, noticiou que antes da divulgação dos áudios, o escândalo do Banco Master pesava mais sobre Lula, com uma percepção de que seus aliados estavam mais ligados ao caso. Mas a nova pesquisa indica que, agora, 43% dos entrevistados acreditam que o grupo de Bolsonaro está mais envolvido nas supostas fraudes do Master, com 33% dizendo que os aliados de Lula são culpados.
A pesquisa diz, segundo a Bloomberg, que, entre as pessoas que disseram saber sobre as mensagens vazadas entre Flávio e Vorcaro, 55% consideraram os áudios uma evidência de uma investigação legítima sobre possíveis irregularidades. Para 33% os áudios seriam uma tentativa de prejudicar Flávio Bolsonaro.
A pesquisa AtlasIntel indica que Lula ampliou sua vantagem em todos os cenários de segundo turno testados. Lula está sete pontos percentuais à frente de Flávio, 10 pontos acima de Romeu Zema (Novo), nove pontos à frente de Ronaldo Caiado (PSD) e com 19 pontos de vantagem em relação a Renan Santos (Missão).
Em uma eleição sem a participação de Lula, tanto o ex-ministro Fernando Haddad quanto o vice-presidente Geraldo Alckmin passaram à frente de Flávio após a divulgação dos áudios, segundo a pesquisa AtlasIntel. Haddad passa a liderar por 3,7 pontos, enquanto Alckmin teria 4,1 pontos de vantagem sobre Flávio.
Primeiro turno
Na simulação de primeiro turno, Flávio Bolsonaro teve queda de 5,4 pontos percentuais, atingindo 34,3%. Já Lula subiu 0,4 pontos, chegando a 47%. Renan Santos aparece em terceiro, com 6,9%, seguindo por Zema (5,2%) e Caiado (2,7%).
Em um cenário de primeiro turno sem Flávio Bolsonaro, Lula se mantém com 46,7% das intenções de voto e o segundo candidato mais bem posicionado é Romeu Zema, com 17% das intenções. Caiado teria 14%, e Renan Santos, 8%.
Em um cenário de primeiro turno com Michelle Bolsonaro e sem Flávio, Lula manteria os mesmos 47%, e a ex-primeira dama teria 23,4% — seguida por Zema (10%), Renan Santos (7,8%) e Caiado (6%).
O escândalo
A revelação da relação entre o senador Flávio Bolsonaro, pré-candidato à Presidência da República, e o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, pode embaralhar a disputa presidencial de outubro, segundo analistas políticos.
Na semana passada, o senador admitiu ter pedido a Vorcaro dinheiro para custear as gravações de um filme sobre seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
Segundo reportagem do portal The Intercept Brasil, o valor negociado teria chegado a US$ 24 milhões — cerca de R$ 134 milhões na cotação da época.
Desse total, R$ 61 milhões teriam sido liberados entre fevereiro e maio de 2025.
Diante dos atrasos para os pagamentos restantes, Flávio teria enviado mensagens a Vorcaro cobrando a liberação dos recursos.
Vorcaro está preso sob acusação de comandar fraudes bilionárias no Banco Master, instituição liquidada pelo Banco Central em novembro. Ele negocia um acordo de delação premiada.
Em vídeo publicado nas redes sociais, Flávio admitiu a conversa com Vorcaro, mas afirmou que apenas buscava investidores privados para financiar um filme sobre o pai.
Além disso, investigadores apuram se recursos repassados por Vorcaro a pedido de Flávio teriam sido usados para custear o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL) nos Estados Unidos.