O Metrô de São Paulo adiou para 19 de setembro o resultado da licitação dos projetos de expansão da Linha 17-Ouro do monotrilho, que prevê quatro novas estações: Panamby, Paraisópolis, Américo Maurano e Vila Paulista. A estimativa é iniciar as obras em 2029 e concluí-las em 2032. Prometida inicialmente para a Copa de 2014, a linha acumula mais de uma década de atrasos decorrentes de rescisões contratuais e impactos da Operação Lava Jato, com a primeira etapa orçada em R$ 5,97 bilhões.
A Companhia do Metropolitano de São Paulo (Metrô SP) adiou a divulgação do resultado da licitação para contratar os estudos e projetos técnicos para expansão da Linha 17-Ouro, monotrilho que liga o metrô ao Aeroporto de Congonhas, na zona sul da capital.
O contrato prevê a adaptação do projeto básico e elaboração do projeto executivo da obra para mais quatro estações: Panamby, Paraisópolis, Américo Maurano e Vila Paulista.
A escolha da empresa responsável pelos estudos técnicos deveria ter sido divulgada nesta quinta-feira, 20, mas foi postergada para 19 de setembro.
A fase atual não é de contratação da obra, mas só dos projetos e estudos técnicos. A estimativa é começar a construção das novas estações em 2029 e entregá-las em 2032.
O governador afirma que a medida, porém, só ocorrerá se houver interesse da empresa e não há prazo para a decisão.
Em nota, a Motiva informa acompanhar as manifestações do governo e reconhece o interesse já demonstrado nesse sentido.
Monotrilho sai do papel 13 anos após o prazo prometido
O monotrilho foi anunciado em janeiro de 2010 como uma das obras da Copa do Mundo de 2014 para levar os torcedores até o Estádio do Morumbi, inicialmente previsto para receber os jogos.
Depois, a organização do Mundial trocou o Morumbi pelo Estádio do Corinthians, em Itaquera. As obras perderam financiamento federal e, em 2014, as construtoras responsáveis pelas obras, Odebrecht e Andrade Gutierrez, foram alvo da Operação Lava Jato, que mirou esquemas de corrupção.
Durante a operação, empresas do setor foram responsabilizadas por pagamento sistemático de vantagens indevidas e fraudes em licitações envolvendo contratos do governo federal. As investigações apontaram que a rede de desvio de verba pública e lavagem de dinheiro investigado pela Lava Jato teria movimentado R$ 10 bilhões.
O Metrô de São Paulo rescindiu o contrato com as empresas em 2016. A obra parou por anos e só foi retomada em 2020. Ainda assim, passou por novas trocas de empresas e paralisações. "Tivemos problemas com várias contratadas e superamos esses desafios", disse Rodrigues, do Metrô.
A equipe de Geraldo Alckmin, governador pelo PSDB na época da promessa do monotrilho, disse ao Estadão que o prazo foi estipulado após ouvir o mercado. A assessoria de Alckmin — hoje vice-presidente da República pelo PSB — também afirma que a Lava Jato impactou as condições financeiras do setor.
Em 2010, o projeto de 18 estações era orçado em R$ 2,9 bilhões (cerca de R$ 7,1 bilhões em valores corrigidos pela inflação), que seriam divididos entre os governos federal, estadual e municipal.
O custo total da primeira etapa da obra ficou em R$ 5,97 bilhões. Conforme o governo do Estado, o valor atual inclui estruturas que atenderão à linha e despesas dos contratos paralisados.