Plataforma está na mira das autoridades por veicular imagens de abuso infantil e deepfakes de teor sexual. Elon Musk é chamado a prestar depoimento "voluntário".A rede social X , do bilionário Elon Musk , foi alvo das autoridades francesas nesta terça-feira (03/02), com a deflagração de uma operação de busca e apreensão no seu escritório em Paris .
A plataforma está sob investigação por suspeita de impulsionar conteúdos ilegais e extremistas, além de permitir o uso da ferramenta de inteligência artificial Grok para a produção de imagens falsas que sexualizam mulheres e crianças . Por esses mesmos motivos, a rede social também é alvo de uma investigação na União Europeia e no Reino Unido.
Musk chamado a depor
Os promotores a cargo da investigação também querem ouvir Musk e Linda Yaccarino, que foi CEO do X de maio de 2023 até julho de 2025, e os convocaram para prestar depoimentos "voluntários" no dia 20 de abril.
Ainda não está claro como os promotores pretendem garantir a oitiva dos executivos, já que Musk e Yaccarino não vivem na França.
Em uma postagem no próprio X, a promotoria francesa confirmou a operação e informou que deixaria a rede social, convidando os seguidores a acompanhá-los em outros canais.
"Neste momento, a condução da investigação é baseada em uma abordagem construtiva, com o objetivo de assegurar que o X cumpra a lei francesa, já que opera em território nacional", declarou o promotor Laure Beccuau.
Musk, que ainda não se pronunciou sobre a operação, acusou as autoridades francesas em julho de abrirem a investigação por razões políticas.
Por quais crimes o X pode responder?
A Promotoria de Paris investiga se o X incorreu na prática dos seguintes crimes: cumplicidade quanto à posse, distribuição organizada, oferta ou disponibilização de imagens de menores com teor pornográfico; difamação (no caso das deepfakes de teor sexual); negação do Holocausto; extração fraudulenta de dados por um grupo organizado; falsificação da operação de um sistema automatizado de processamento de dados por um grupo organizado; e operação de uma plataforma online ilegal por um grupo organizado.
Os primeiros três possíveis crimes dizem respeito ao chatbot de IA Grok, que foi usado para gerar milhares de imagens falsas de pessoas reais em contexto sexual, inclusive crianças.
Depois da repercussão internacional negativa, o X anunciou que restringiria o uso da função "adulta" do chatbot a usuários pagantes.
Por causa disso, o X está sob investigação de diversos países, inclusive da União Europeia. A Indonésia e a Malásia chegaram a bloquear o Grok.
Negação do Holocausto
Em outro episódio que também motivou a abertura de investigações, o Grok alegou falsamente que as câmaras de gás do campo de concentração nazista de Auschwitz eram usadas para "desinfecção contra o tifo, usando Zyklon B"- uma forma comum de negação do Holocausto.
Embora o Grok tenha se corrigido posteriomente, a postagem contendo desinformação circulou amplamente na rede. O chatbot tem um histórico de postagens antissemitas e já elogiou Adolf Hitler.
A promotoria de Paris responsável pela operação desta terça-feira é a mesma que, em 2024, prendeu o fundador do Telegram, Pavel Durov.
ra (AP, dpa, Reuters)