AfD se reúne sob bloqueios contra ultradireita na Alemanha

4 jul 2026 - 09h26

Congresso anual levou 20 mil manifestantes para Erfurt, evocando memória centenária de quando Adolf Hitler consolidou poder no movimento fascista.Milhares de pessoas se reuniram na cidade alemã de Erfurt para protestar contra o congresso anual do partido de ultradireita Alternativa para a Alemanha (AfD), que acontece neste sábado (04/07). A manifestação bloqueou as principais ruas e interrompeu o transporte público, numa tentativa de impedir a realização do evento.

Manifestantes tentaram impedir congresso anual da AfD em Erfurt, na Alemanha, bloqueando vias principais
Manifestantes tentaram impedir congresso anual da AfD em Erfurt, na Alemanha, bloqueando vias principais
Foto: DW / Deutsche Welle

A polícia estimou em 20 mil o número de manifestantes que compareceram à capital do estado da Turíngia pela manhã. A legenda vem angariando apoio crescente nos últimos anos ao redor da Alemanha, chegando, inclusive, ao topo das pesquisas de opinião ou perto dele.

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Liderados por uma aliança chamada "Resistência", houve manifestantes que desceram por cordas de uma ponte, e outros se sentaram no centro da cidade para bloquear a passagem dos delegados da AfD.

"É importante enviar um sinal contra a guinada à direita", disse à AFP a manifestante Lene Krug, de 19 anos, de Gera, a leste de Erfurt. "A AfD é um partido antidemocrático que espalha ódio."

Para evitar os bloqueios, centenas de delegados se reuniram em pontos de encontro bem fora da cidade antes das 04 horas da manhã do horário local. Eles, então, viajaram de ônibus, escoltados pela polícia, até o congresso. A maioria conseguiu chegar ao destino, e o congresso começou no horário, apesar de o acesso ter sido dificultado por volta das 08h.

Memória histórica

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A rápida ascensão da AfD tem inquietado muitos alemães, que sentem ter um dever especial de combater a política de ultradireita devido ao passado nazista. De 44 anos, a manifestante Ella fazia parte de um grupo que se colou aos trilhos de bonde em uma praça da cidade.

"1933 a 1945 nunca deve acontecer novamente", disse ela, se referindo ao período em que os nazistas estavam no poder. "Os partidos democráticos precisam entender que devem impor uma proibição (à AfD)."

Os primeiros protestos foram em grande parte pacíficos. Pequenos confrontos foram relatados entre manifestantes e os milhares de policiais mobilizados para o congresso. Documentos internos citados pelo Der Spiegel indicavam que a polícia esperava até 2,5 mil manifestantes preparados para engajar em violência.

Alguns enxergam uma provocação deliberada no fato de a AfD realizar seu congresso em Erfurt, acusação que a AfD nega. Este ano marca o centenário de uma conferência nazista na vizinha Weimar, na qual Adolf Hitler consolidou o seu poder sobre o movimento fascista.

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Ano-chave para o partido

A AfD se reúne para eleger seus líderes, o que os partidos alemães fazem a cada dois anos. A previsão é que a liderança atual seja reeleita e outras 12 posições no conselho executivo sejam preenchidas.

A AfD busca demonstrar unidade enquanto estende os mandatos dos líderes Alice Weidel e Tino Chrupalla, que comandam a legenda juntos há quatro anos.

Chrupalla criticou os manifestantes, dizendo que eles foram "trazidos para cá de todo o país pelos partidos do establishment". "Eles acreditam que são os únicos detentores da democracia", afirmou em discurso de abertura no congresso.

Minimizando rumores de discordância na cúpula do partido, os colíderes também indicaram que interpretam este ano como decisivo. A AfD espera obter 40% ou mais dos votos numa eleição estadual no estado da Saxônia-Anhalt, no Leste alemão. Um resultado como este em setembro poderia colocar o partido no caminho para obter a maioria absoluta no governo estadual.

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Já Weidel pediu ao partido que pintasse a Alemanha de preto, vermelho e dourado, as cores nacionais. Muitos delegados balançaram bandeiras alemãs em resposta. Segundo ela, a AfD hoje possui 75 mil membros, aumento significativo em relação a cerca de 50 mil em 2024.

Ganhos bloqueados por cordão sanitário

O partido tornou-se hábil em canalizar o descontentamento com questões que vão muito além da migração, o tema principal da AfD, que impulsionou sua ascensão em meados da década de 2010.

Agora, a legenda vem capitalizando a impopularidade do governo do chanceler federal alemão, Friedrich Merz, que tenta reformar uma economia estagnada e impedir a ascensão da ultradireita.

Nas eleições nacionais do ano passado, a AfD ficou em segundo lugar com 20% dos votos. Foi o percentual mais alto já obtido pela ultradireita na Alemanha desde a Segunda Guerra Mundial.

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"Eu nunca teria imaginado que um partido de direita radical poderia ser o mais forte na Alemanha durante a minha vida", disse Manfred Guellner, chefe do instituto de pesquisas Forsa. "Muitas pessoas, não necessariamente parte da direita radical, migraram para a AfD por insatisfação com o governo atual."

Eventuais ganhos do partido, entretanto, enfrentam como obstáculo o cordão sanitário imposto por outros partidos, que se recusam a trabalhar junto com a AfD.

ht (AFP, AP, dpa)

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