O papa Leão XIV visitou neste sábado (4) a ilha italiana de Lampedusa, porta de entrada para migrantes forçados e refugiados na Europa, e cobrou das autoridades do continente ações para proteger e integrar as pessoas que arriscam suas vidas no Mar Mediterrâneo.
Com cerca de 6 mil habitantes, Lampedusa fica mais perto do norte da África do que do restante da Itália, o que a tornou uma das principais vias de acesso ao continente europeu para deslocados internacionais, que embarcam em barcos superlotados na Tunísia e na Líbia em busca de uma vida melhor. Desde 2014, segundo a Organização Internacional para as Migrações (OIM), mais de 26,7 mil indivíduos já morreram ou desapareceram na travessia do Mediterrâneo Central, sendo 865 apenas em 2026.
"A partir desta extremidade da Europa no Mar Mediterrâneo, percebe-se melhor o apelo histórico que o fenômeno migratório dirige às sociedades europeias. A Europa possui um potencial único, decorrente da sua história e da sua cultura, e, por conseguinte, possui uma responsabilidade única", disse o Papa em uma missa a céu aberto para cerca de 4 mil fiéis.
"A Europa é capaz de enfrentar a crise de forma orgânica, inserindo os primeiros socorros num plano estratégico de longo prazo, que permita acolher, proteger, promover e integrar os migrantes e, ao mesmo tempo, trabalhar em prol do desenvolvimento, para que ninguém seja obrigado a emigrar. Tudo isto zelando pelo respeito da dignidade de cada pessoa", acrescentou Leão XIV.
Em sua homilia, o pontífice destacou que cada um é "chamado a escolher "entre alimentar a lógica da força, mesmo que apenas com a indiferença, o cinismo, a mentira, o ódio, ou zelar pela lógica da paz com a verdade, a sobriedade, a proximidade, o cuidado".
"Quem se deixa conduzir por esta dinâmica de compaixão e misericórdia começa a viver de forma diferente, a ser cidadão de forma diferente, a trabalhar de forma diferente. Pode, então, surgir verdadeiramente a civilização do amor", salientou.
Papa Leão XIV em visita a LampedusaLeão XIV também lembrou que sua visita a Lampedusa "segue os passos do papa Francisco" ? que teve a ilha como destino em sua primeira viagem como pontífice, em 8 de julho de 2013 ? e fez um apelo para que as pessoas "não se deixem dominar pelo medo".
Além disso, declarou que os milhares de mortos na perigosa travessia do Mediterrâneo são "vítimas tanto das decisões tomadas como das decisões que faltaram". Segundo Robert Prevost, contribuem para esse cenário "o desinteresse pelo bem comum e a corrupção nos lugares de origem, um sistema econômico mundial que gera pobreza e exclusão, o medo que alimenta preconceitos e desprezo, a ideia de que tais problemas não nos dizem respeito e os cálculos criminosos de quem lucra com o drama alheio".
Em sua visita a Lampedusa, o Papa também depositou flores e orou diante de túmulos de migrantes mortos no mar, atravessou a Porta da Europa, monumento que homenageia as vítimas do Mediterrâneo, abençoou uma placa comemorativa com o nome do papa Francisco e circulou de papamóvel pelas ruas da ilha.
Papa deposita flores em túmulos de migrantesO pontífice ainda se reuniu com 19 refugiados que vivem no centro de acolhimento de Lampedusa, em sua maioria da Eritreia e do Sudão. A visita foi concluída aos gritos de "viva o Papa". "Sua presença é um carinho fraterno para uma terra que carrega feridas profundas", disse o prefeito Filippo Mannino. .