Apesar de ameaças de Trump, saída dos Estados Unidos da Otan é improvável

Às vésperas da próxima cúpula da Otan, sediada em Ancara, na Turquia, os países europeus se preparam para voltarem a ser cobrados pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre os seus gastos com Defesa. A ameaça do líder republicano de retirar o seu país da aliança militar atlântica, repetida diversas vezes, tende a não se concretizar, agora que a maioria dos países do bloco acelerou as despesas com a pasta.

4 jul 2026 - 09h49

Em 2025, os valores subiram 20% segundo dados da própria Otan, e todos já atingiu a meta mínima de 2% do PIB destinados à defesa. Entre os europeus, também avança a reflexão sobre como o bloco pode reforçar a sua própria proteção e quebrar a dependência do "padrinho americano", desde o aumento das tensões entre os aliados.

O presidente americano, Donald Trump se reuniu com o secretário-geral da Otan, Mark Rutte, em 24 de junho, a poucos dias da próxima cúpula da aliança atlântica.
O presidente americano, Donald Trump se reuniu com o secretário-geral da Otan, Mark Rutte, em 24 de junho, a poucos dias da próxima cúpula da aliança atlântica.
Foto: © Aaron Schwartz / AFP / RFI

Na cúpula prevista para os dias 7 e 8 de julho, "ninguém tem dúvida sobre quem fará o papel de líder: Donald Trump perguntará a cada um dos 31 outros membros da aliança quanto eles subiram os seus orçamentos militares, e vai lhes classificar conforme esse critério simples", antecipa a revista francesa L'Express, na edição desta semana. "Os Estados Unidos provavelmente não deixarão a Otan porque a postura de padrinho incontestável da família, ao qual cada membro deve demonstrar fidelidade, lhe convém", salienta a publicação.

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Além disso, um recente reestruturação do comando integrado da organização colocou nas mãos do Pentágono americano a chefia do Exército, da Marinha e da Aeronáutica da aliança, lembra L'Express. Washington não tem interesse em deixar nas mãos dos próprios europeus as forças aliadas no continente, no qual está engajado desde os anos 1950. Esse controle é fundamental para o monitoramento das bombas atômicas na Europa, pilares do guarda-chuva nuclear americano.

Redução da participação americana

O governo do presidente informou aos aliados, em maio, sobre sua decisão de reduzir a presença militar na Europa. No fim de junho, o secretário-geral da organização, Mark Rutte, foi aos Estados Unidos explicar a Trump, de forma didática, o quanto o presidente conseguiu acelerar a guinada dos gastos europeus com proteção e capacidade de ataque.

É esperado que a Otan anuncie, durante a reunião anual em Ancara, que os europeus supriram quase todas as lacunas deixadas por Wasington nos planos de defesa coletiva, embora ainda não tenha sido possível compensar a retirada de um bombardeiro estratégico disponibilizado pelos americanos. Na última cúpula da aliança atlântica, marcada pela forte pressão de Trump, os países da Otan concordaram em destinar pelo menos 5% de seu Produto Interno Bruto (PIB) a gastos com segurança até 2035.

Espanha "decepcionou"

"Alguns aliados estão fazendo mais do que outros, e temos países como a Polônia, as nações escandinavas, os Estados bálticos e a Alemanha liderando o grupo", afirmou o embaixador americano na Otan, Matt Whittaker, em uma coletiva de imprensa. "Mas há alguns que estão ficando para trás, seja porque não estão gastando o suficiente ou porque não estão em uma trajetória confiável para cumprir os compromissos assumidos em Haia", acrescentou ele, sem citar países específicos.

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A Espanha é um dos países europeus que "decepcionaram" o presidente dos Estados Unidos ao se recusarem a atingir a marca de 5%. Já na cúpula de Haia, Madri sustentava que alcançar esse percentual não era necessário para cumprir os requisitos de capacidade de defesa da Otan.

RFI com Reuters e AFP

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