Polícia vai fazer perícia de leitura labial em Rafael Ramos

STJD pode entrar no caso nesta segunda-feira, depois de presidente da CBF pedir semana passada maior punição aos clubes, com perda de pontos

16 mai 2022 - 05h10
(atualizado às 10h37)
Edenilson, do Internacional, discute suposto caso de rascismo com Rafael Ramos, do Corinthians
Edenilson, do Internacional, discute suposto caso de rascismo com Rafael Ramos, do Corinthians
Foto: Max Peixoto/Dia Esportivo / Estadão

Um inquérito policial será aberto contra o lateral Rafael Ramos, do Corinthians, para investigar as acusações de supostas injúrias raciais cometidas contra Edenilson, autor da ação. "Eu sei o que ouvi", disse o atleta do Inter após empate por 2 a 2 pelo Brasileirão, sábado. A polícia pretende pedir leitura labial. O episódio ocorre dias depois de a CBF e a Conmebol se manifestar no sentido de endurecer punições para clubes e envolvidos com esse tipo de comportamento.

A Confederação Sul-Americana de Futebol registrou sete casos de racismo na Libertadores envolvendo brasileiros somente nesta temporada. São 27 nos últimos seis anos. O presidente da CBF, Ednaldo Rodrigues, disse que os clubes deveriam ser punidos, com perda de pontos. Em junho, haverá um simpósio para discutir o assunto com a própria Fifa.

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Rafael Ramos negou as acusações ainda durante o jogo, mas foi trocado pelo técnico Vítor Pereira, português como ele. Após a partida, ele foi preso em flagrante por cometer injúria racial e só foi liberado para embarcar com a delegação do Corinthians para Buenos Aires, onde o time joga pela Libertadores nesta semana, contra o Boca Juniors, depois de pagar fiança de R$ 10 mil. Ramos foi preso ainda no vestiário do Estádio Beira-Rio. Se confirmado o ato, ele pode pegar punição de dois meses ou cinco partidas, além de multa.

Edenilson prestou queixa-crime com o auxílio dos advogados do Inter. Disse ter sido chamado de "macaco". O atleta corintiano se defendeu alegando "mau entendimento". O delegado Carlo Vitarelli informou que Ramos foi autuado por injúria e que, por isso, pôde ser liberado após a fiança - crime de racismo é inafiançável. "Estou de consciência limpa. Foi apenas um mal entendido entre mim e o Edenilson. Falei com ele ao fim do jogo e expliquei a verdade, o que eu tinha dito. Ele me disse que tinha receio de passar por mentiroso, mas disse que ele não seria "mentiroso", apenas entendeu errado o que foi dito. Apertamos as mãos e foi isso", comentou o corintiano, deixando o local logo em seguida.

Minutos depois, em nota, o Corinthians afirmou que Rafael Ramos foi ouvido e deu versão diferente da apresentada por Edenilson. O clube paulista ressalta que repudia e não compactua com o racismo. Tanto o Corinthians quanto o lateral "continuarão a colaborar com as autoridades, certos de que tudo será esclarecido o mais rapidamente possível", informou o comunicado.

O árbitro Braulio da Silva Machado relatou na súmula a denúncia de Edenilson. O jogador ouviu um "foda-se, macaco", mas o jogador do Corinthians afirmou que na verdade disse um "foda-se, c...". Ainda de acordo com o árbitro, a partida seguiu sem nenhum tipo de punição porque ele não conseguiu ouvir a frase por causa do barulho da torcida e da distância que estava dos atletas.

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Nos contratos com os jogadores, o Inter tem cláusula contra o racismo. "O contratado compromete-se a cumprir as normas de ética e conduta do clube, em especial pautando-se pelo repúdio à prática de quaisquer atos discriminatórios ou preconceituosos decorrentes de origem, cor, gênero, religião, classe social, capacidades ou limitações individuais e fica ciente de que a infração à tais normas deverá acarretar em aplicação de advertência, suspensão e/ou rescisão por justa causa."

STJD só considera perda de pontos em casos gravíssimos

O Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD) deve entrar no assunto hoje, mas a entidade só considera perda de ponto e mando e exclusão do time em casos que julga ser de extrema gravidade (incisos V, VII e XI do artigo 170 de seu regulamento). O futebol brasileiro registrou 53 episódios de racismo no ano passado, segundo dados do Observatório da Discriminação Racial no Futebol.

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