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Brasil bate recorde de feminicídios pelo 4º ano seguido, enquanto homicídios tem o menor número em 13 anos, aponta Anuário de Segurança

País registrou 1.571 casos de mulheres mortas em contexto de gênero, o que significa que 4 delas foram assassinadas por dia

23 jul 2026 - 12h02
(atualizado às 13h27)
Brasil bate recorde de feminicídios pelo 4º ano seguido
Brasil bate recorde de feminicídios pelo 4º ano seguido
Foto: iStock/demaerre

O Brasil registrou um novo recorde de feminicídios em 2025, mesmo com assassinatos em queda no país. Conforme o Anuário Brasileiro de Segurança Pública, divulgado nesta quinta-feira, 23, ao longo do ano, 1.571 mulheres foram mortas por questões de gênero, 4% a mais do que em 2024, quando foram registrados 1.504 casos. Esse é a maior quantidade de registros desde que o tipo penal foi criado, em 2015. 

O levantamento feito pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública aponta que quatro mulheres foram mortas por dia. A maioria delas, correspondente a 65,1%, eram negras. Do total, 56,5% tinham entre 25 e 44 anos. Os dados indicam ainda que 60,9% dos casos foram cometidos por parceiros íntimos, enquanto 18,9% eram ex-parceiros, e outros 12,1% eram familiares. Das mais de 1,5 mil vítimas, 62,5% foram mortas dentro de casa. 

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Desde total, 70 delas tinham medida protetiva em vigor, o que conforme o Anuário, evidencia que os limites da proteção estatal estão falhando em garantir a eficácia da ordem judicial que ele mesmo emitiu.

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Especial Jornalístico
Dados 2025 / 2026

Segurança Pública Análise de Dados

Homicídios caem ao menor nível em 13 anos no Brasil, mas feminicídios batem recorde

Dados do 20º Anuário de Segurança Pública revelam o contraste do país: enquanto assassinatos em geral caíram 8,2% em 2025, crimes de perseguição e violência fatal contra mulheres atingiram patamares inéditos.

Por Núcleo de Jornalismo de Dados Fonte: Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP)
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Mortes Violentas (MVI)
40.775 8,2%

Taxa de 19,1 por 100 mil hab. (menor desde 2012)

Feminicídios Consumados
1.571 4,0%

Maior número absoluto da série histórica

Crimes de Stalking
123.871 30,1%

Queixas de perseguição notificadas

Letalidade Policial
6.230 Estável

Mortes em decorrência de intervenção

A Pirâmide da Violência Doméstica

O feminicídio consumado é o estágio final de um ciclo contínuo de agressões e ameaças. Os dados do Anuário 2026 indicam uma escalada alarmante em todos os indicadores prévios de violência de gênero:

Ocorrência / Tipo de Registro Total (2025) Variação
Ameaças registradas 502 casos para cada feminicídio
788.531 +0,5%
Lesões corporais (Violência doméstica) 182 agressões físicas para cada feminicídio
286.270 +2,6%
Descumprimento de Medidas Protetivas 84 quebras formais de ordem restritiva
132.025 +16,7%
Perseguição (Stalking) 79 registros para cada homicídio de mulher
123.871 +30,1%
Tentativas de Feminicídio Mulheres que sobreviveram a atentados
4.189 +5,9%
Feminicídios Consumados Mortes violentas por condição do sexo feminino
1.571 +4,0%

Perfil do Agressor & Local do Crime

Parceiro ou ex-parceiro íntimo 79,8%
 
Outro familiar ou conhecido 12,1%
 
Desconhecido 8,1%
 

Onde ocorrem os feminicídios?

62,5%

A maioria esmagadora dos crimes é cometida dentro da residência da própria vítima ou do casal, evidenciando a vulnerabilidade no ambiente doméstico.

Perfil Racial das Vítimas

65,1%

Das mulheres mortas por razões de gênero no país, quase dois terços são negras (pretas e pardas).

Metodologia e Fonte de Dados

Os dados apresentados são provenientes do 20º Anuário Brasileiro de Segurança Pública (2026), elaborado pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP) com base em registros das secretarias estaduais de Segurança Pública e Defesa Social.

© 2026 Redação de Jornalismo Visual

Por outro lado, os números seguem na contramão da tendência nacional, pois os homicídios em geral atingiram, em 2025, o menor patamar desde o início da série histórica do Anuário, em 2012. Enquanto no ano passado foram registradas 40.775 mortes violentas intencionais —  homicídio doloso, latrocínio, feminicío, lesão corporal seguida de morte e mortes decorrentes de intervenções policiais em serviço e fora —, em 2012, o número era de 54.694. Isso quer dizer que ocorreram 19,1 mortes por 100 mil habitantes, Comparado a 2024, quando 44.220 vítimas foram assassinadas, houve uma queda de 8%.

O Anuário aponta que a expressiva redução é puxada, sobretudo, pela diminuição dos homicídios dolosos, que no ano passado teve 32.914 casos de homicídios dolosos, com uma taxa nacional de 15,4 mortes por 100 mil habitantes, e uma variação de -10% em relação aos dados do ano anterior. O que significa que o Brasil antecipou em dois anos, a meta de reduzir para 16 casos desse tipo penal por 100 mil habitantes.

Arma branca são as mais usadas

Os dados dão conta ainda que há um padrão distinto entre feminicídios e homicídios de mulheres. A arma branca, como facas e canivetes, foram os principais instrumentos utilizados para matar mulheres por questões de gênero, sendo responsável por 50,8% dos casos registrados. Nas demais mortes violentas intencionais, esse instrumento respondeu apenas por 15,5% das ocorrências. 

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Já as armas de fogo apresentaram comportamento inverso: foram utilizadas em 63,6% das demais mortes violentas intencionais de mulheres, mas em apenas 22,5% dos feminicídios. 

Violência doméstica e ameaça seguem crescendo

Entre 2024 e 2025, os casos de lesão corporal no âmbito da violência doméstica também cresceram no País, passando de 255,2 mil para 261,7 mil, cerca de 2,6% em comparação. Isso demonstra uma taxa de 261,7 registros por grupo de 100 mil mulheres. Ou seja, ao menos uma mulher é agredida a cada 2 minutos. 

Já com relação à ameaças, mais de 788 mil mulheres registaram ocorrências em 2025, enquanto no ano anterior o número foi de pouco mais de 781 mil. Isso representa uma taxa de 720,9 registros por 100 mil mulheres, o que é considerado relativamente estável em comparação com o ano anterior. 

Houve ainda um aumento expressivo em registros de perseguição, 30,1% em comparação a 2024, seguido pela violência psicológica, 16,9%, e pelo descumprimento de medidas protetivas de urgência, 16,7%, sendo o último o único indicador que cresceu em todas as 26 unidades da federação. 

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Fonte: Portal Terra
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