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Aos 77 anos, aposentada conclui segunda graduação: 'Sonhos não envelhecem'

Após 30 anos longe da universidade, Marivan Ferraro voltou a estudar, enfrentou uma nova rotina de aprendizado e agora quer produzir livros

18 jul 2026 - 04h58
Aos 77 anos, aposentada conclui segunda graduação e diz: 'Sonhos não envelhecem'
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Aos 77 anos, Marivan Ferraro acaba de encerrar um ciclo que começou muito antes da formatura. Depois de mais de três décadas afastada da universidade, a aposentada voltou à sala de aula, encarou um novo vestibular e concluiu sua segunda graduação, desta vez em Design, pela Universidade de Fortaleza (Unifor).

A decisão veio depois de uma longa trajetória dedicada à educação. Concursada da Secretaria de Educação do Estado do Ceará, Marivan trabalhou por 27 anos no magistério e se aposentou em 2009. Antes disso, já havia enfrentado uma primeira pausa nos estudos: após concluir o ensino médio e passar pelo primeiro vestibular, ela interrompeu os planos para se casar e mudar de cidade.

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Anos depois, já mãe de três filhos, retomou os estudos e se formou em Letras, com habilitação em Português, Literaturas e Inglês. A segunda graduação, porém, veio em outro momento da vida, quando ela buscava novos caminhos profissionais.

“Essa nova graduação aconteceu porque fiquei aposentada desde 2009 e senti falta de fazer alguma coisa diferente, de conhecer novas áreas de atuação e, realmente, partir para outra”, contou ao Terra.

Marivan e o neto, João Francisco, de 16 anos, que foi seu padrinho na colação de grau
Marivan e o neto, João Francisco, de 16 anos, que foi seu padrinho na colação de grau
Foto: Arquivo Pessoal

A escolha de voltar para a universidade depois dos 70 anos foi recebida com surpresa por sua família e amigos. Enquanto algumas pessoas apoiaram a iniciativa, outras questionaram se aquele ainda seria o momento de estudar. “A primeira reação da família foi achar que eu não deveria mais estar estudando, que eu deveria ficar em casa, sem fazer nada, aposentada”, relatou.

Segundo Marivan, algumas amigas também ficaram surpresas com a decisão. “Algumas amigas também pensaram: ‘Ah, você vai inventar de estudar de novo?’. Enquanto isso, outras me apoiaram. Então, foi meio dividido. Tive o apoio de algumas pessoas e as críticas de outras.”

Mesmo com as dúvidas externas, ela seguiu em frente. A oportunidade apareceu quando visitou a Universidade de Fortaleza e conheceu a proposta do novo curso de Design, cuja primeira turma começou em 2023. “Eu peguei a grade curricular e decidi fazer o curso.”

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Acolhimento de colegas

O retorno à universidade trouxe um desafio diferente: conviver novamente com uma rotina acadêmica intensa. O bacharelado em Design durou três anos e meio, com aulas presenciais de segunda a sexta-feira, trabalhos em grupo e novas ferramentas de aprendizado. “A receptividade foi a melhor possível, porque a nossa primeira turma realmente eram pessoas que queriam estudar Design”, afirmou.

Marivan com a turma durante a colação de grau
Foto: Arquivo Pessoal

Na turma, Marivan era uma das poucas pessoas que já tinham uma graduação anterior. Ela conta que, no início, era chamada pelos colegas de “senhora” e “dona”, mas que a relação mudou com o tempo. “Depois, fomos criando intimidade e parecia que eu tinha a mesma idade que eles. Foi uma experiência muito boa. E fui muito acolhida pelos professores."

Ela também destaca a importância da colaboração durante o curso, principalmente porque muitos conteúdos eram novos para todos. “Foi desafiador, porque tudo era muito novo. Mas era novo para todo mundo, não só para mim. Então, talvez isso tenha contribuído para a união do grupo, para que um ajudasse o outro”, contou.

Diploma veio após rotina intensa de estudos

A conquista do segundo diploma foi marcada por esforço e dedicação. Marivan conta que precisou reorganizar completamente a rotina para acompanhar as exigências da graduação. “Realmente não foi fácil. Eu estudava todo dia de manhã, à noite, de madrugada. Abandonei minha casa, meus netos, só para me dedicar.”

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Para ela, a conclusão do curso representou uma vitória pessoal. “Foi um sentimento de vitória, porque o curso não foi fácil.”

A formação também abriu uma nova perspectiva profissional. Durante o curso, ela descobriu uma área que unia duas antigas paixões: o design editorial e a literatura. “Minha paixão é o design gráfico, porque eu quero trabalhar com design editorial.”

A experiência como professora de Língua Portuguesa e Literatura influenciou o próximo capítulo da trajetória de Marivan. Agora, ela quer produzir livros infantis, unindo textos, imagens e técnicas artesanais. Seu primeiro projeto é um livro experimental feito em tecido, com ilustrações e cenários bordados, inspirado na história da Arca de Noé. 

A produção contou ainda com uma parceria especial: a mãe de Marivan, Maria Augusta, que aos 98 anos ajudou na construção do livro, apresentado como trabalho final do curso na universidade. Foi ela quem auxiliou na escolha dos materiais e na estrutura do bordado. “Ela me ajudou exatamente na estrutura, na base da construção do livro bordado em tecido. E eu continuei. Ela bordou algumas páginas, então foi uma parceria mesmo, uma bordada a quatro mãos.”

Marivan ao lado da mãe, Maria Augusta, em sua apresentação do trabalho de conclusão de curso
Foto: Arquivo Pessoal

"Sonhos não envelhecem"

Depois da repercussão de sua trajetória, Marivan passou a receber mensagens de pessoas interessadas em conhecer seu trabalho e seu livro. Com tudo o que viveu, ela destaca que a idade não define os projetos de vida de ninguém. Para a aposentada, a principal mensagem é que sempre existe tempo para recomeçar.

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“Eu sou uma prova disso, de que não há limite de idade quando você quer retomar os estudos. Os sonhos não envelhecem.”

Segundo Marivan, o desejo de continuar aprendendo deve valer para pessoas de todas as idades. “Tanto os jovens também, como os idosos, como os de meia-idade. Se você tem um sonho, por que não correr atrás desse sonho que você deixou adormecido?”, questionou.

Agora, depois de uma nova graduação e de um novo projeto profissional, ela pretende descansar por alguns meses e buscar caminhos para publicar seus livros infantis. "Existem tantas crianças hoje ansiosas por causa do celular, porque o mundo está diferente. Então, são importantes livros que tenham mensagens, que tragam algum valor. E que a criança, desde a infância, veja o mundo com outros olhos por meio da leitura. Eu acho que estou no caminho certo e vou conseguir fazer muita coisa boa, se Deus quiser."

Marivan concluiu o curso e apresentou seu livro como trabalho final
Foto: Arquivo Pessoal
Fonte: Portal Terra
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