Poucos automóveis carregam uma imagem tão contraditória quanto o Fusca. De um lado, o carrinho arredondado que virou símbolo da contracultura, do amor livre e de filmes família nos Estados Unidos das décadas de 1960 e 1970. De outro, uma origem um pouco mais sombria: o projeto nasceu como encomenda pessoal de Adolf Hitler, dentro do aparato de propaganda do regime nazista.
Um "carro do povo" para a Alemanha de Hitler
A história começa no início dos anos 1930, quando a Alemanha enfrentava uma recessão profunda e tinha um dos piores índices de motorização da Europa. Poucos alemães tinham condições de comprar um automóvel, já que a maioria das marcas do país — Mercedes-Benz, BMW e Porsche — produzia carros de luxo, inacessíveis à população comum.
Ao chegar ao poder em 1933, Hitler colocou entre seus objetivos transformar a Alemanha em uma nação motorizada e defendeu a criação de um "Volkswagen" — literalmente, um "carro do povo".
Para ele, a ideia não era apenas econômica: um automóvel popular, fabricado por trabalhadores alemães para que famílias alemãs pudessem viajar pelo país era visto pelo regime como uma vitrine do projeto político e industrial da Alemanha Nazista.
Ferdinand Porsche foi escolhido para colocar o projeto em prática
Para desenvolver o projeto, três engenheiros apresentaram propostas ao regime: Josef Ganz, Edmund Rumpler e Ferdinand Porsche. Segundo relatos históricos, os dois primeiros eram judeus, o que os tornava inaceitáveis aos olhos do governo nazista. ...
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