Volvo C40 pega fogo em Curitiba; fabricante investiga caso

Incêndio em carro elétrico ocorreu após motorista notar fumaça no veículo; Volvo abriu investigação e afirma que não houve feridos

24 abr 2026 - 16h55

Um Volvo C40, elétrico que foi vendido no Brasil de 2022 a 2025, pegou fogo na manhã da última terça-feira (21) em Cajuru, bairro de Curitiba (PR). Segundo informações locais, o incêndio aconteceu na Rua Niterói, próximo à rodovia BR-277.

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O motorista, segundo relatos, trafegava pela rodovia quando viu que havia fumaça saindo do automóvel. Percebendo o risco, decidiu entrar no bairro para escapar do carro que, em instantes, pegou fogo. O incêndio ainda não teve as causas divulgadas. Ninguém se feriu.

O Jornal do Carro entrou em contato com a Volvo, que afirmou em nota:

"A Volvo Car Brasil tomou conhecimento do incidente na manhã de terça-feira (21) no bairro Cajuru, em Curitiba (PR), e abriu o processo interno de investigação para apurar o ocorrido. Não houve feridos, e os danos registrados foram exclusivamente materiais.

O incidente envolveu um modelo C40 e, segundo informações preliminares, o veículo passou a emitir fumaça, chamando a atenção do motorista, que prontamente parou o carro e saiu do mesmo.

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Desde 1927, a Volvo Cars tem a segurança como seu princípio fundamental. Um valor que guia cada decisão e cada tecnologia desenvolvida pela marca.

A Volvo Car Brasil reafirma seu compromisso absoluto com a proteção das pessoas, com a excelência que sempre definiu seus padrões de segurança e com a transparência, se colocando à disposição para repassar novas informações, com o avanço da investigação."

O Volvo C40 foi um SUV cupê que entregava 238 cv de potência e 42,8 kgfm de torque. Tinha autonomia de 385 km segundo o Inmetro e bateria de 69 kWh. A tração era traseira e o conjunto fazia o carro acelerar de 0 a 100 km/h em 7,4 segundos.

Em dimensões, o carro tinha 4,44 m de comprimento, 1,87 m de largura, 1,59 m de altura e 2,70 m de distância entre-eixos, muito semelhante ao porte de um Jeep Compass.

Este episódio do C40 não foi o primeiro caso de incêndio da Volvo. Em janeiro deste ano, a fabricante iniciou um recall global do EX30 por potencial incêndio. À época, a Driver and Vehicle Standards Agency (DVSA), agência governamental reguladora da segurança rodoviária no Reino Unido, fez uma recomendação aos proprietários: não carregar o SUV elétrico em ambientes fechados ou cobertos sem supervisão.

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O Jornal do Carro procurou a Volvo para esclarecimento sobre esse novo desdobramento e a marca destacou que a medida adotada no Reino Unido tem validade local e não se aplica ao Brasil.

Por aqui, segue valendo a restrição já anunciada: o carro só pode ser recarregado até 70% da capacidade da bateria. A medida envolve 5,6 mil unidades do EX30 envolvidas na campanha de recall que a marca fez no Brasil.

Redução da autonomia frustra consumidores

Na prática, ainda que provisória, a solução indicada pela Volvo de restringir a recarga do EX30 acaba por reduzir a autonomia do SUV, já que o modelo vai rodar com menos energia armazenada. E quem não fica nada feliz com isso são os clientes da marca.

Nossa reportagem entrevistou um proprietário do Volvo EX30 Ultra, versão topo de linha equipado com a bateria de maior alcance com capacidade de 69 kWh e autonomia de 338 km, segundo o Inmetro. Atualmente, o carro tem preço sugerido de R$ 299.950 - na prática, nada módicos R$ 300 mil.

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"Estava fora do país quando recebi o e-mail convocando para o recall e fiquei preocupado em acontecer algo com o meu carro no Brasil que estava com 73% de bateria naquela ocasião", diz o dono do modelo, que preferiu não ser identificado.

"Não é confortável investir R$ 250.000 em um carro que não pode ser utilizado com o máximo de autonomia e ainda pode perder valor de mercado. Eu aguardo uma solução rápida pra essa questão e, se não tiver, irei entrar com uma ação judicial para preservar os meus direitos de consumidor", conclui.

Em novembro do ano passado, um exemplar do SUV pegou fogo dentro de uma concessionária em Maceió (AL). De acordo com autoridades locais, foram necessários 11 bombeiros para controlar a situação e apagar as chamas do veículo que ficou totalmente destruído.

No Reclame Aqui, há vários relatos de clientes frustrados com a situação do Volvo EX30. Alguns sinalizam decepção com a marca, que tem o posicionamento de forte compromisso com a segurança de seus carros. Outros, se dizem decepcionados com a redução da autonomia do veículo por causa do problema.

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EX30 pega fogo
EX30 pega fogo
Foto: Reprodução/Internet / Estadão

Bateria do EX30 causa briga judicial entre Volvo e Sunwoda Electronic

Foram fabricadas globalmente 33.777 unidades do EX30 com as células de bateria da Sunwoda Electronic. Por causa do defeito no componente mais caro de qualquer carro elétrico, o Grupo Geely, proprietário da Volvo entrou com um processo contra a fornecedora na China.

EX30 pega fogo
Foto: Reprodução/Internet / Estadão

A Geely afirma que as células de bateria fornecidas pela empresa entre junho de 2021 e dezembro de 2023 apresentaram problemas de qualidade, o que resultou em perdas financeiras substanciais. O valor da causa é de US$ 323 milhões - quase R$ 2 bilhões na conversão atual.

Volvo EX30 Cross Country
Foto: Vagner Aquino/Estadão / Estadão

A briga judicial também reporta casos em outubro de 2024 quando proprietários de Zeekr 001 (a chinesa também pertence ao grupo Geely) precisaram retornar às concessionárias para verificar e substituir as baterias que utilizavam células da Sunwoda justamente por problemas de qualidade e potenciais riscos de incêndio.

A Sunwoda Electronic é a sexta maior empresa de baterias da China e fornece componentes para diversas marcas, como Li Auto, Xpeng e Leapmotor.

No que se refere ao caso do EX30, a Volvo afirma:

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"A Volvo Cars iniciou uma campanha de recall para corrigir o problema de superaquecimento da bateria em alguns modelos EX30 Single Motor Extended Range dos anos 2024 e 2025, para os quais emitiu um aviso de segurança aos clientes afetados em dezembro do ano passado.

Nossas investigações identificaram que, em casos muito raros, a bateria dos veículos afetados pode superaquecer quando carregada a um nível elevado. No pior cenário, isso pode levar a um incêndio na bateria.

Vamos inspecionar e substituir os módulos de bateria potencialmente afetados, gratuitamente, em todos os carros abrangidos pelo recall. Nosso objetivo é corrigir todos os carros afetados o mais rápido possível.

Para mitigar o risco de segurança enquanto isso, continuamos pedindo a todos os proprietários de carros afetados que limitem o nível máximo de carga de seus carros a 70% até que seus módulos de bateria sejam inspecionados e substituídos.

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Estamos em contato com os proprietários dos carros afetados para informá-los sobre esta atualização e aconselhá-los sobre os próximos passos.

No Brasil, são cerca de 5.600 carros em circulação, das versões EX30 Single Motor Extended Range E60 ano/modelo 2024 e 2025. O agendamento com os proprietários já está em andamento."

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