"12 horas após beber, fiz o bafômetro e tive CNH suspensa", diz motorista

Alta nas fiscalizações e nas multas em São Paulo expõe erro comum de condutores que acreditam estarem aptos a dirigir após beber

19 abr 2026 - 17h31

Doze horas após consumir bebida alcoólica, um motorista de 32 anos, que preferiu não se identificar, acreditava estar em condições de dirigir. Dormiu e, pela manhã, saiu para levar a companheira ao trabalho, quando foi abordado em uma blitz. O teste do bafômetro apontou índice acima do permitido. "Como já fazia horas desde que tinha bebido, não achei que teria problema. Tive a carteira suspensa."

Casos como esse ajudam a explicar um erro comum entre motoristas: subestimar o tempo que o álcool permanece no organismo. Mesmo horas após o consumo, a substância pode continuar presente no sangue em níveis suficientes para comprometer a direção e gerar penalidades.

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"A sensação de estar apto a dirigir após beber não é confiável porque o álcool compromete justamente a capacidade de autoavaliação. A pessoa passa a se sentir segura quando, na verdade, já está com funções cognitivas e motoras prejudicadas", afirma Flavio Adura, diretor científico da Associação Brasileira de Medicina do Tráfego (Abramet).

Além disso, a recusa em realizar o teste também é considerada infração. Assim como quem é flagrado dirigindo sob efeito de álcool, o motorista que se nega a soprar o aparelho recebe multa de R$ 2.934,70 e responde a processo de suspensão da carteira por 12 meses. Em caso de reincidência no período de um ano, a multa dobra e pode haver cassação do direito de dirigir por até dois anos.

'Não existe nível seguro'

Flávio Adura é categórico ao afirmar que "não existe nível seguro para dirigir" após o consumo de álcool, já que os efeitos variam de pessoa para pessoa e podem ocorrer mesmo abaixo dos limites legais. Além disso, estratégias como tomar café, banho ou "esperar um pouco" não aceleram a eliminação da substância — apenas o tempo é capaz de reduzir a alcoolemia.

Na prática, o recado é direto: dirigir após beber, mesmo horas depois, ainda pode resultar em autuação — e, principalmente, em risco nas estradas.

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