O mercado de SUVs híbridos no Brasil está em franco crescimento e só no ano de 2026 mais de 40.000 unidades foram vendidas com BYD Song Plus liderando seguido por GWM Haval H6. E a novata Geely quer também participar dessa categoria tão promissora com o EX5 EM-i, o primeiro híbrido plug-in. Atualmente a Geely, que é sócia da Renault do Brasil, comercializa os elétricos EX2 e EX5, inclusive o hatch EX2 figura entre os mais vendidos do segmento de carros movidos somente a bateria.
O EX5 EM-i foi apresentado durante o Salão do Automóvel e se diferencia visualmente do SUV de mesmo nome elétrico. Na dianteira, por exemplo, o EX5 EM-i traz faróis unidos por uma barra de led que percorre toda a largura do veículo, enquanto o elétrico convencional aposta em um conjunto mais simples, com assinatura de led menor. Destaque para o alcance do conjunto óptico, segundo a Geely, que é de 181 metros com 23 metros de largura.
Desenvolvido sobre a plataforma modular GEA, o conjunto mecânico une um motor 1.5 a combustão a dois motores elétricos que, combinados, entregam 262 cv de potência e 38,7 mkgf de torque. Segundo a marca, o SUV sai da imobilidade e chega a 100 km/h em apenas 7,8 segundos.
A marca focou em sua apresentação no alcance do modo elétrico da versão topo de linha, Ultra, que chega a 112 km, e é uma das maiores autonomias do segmento. O consumo urbano de 14,8 km/l também é positivo e o rodoviário é de 13,1 km/l, segundo dados do Inmetro. A promessa da Geely é de uma autonomia total surpreendente de 1.300 km.
A versão Ultra é a que traz a maior bateria com 29,8 kWh e portanto com a maior autonomia elétrica. Já as versões de entrada, Pro e Max, trazem um conjunto com menor capacidade de 18,4 kWh e uma autonomia de 65 km. Todas as versões possuem tecnologia V2L e V2V, podendo atuar como um "powerbank gigante" para alimentar equipamentos elétricos externos ou até recarregar outros veículos.
Com 4,74 metros de comprimento, 1,90 m de largura, 1,68 m de altura e um entre-eixos de 2,75 m, o EX5 EM-i garante bom espaço interno. A altura livre do solo é de 17,2 cm, um número que permitiu trafegar pelas ruas de São Paulo sem nenhum percalço. O porta-malas acomoda 428 litros, expansíveis para mais de 2.000 litros com os bancos rebatidos, seguindo a média da categoria.
No interior nós voltamos a encontrar a combinação padrão que temos visto nos SUVs chineses, volante de base reta, central multimídia de mais de 15 polegadas, quadro de instrumentos de mais de 10 polegadas e head-up display que ocupa uma área de 13,8" do para-brisa. A solução de conectividade funciona, mas falta personalidade, e a ausência de botões físicos no console central também atrapalha a vida a bordo e pode comprometer a segurança.
Os três motores funcionam de forma coordenada e conforme o modo de condução selecionado ou mesmo escolhido pelo próprio computador de bordo conforme a velocidade, carga do acelerador, inclinação do terreno, demanda energética e nível da bateria.
Na rodagem rodoviária é nítida a presença do motor a combustão, que se mostrou silencioso e escancarou que há também um bom isolamento acústico da cabine. O test-drive proposto pela marca priorizou a rodagem na estrada, portanto não utilizamos o modo elétrico.
Um ponto de atenção durante a condução foi o comportamento dinâmico que prioriza o conforto, mas que merecia uma calibração dos amortecedores um pouco mais firme, para que a carroceria ficasse mais estável ao passar pelas imperfeições do piso. É nítido que o sistema precisa passar por um processo de "tropicalização" para que o acerto fique mais condizente com a realidade dos nossos asfaltos.
O pacote de segurança ativa é bem completo como manda o figurino dessa categoria com piloto automático adaptativo, frenagem autônoma de emergência, alerta de tráfego cruzado, de ponto cego e de saída de faixa. O sistema de identificação das placas é um pouco invasivo pois dá um alerta sonoro todas as vezes que a velocidade máxima da via é ultrapassado, é possível desligá-lo, mas quando o carro é desligado o sinal volta a ressoar.
Preços agressivos
Como já é quase um padrão entre os lançamentos das marcas chinesas os preços são agressivos e o Geely EX5 EM-i é apresentado como um dos SUVs híbridos recarregáveis mais baratos do mercado.
A versão de entrada sai por R$ 189.990, enquanto a intermediária, Max, custa R$ 209.990, e a Ultra R$ 234.990. Lembrando que esses preços são de lançamento e a marca não divulga o prazo do término da condição especial. O único rival que tem o mesmo preço é o BYD Song Pro que parte de R$ 189.990, porém tem um porte um pouco menor e é menos potente com rendimento de até 197 cv.