O Toyota RAV4 é vendido desde setembro de 2024 em versão única equipado com motorização híbrida plug-in que rendia 304 cv e trazia a grande vantagem de rodar pouco mais de 50 km sem gastar uma gota de gasolina. Porém a nova geração lançada oficialmente nesta terça-feira (14) só será (aqui no Brasil) híbrida plena. Sim, o RAV4 deixa de ser recarregável e passa a adotar um sistema híbrido convencional e essa estratégia segundo a marca é capaz de dobrar o número de vendas do SUV no país.
Por ser uma nova geração o design mudou de forma significativa e ficou mais alinhado com modelos globais como o Toyota Prius. A dianteira traz o conceito que a marca batiza de "Hammerhead" com capô esculpido e linhas mais angulares combinados com o conjunto óptico em formato de C. Segundo a Toyota, a nova aerodinâmica reduziu em 8% o ruído interno.
Por dentro, o salto tecnológico é evidente. O tradicional seletor de marchas deu lugar a um joystick eletrônico (shift-by-wire). O painel de instrumentos agora é 100% digital e configurável, com 12,3 polegadas, trabalhando em conjunto com um bem-vindo Head-Up Display colorido.
Na versão topo de linha SX, o grande destaque é a central multimídia flutuante de 12,9 polegadas, baseada na nova plataforma Arene. O sistema marca a estreia da Toyota em veículos com atualização remota (Over The Air - OTA) no país, além de oferecer espelhamento sem fio para Apple CarPlay e Android Auto.
O porta-malas, sempre um ponto crítico para famílias, oferece bons 514 litros de capacidade e traz abertura elétrica por aproximação e fechamento automático quando o motorista se afasta.
Sob o capô, o novo RAV4 é equipado com a quinta geração do sistema híbrido da Toyota. O conjunto une o motor 2.5 a combustão a dois motores elétricos dianteiros e um traseiro (MGR), responsável por garantir a tração integral (AWD) do SUV.
Juntos, entregam uma potência combinada de 239 cv. O motor elétrico traseiro, sozinho, rende 54 cv e 12,3 kgfm de torque, ajudando na estabilidade e em saídas rápidas. O câmbio é o automático do tipo CVT planetário.
As médias de consumo (sempre com gasolina, já que o modelo não é flex) receberam nota A no Inmetro e são 15,3 km/l no ciclo urbano e 14,1 km/l no rodoviário.
Ele ficou menos potente que a geração anterior, mas isso não foi percebido no breve contato que o Jornal do Carro teve com o SUV. A combinação dos quatro motores é o suficiente para proporcionar acelerações progressivas e suaves, como manda o figurino dessa categoria de SUVs familiares. Porém no quick down do pedal do acelerador o motor a combustão é "acordado" e seu ruído invade a cabine, causando um certo incômodo e essa "invasão" se refere à própria característica mais ruidosa do motor a combustão, pois o isolamento acústico é elogiável pois isola muito bem o barulho de tráfego intenso das grandes cidades.
A grande questão de ter se tornado um híbrido pleno é que o novo RAV4 não traz mais uma autonomia elétrica (era na casa dos 50 km), porém existe um modo EV, que segundo a Toyota garante condução em modo totalmente elétrico em baixas velocidades e curtas distâncias, dependendo das condições de carga da bateria. A marca não divulga qual o máximo de quilometragem nessa condição.
O RAV4 traz historicamente um comportamento dinâmico de causar inveja aos rivais chineses e a marca japonesa ainda o aprimorou nessa nova geração. A suspensão passou por recalibração, há novos amortecedores com maior sensibilidade a forças laterais e a adoção do sistema de controle cooperativo de direção (CSDFC), que sincroniza os movimentos de rolagem e inclinação da carroceria durante as curvas. A combinação dessas mudanças foi nítida durante a condução e na estrada mesmo exposto a ventos laterais a carroceria se manteve "inabalável", a mesma condição observada no contorno de curvas acentuadas ou mesmo em velocidades mais elevadas no asfalto. Essa estabilidade não traz só segurança ao volante, mas também diversão, mesmo que um SUV da Toyota possa te sugerir que isso não é possível.
O RAV4 2026 é vendido em duas versões e ambas contam com o pacote Toyota Safety Sense (TSS 4.0) que foi aprimorado, segundo a Toyota, e passa a trazer recursos de condução semiautônoma mais precisos.
Entre os equipamentos, estão o assistente de pré-colisão com detecção de pedestres e ciclistas, controle de cruzeiro adaptativo (ACC), farol alto adaptativo, alerta de saída de faixa com centralização, leitor de placas de trânsito e o novo Assistente de Saída Segura (SEA), que avisa se houver perigo ao abrir a porta do veículo.
Por fim o preço, o RAV4 parte de R$ 317.190 na versão de entrada S e chega a R$ 349.290 na topo de linha SX. A questão é que nesse preço ele se torna um dos SUVs médios mais caros e perde vantagem em relação aos rivais chineses (BYD Song Plus e GWM Haval H6) que oferecem sistema híbrido plug-in (recarregável), que rodam sem gastar gasolina, e que custam na casa dos R$ 250.000. Porém traz um comportamento dinâmico (bem) superior, tecnologias de auxílio à condução calibradas e não invasivas e um design moderno. Será que compensa o preço extra?