Só 25% dos brasileiros se sentiriam seguros em um carro autônomo

Pesquisa da Ipsos mostra que, globalmente, tecnologia ainda gera desconfiança

16 abr 2026 - 11h00

Você entraria, hoje, em um carro totalmente autônomo e viajaria tranquilamente por aí? A resposta para essa pergunta ajuda a explicar o principal ponto do novo relatório global de mobilidade da Ipsos: a tecnologia avança, mas a confiança do consumidor ainda anda em marcha lenta.

E não é só sobre dirigir sem motorista. À medida que os carros ficam mais conectados, cresce também a preocupação com os dados pessoais. Afinal, quem garante que todas essas informações estão protegidas? Na América Latina, pouco mais da metade dos entrevistados confiam nas montadoras. Já no Brasil, o sentimento é de dúvida: 31,6% ficaram em cima do muro quando o assunto é segurança digital.

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Mesmo assim, o interesse por inovação segue alto. Globalmente, 55% dizem aguardar ansiosamente por novas tecnologias nos carros. Mas há diferenças regionais importantes: enquanto a China lidera esse entusiasmo, com 78%, parte da Europa ainda olha para essas novidades com mais cautela.

País de produção do carro passa a ser decisivo ao consumidor

Outro ponto curioso do estudo mostra que a decisão de compra vai além de preço, design ou desempenho. A origem da marca também entrou no radar. Quase metade dos consumidores no mundo (48%) afirma que evitaria carros de determinados países.

Em alguns mercados, essa rejeição é bem forte. No Japão, por exemplo, 67% dizem que deixariam de comprar veículos dependendo do país de origem. Na China, o índice também é alto, chegando a 63%.

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Há ainda casos em que o cenário político recente pesa na decisão. No Canadá, após tensões com os Estados Unidos, 48% dos consumidores afirmam que evitariam carros americanos.

Quando o recorte é por origem dos veículos, os modelos chineses aparecem como os mais rejeitados globalmente, com 41% dos entrevistados dizendo que evitariam a compra. Na sequência vêm os carros indianos (38%) e os americanos (24%).

No Brasil, porém, o cenário é diferente. O consumidor local se mostra menos preocupado com esse fator: 35% dizem que provavelmente não evitariam carros de determinados países, enquanto 29% afirmam que certamente não levariam isso em consideração.

Na prática, isso indica que, enquanto parte do mundo escolhe o carro com base no passaporte da marca, o brasileiro ainda mantém o foco mais em preço, custo-benefício e características do veículo.

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