A Volkswagen vai parar Anchieta. Mas não é por falta de demanda. É preparação de terreno. A montadora confirmou férias coletivas para os trabalhadores da área de produção da unidade de São Bernardo do Campo (SP) entre os dias 6 e 12 de abril, com retorno no dia 13. Segundo o Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, cerca de 5 mil funcionários serão envolvidos na paralisação.
A Volkswagen foi procurada pela reportagem do Jornal do Carro e confirmou a informação, incialmente publicada pelo site Automotive Business.
"A Volkswagen do Brasil informa que a fábrica Anchieta realizará uma parada programada de produção por cinco dias, destinada à execução de ajustes técnicos na linha de montagem. A ação tem como objetivo otimizar processos e preparar a unidade para o futuro", disse, em nota, a companhia de origem alemã.
Na prática, é uma pausa cirúrgica. O objetivo é adaptar a fábrica para receber a produção dos modelos híbridos, marcando o início de uma nova fase da fabricante alemã no Brasil.
E essa virada já tem tecnologia definida. Está confirmada na Anchieta a produção de veículos híbridos flex baseados na plataforma MQB37. Vale ressaltar que a Volkswagen garantiu que todos seus modelos desenvolvidos e fabricados na América do Sul terão pelo menos uma versão eletrificada a partir deste ano.
A arquitetura MQB37, que permite a eletrificação de veículos, é uma evolução da MQB A0. Polo, Nivus e Virtus, todos produzidos na Anchieta, utilizam tal base.
Importante, contudo, ressaltar que o primeiro híbrido flex da Volkswagen sairá de São José dos Pinhais (PR). Trata-se da picape Tukan, que tem lançamento previsto para 2027.
O movimento de eletrificação faz parte do ciclo de investimentos de R$ 20 bilhões que a Volkswagen anunciou para a América do Sul até 2028 — sendo R$ 16 bilhões destinados ao Brasil. Nesse período, estão previstos 17 lançamentos no país.
Para viabilizar essa transição, a montadora captou R$ 2,3 bilhões junto ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), valor já incorporado ao plano de investimentos. É o tipo de reforço que ajuda a bancar a mudança de rota — do flex tradicional para uma eletrificação à brasileira.