Volkswagen planeja cortar 100 mil postos de trabalho e fechar quatro fábricas na Europa

Se o plano de demissão for realizado, poderá se tornar um dos maiores da história

12 set 2026 - 00h16
Resumo
A Volkswagen planeja cortar 100 mil empregos globalmente, o equivalente a quase um sexto de sua força de trabalho, além de fechar quatro fábricas na Alemanha. A medida, que pode se tornar uma das maiores demissões da história corporativa, integra a estratégia do CEO Oliver Blume para focar no setor automotivo e conter desafios geopolíticos, tarifas norte-americanas e a crescente concorrência das montadoras chinesas na Europa. Os detalhes serão avaliados pelo conselho fiscal em julho.

A Volkswagen havia anunciado planos para cortar 50 mil postos de trabalho até 2030 como forma de reorganizar as operações e conter o avanço de fabricantes chinesas na Europa. Mas uma nova apuração aponta que o plano original é ainda maior.

Segundo o jornal inglês Financial Times, a marca de origem alemã planeja demitir 100 mil funcionários. Isso significa cortar praticamente um em cada seis posições atuais da empresa, que tem 625 mil funcionários globalmente.

Publicidade

Se o plano de demissão for realizado, será um dos maiores da história, superando a demissão de 74 mil pessoas que a GM fez nos anos 1990, fechando ainda 21 fábricas nos Estados Unidos e Canadá, e o corte de mais de 60 mil funcionários da IBM em 1993, decisão que acabou com os "empregos vitalícios" pelas quais a empresa era conhecida.

Cortes anteriores previstos pela Volkswagen, uma das maiores empregadoras industriais privadas da Alemanha, no entanto, foram reduzidos após negociações com sindicatos e representantes dos trabalhadores.

Além das demissões, o plano original, revelado pela primeira vez pela revista alemã Manager Magazin, prevê ainda o encerramento da produção em mais quatro fábricas: três unidades da Volkswagen em Emden, Zwickau e Hannover, além de uma fábrica da Audi em Neckarsulm, todas na Alemanha.

Publicidade

O corte de funcionários e o fechamento das fábricas fazem parte de uma estratégia colocada em prática pelo CEO do Grupo Volkswagen, Oliver Blume, de concentrar as operações do grupo no setor automotivo, vendendo outros ativos e operações que não estão diretamente relacionadas à fabricação de automóveis.

Em 2024, por exemplo, a empresa chegou a um acordo com os sindicatos locais para cortar funcionários e reduzir a produção na Alemanha. Mas segundo Blume, as tarifas impostas pelos Estados Unidos, os conflitos no Oriente Médio e o avanço das fabricantes chinesas exigem ações ainda mais drásticas.

Procurada pelo Financial Times, a Volkswagen não quis se pronunciar sobre o caso."As questões de fundo são discutidas e aprovadas pelos órgãos de governança competentes. Não nos anteciparemos a esse processo", afirmou a empresa. Os detalhes devem ser apresentados ao conselho fiscal da empresa na próxima reunião, marcada para o dia 9 de julho.

Assim como a Volkswagen, todas as fabricantes de carros na Europa têm sido afetadas pelo avanço de rivais chineses. Segundo dados da Associação Europeia de Fabricantes de Automóveis (Acea), um em cada 10 novos veículos vendidos na região nos primeiros cinco meses de 2026 são chineses.

Publicidade

Curtiu? Fique por dentro das principais notícias através do nosso ZAP
Inscreva-se