Em meio a uma reestruturação para cortar um terço de seus negócios, o grupo Volkswagen avalia a venda da Ducati, estimada em R$ 7,4 bilhões pela Bloomberg. Controlada pela Audi, a tradicional fabricante italiana de motos é prestigiada no esporte, mas sua margem operacional de 5,6% está abaixo da meta de 9% estipulada pela matriz para 2030. Embora a revisão do portfólio tenha sido confirmada pelo CEO da Audi, Gernot Döllner, nenhuma decisão definitiva sobre a alienação da marca foi tomada.
O grupo Volkswagen avalia vender a Ducati como parte do processo de reestruturação que prevê reduzir em um terço seu portfólio de empresas e participações. De acordo com a Bloomberg, a fabricante italiana de motocicletas está entre os 600 negócios na berlinda do conglomerado alemão, que reúne cerca de 2.000 operações.
A possibilidade foi confirmada à agência por Gernot Döllner, CEO da Audi, tentáculo responsável pela Ducati. O executivo afirmou que a marca integra o processo de avaliação do portfólio, mas ressaltou que nenhuma decisão foi tomada.
A fabricante de Bolonha pode chegar a um valor de mercado de R$ 7,4 bilhões. A estimativa é de Michael Dean, analista da Bloomberg Intelligence.
A discussão ocorre após o conselho de supervisão da Volkswagen aprovar um severo pacote de reestruturação que inclui a redução de negócios e participações. O objetivo da empresa é se tornar mais competitiva e ter uma estrutura mais enxuta.
Uma das medidas já anunciadas foi o acordo, em junho, para vender 51% da Everllence, sua divisão de motores para navios. Segundo a Bloomberg, a operação deve gerar cerca de € 7,4 bilhões.
Ducati já esteve à venda em 2017
Comprada pela Audi em 2012, a Ducati já passou por outro processo de venda sob a batuta do grupo Volkswagen. Em 2017, a empresa estudou se desfazer da fabricante, mas abandonou o processo diante da oposição de representantes dos trabalhadores alemães.
Desde então, a marca ampliou sua presença na seara das competições. Conquistou, por exemplo, seis títulos consecutivos de construtores na MotoGP a partir de 2020, sequência que ajudou a reforçar sua imagem entre as montadoras de motocicletas esportivas.
O desempenho nas pistas, associado à base de fãs, conhecidos como "Ducatisti", dá à empresa um apelo que a Bloomberg compara ao da Ferrari no universo dos automóveis. O prestígio, porém, não a deixa fora da revisão dos negócios do grupo.
A Ducati vende cerca de 50 mil motocicletas por ano. Em 2025, registrou receita de € 925 milhões (R$ 5,4 bi em conversão direta) e lucro operacional de € 52 milhões (cerca de R$ 308 mi). Os números equivalem a uma margem operacional de aproximadamente 5,6%, abaixo da meta de 9% que Oliver Blume, chefão da Volkswagen, estipulou para o conglomerado até 2030.
Uma eventual venda da Ducati também teria peso simbólico para o clã Porsche-Piëch, que controla a Volkswagen. Entusiasta de motocicletas, Ferdinand Piëch foi um dos principais defensores da aquisição da fabricante em 2012 e posteriormente integrou seu conselho.
Por enquanto, a fabricante italiana permanece sob o controle da Audi. A declaração de Döllner confirma que seu futuro está em discussão, mas não estabelece prazo nem assegura que a avaliação terminará em venda.