A Volkswagen quer que a União Europeia adote medidas para fortalecer as fabricantes do continente diante do avanço de marcas chinesas como BYD e Leapmotor. Oliver Blume, CEO global do grupo, apresentou o plano “For Europe” às vésperas do Salão de Paris de 2026 e defendeu incentivos à produção local, além de mudanças nas regras ambientais para dar mais flexibilidade às montadoras.
Segundo Blume, o desafio é desenvolver carros elétricos acessíveis, produzidos na Europa e que também sejam rentáveis. Os custos de fabricação e desenvolvimento dificultam a disputa com as concorrentes chinesas, especialmente no segmento de modelos compactos, que depende de grandes volumes de vendas e costuma oferecer margens de lucro menores.
Para reduzir despesas, o grupo aposta em uma nova família de elétricos formada por Volkswagen ID. Polo e ID. Cross, Cupra Raval e Skoda Epiq. Os quatro modelos compartilham mais de 80% dos componentes e tecnologias, estratégia que permite dividir os investimentos entre as marcas e simplificar os processos de produção.
A Volkswagen também quer flexibilizar o cumprimento das metas de emissões. Uma das propostas prevê que, entre 2030 e 2032, as vendas de elétricos realizadas em 2028 e 2029 acima das exigências daqueles anos possam ser contabilizadas nos períodos seguintes. A medida daria mais margem às fabricantes diante de oscilações na demanda e ajudaria a reduzir o risco de multas bilionárias.
Outra reivindicação é a criação de vantagens para veículos desenvolvidos e fabricados na Europa, dentro do conceito “Made in EU”. A proposta considera fatores como origem das peças, pesquisa, engenharia, produção e empregos gerados no continente. O grupo também defende apoio temporário à fabricação de células de bateria e transferência de tecnologia por fornecedores asiáticos, com o objetivo de diminuir a dependência industrial europeia.
Blume afirma que as mudanças não representam um abandono das metas climáticas, mas uma tentativa de adaptar as condições da transição elétrica à realidade do mercado. A iniciativa, porém, evidencia o dilema da Volkswagen: a empresa quer manter a eletrificação como prioridade, mas considera necessário o apoio dos governos para competir com fabricantes chinesas e preservar a rentabilidade.