A frota brasileira está cada vez mais velha. A idade média dos automóveis em circulação no país chegou a 11 anos e 5 meses em 2025, segundo levantamento do Sindipeças. No mercado de usados, os veículos com 13 anos ou mais de uso representaram 37,4% das vendas no mesmo ano, de acordo com a Federação Nacional das Associações dos Revendedores de Veículos Automotores (Fenauto).
Esse comportamento pode estar ligado a um dos custos mais importantes na hora de comprar um carro: o IPVA. Isso porque ele pesa no bolso, sempre no início do ano, o que exige preparação financeira para não acabar se enrolando.
Esse é o caso de Rafael Lino, que, até pouco tempo atrás, fazia seus trajetos do dia a dia em um Astra 2006. Segundo Lino, o veículo atendia bem às suas necessidades e, ainda por cima, gerava a sensação de realização, já que era um xodó da família.
"Valia pena pelo carro ser muito confiável, completo e até certo ponto deu pra manter. Atende a família muito bem e pra quem e da nossa época (Millenium) é nostálgico."
Devido ao ano de fabricação do carro, Rafael economizava anualmente aproximadamente R$ 1.600,00, considerando que um Astra 2011 (último ano de fabricação do modelo) custa, em média, R$ 40.000,00 e que o IPVA em São Paulo equivale a 4% do valor do carro.
A manutenção de carros antigos é sempre um problema?
Os casos de Rafael e Gabriele nos mostram uma coisa: não há fórmula mágica para afirmar que carros antigos são melhores que carros novos e vice-versa. Isso porque a economia de combustível de Gabriele pode, eventualmente, superar os gastos com manutenção. Assim como o meio-termo encontrado por Rafael gera mais segurança e economia na rotina, mesmo tendo de abrir mão do conforto e dos opcionais que o Astra oferecia.
Além disso, associar carros antigos à dias na oficina é falsa equivalência. Para a mecânica e consultora automotiva Giovana Toso, a ideia de que todo carro antigo dá mais manutenção é um mito. Segundo ela, o estado de conservação e o histórico de revisões têm peso muito maior do que a idade do veículo.
A especialista explica que componentes como mangueiras, borrachas, vedações, suspensão, sistema de arrefecimento e itens elétricos sofrem desgaste natural ao longo do tempo, mesmo em veículos pouco rodados. Por isso, a avaliação antes da compra deve ir muito além da aparência.
Entre os itens que merecem atenção estão motor, câmbio, sistema de arrefecimento, freios, suspensão e parte elétrica. Dependendo do problema encontrado, a conta pode ser alta.
"Um carro de R$ 20 mil pode facilmente exigir R$ 5 mil, R$ 10 mil ou mais em uma recuperação inicial, dependendo do estado em que ele se encontra", alerta.
Toso ressalta ainda que existem modelos populares, como Gol, Palio, Celta e Corsa, que costumam ter manutenção mais simples e peças abundantes. Já veículos menos comuns ou fora de linha há muitos anos podem apresentar dificuldades para reposição de componentes, reduzindo ou até eliminando a economia esperada.
Antes de fechar negócio, a recomendação é realizar uma inspeção completa com uma pessoa de confiança e analisar o histórico de manutenção do veículo.
A conta vai além do IPVA
Na avaliação da consultora financeira Paula Bazzo, a economia gerada pela isenção ou redução do IPVA deve ser analisada dentro do custo total de propriedade do veículo.
Segundo ela, para uma família, o gasto mensal com o carro — incluindo parcela, combustível, seguro, IPVA, licenciamento, manutenção e estacionamento — não deveria ultrapassar entre 10% e 15% da renda líquida familiar.
Além disso, Bazzo destaca que um carro mais barato exige uma reserva financeira para lidar com eventuais imprevistos.
A especialista explica que a principal armadilha está em comparar apenas o valor economizado com o IPVA sem considerar os custos imprevisíveis de manutenção.
Segundo Bazzo, enquanto a isenção pode representar algo próximo de R$ 1.500 por ano em muitos veículos, uma única manutenção corretiva envolvendo embreagem, amortecedores ou pneus pode custar entre R$ 3 mil e R$ 8 mil.
Por isso, a recomendação é fazer as contas antes de tomar uma decisão. O preço de compra, os custos de transferência, uma eventual manutenção inicial, combustível, seguro e a disponibilidade de peças precisam entrar na equação, sempre considerando a sua rotina e necessidades. Só então é possível saber se a economia com o IPVA realmente compensa.