O número de roubos e furtos de carros elétricos e híbridos subiu 129% neste ano no estado de São Paulo. Segundo estudo da Ituran Brasil com dados da SSP-SP, foram registradas 101 ocorrências entre janeiro e maio de 2026, contra 44 no mesmo período de 2025.
Além do aumento, a diferença mais significativa entre os dois anos está na proporção entre furtos e roubos. Em 2025, cerca de 59% dos boletins de ocorrência registrados eram de roubos de veículos eletrificados. Mas, em 2026, houve uma queda significativa. Os roubos passaram a representar apenas 15% das ocorrências, enquanto os furtos passaram para 85%.
Entre todas as cidades do estado, a capital concentra a grande maioria das ocorrências. Foram registrados 74 casos entre janeiro e maio de 2026, contra 23 no mesmo período de 2025.
Santo André aparece em segundo lugar, com apenas três casos, enquanto São Bernardo do Campo fica em terceiro, com duas ocorrências.
Baterias podem ser o alvo dos bandidos
Um dos fatores que podem explicar esse aumento é o alto valor dos componentes desses veículos, especialmente das baterias. Dependendo do modelo, a bateria de um carro elétrico pode custar cerca de 50% do valor total do veículo.
Devido ao alto valor, componentes como as células passam a ser alvo de desmanches clandestinos, que desmontam e vendem as peças no mercado ilegal.
"Com mais desses modelos circulando, é natural que eles também passem a entrar no radar das quadrilhas especializadas. Além disso, são veículos com alto valor agregado e componentes eletrônicos sofisticados, o que pode despertar interesse do mercado ilegal de peças", explica Fernando Correia, gerente de operações da Ituran Brasil.
No início de julho, a Polícia Militar de São Paulo desmantelou um desmanche especializado em veículos elétricos na Vila Alpina, Zona Leste da capital. No local, os policiais encontraram diversos componentes, além de ferramentas para desmontagem dos carros e um modelo da BYD que havia sido roubado poucas horas antes da operação.
Segundo Correia, os criminosos vêm se tornando cada vez mais especialistas nesse tipo de crime:
"Ainda não é possível afirmar que exista um único fator por trás desse crescimento, mas percebemos que os criminosos também vêm aperfeiçoando suas técnicas, utilizando equipamentos para acessar os sistemas eletrônicos dos veículos e clonar chaves, tornando os furtos mais rápidos e discretos. Esse cenário reforça a importância de tecnologias de monitoramento e rastreamento, principalmente em uma frota que cresce de forma acelerada."