Honda 'enterra' Prologue e vê plano bilionário de carros elétricos desmoronar

SUV desenvolvido sobre a base do Chevrolet Blazer EV sai de linha depois de três anos; marca cancelou novos modelos e acumulou prejuízos bilionários com eletrificação

27 jul 2026 - 08h41

A Honda confirmou que encerrará as vendas do Prologue nos Estados Unidos após o término da linha 2026. Primeiro carro elétrico da marca comercializado em grande escala no país, o SUV deixará o mercado depois de apenas três anos.

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A situação do Prologue piorou depois da retirada dos incentivos federais concedidos a compradores de veículos elétricos nos EUA. No primeiro semestre de 2026, a Honda vendeu 8.407 unidades do SUV, queda de 49% em relação ao mesmo período do ano anterior. Os carros que ainda estão nos estoques das concessionárias continuarão sendo oferecidos nos próximos meses.

Lançado como linha 2024, o Prologue não era um projeto integralmente desenvolvido pela Honda. O modelo utilizava a arquitetura elétrica Ultium da General Motors e compartilhava componentes com o Chevrolet Blazer EV. A parceria também deu origem ao Acura ZDX, que teve vida ainda mais curta.

O recuo também atingiu a Sony Honda Mobility, empresa conjunta criada por Honda e Sony em 2022. A companhia cancelou o desenvolvimento e o lançamento do Afeela 1, que já tinha recebido reservas e seria produzido em Ohio. Um segundo modelo da marca também foi abandonado.

A expectativa era combinar a experiência industrial da Honda com o conhecimento da Sony em eletrônicos, entretenimento, sensores e software. O projeto, porém, ficou sem componentes e tecnologias que seriam compartilhados com os demais elétricos cancelados pela montadora.

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Investimentos bilionários viraram prejuízo

A Honda havia anunciado em 2021 que deixaria de vender automóveis com motores a combustão até 2040. Os Estados Unidos, responsáveis por cerca de 40% das vendas globais de carros da empresa, tornaram-se o principal destino dos investimentos.

Parte dos investimentos foi feita em moldes, equipamentos e instalações destinados a veículos que jamais chegaram às lojas. Em março, a própria Honda estimou que a revisão de sua estratégia poderia provocar perdas de até R$ 86 bilhões ao longo de dois exercícios fiscais.

O impacto ajudou a levar a Honda ao primeiro prejuízo anual desde que a empresa abriu seu capital, na década de 1950. No exercício encerrado em março de 2026, a montadora registrou perda líquida de 423,9 bilhões de ienes, equivalente a aproximadamente R$ 15 bilhões.

O mercado, no entanto, não explica sozinho o fracasso da estratégia. A Honda concentrou investimentos elevados em uma estrutura industrial pouco flexível e demorou para ajustar seus projetos à desaceleração da demanda. Quando mudou de direção, boa parte dos gastos já havia sido realizada.

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Elétricos sobrevivem no Japão

O fim do Prologue não representa o abandono completo dos carros elétricos pela Honda. No Japão, a linha inclui o comercial N-VAN e: e o N-ONE e:, modelo de passageiros lançado em 2025. Os dois são destinados principalmente a percursos urbanos e têm proposta bastante diferente da dos SUVs grandes e caros planejados para os Estados Unidos.

É uma operação menor, mas que mostra uma abordagem mais pragmática. Em casa, a montadora oferece elétricos compactos, adaptados à infraestrutura e aos hábitos de uso do mercado.

Agora, a empresa pretende ampliar a oferta de híbridos e manter motores a combustão por mais tempo. A antiga meta de abandonar completamente essa tecnologia até 2040 também foi deixada de lado. A Honda ainda trata os elétricos como parte de seus planos de longo prazo, mas sem repetir, ao menos por ora, a escala e a rigidez da estratégia que culminou em prejuízos e na subida ao telhado de inúmeros modelos.

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