Entre os executivos das montadoras tradicionais, Akio Toyoda é um dos mais céticos em relação a uma transição energética acelerada e baseada em uma única tecnologia. Mesmo assim, ao admitir que o Corolla será elétrico na próxima geração, fez um alerta: a Toyota pode não sobreviver caso continue presa aos métodos tradicionais.
Ex-CEO, atual presidente do conselho administrativo e neto do fundador da montadora japonesa, Toyoda admitiu que há um "senso de urgência" na companhia. A Toyota ainda é a maior fabricante de carros do mundo, mas se movimenta a fim de conter o ímpeto de empresas chinesas - especialmente BYD, Geely e SAIC.
Por isso, a montadora nipônica aposta em versão elétrica do seu queridinho. "O Corolla é um símbolo da Toyota", salientou Toyoda em entrevista exclusiva à NHK, reproduzida pelo Electrek.
A emissora mostrou os bastidores do local onde a próxima geração do Corolla está sendo desenvolvida. Protótipos do conceito apresentado em outubro passado foram mostrados no programa, sem maiores novidades visuais. O modelo segue com linhas disruptivas e silhueta baixa.
A Toyota também preserva a grade dianteira fechada. Além disso, segundo Electrek, pode ser vista uma área dedicada especialmente para recarga - indicando que há uma versão elétrica em desenvolvimento.
À época da apresentação do conceito, Koji Sato, CEO da Toyota, reforçou que a nova geração do Corolla terá plataforma multienergia. Ou seja, há margem para opções elétricas, híbridas plug-in, híbridas convencionais e a combustão.
Verdade é que a Toyota se movimenta. A 13ª geração do Corolla deve ser lançada em breve com o objetivo de encarar rivais cada vez mais qualificados.
E evoluir, de fato, é preciso. Tanto é que, ao ser perguntado sobre o momento da Toyota, um engenheiro da empresa, diante das câmeras da NHK, soltou: "Acho que estamos perdendo para a China."