Haval H9 em 1.200 km: ainda vale a pena viajar com um SUV raiz a diesel?

Em estrada longa, o Haval H9 entrega conforto e economia acima do esperado, mas revela limites claros impostos pelo peso e pela suspensão

31 jan 2026 - 11h51
GWM Haval H9 2.4 TD480
GWM Haval H9 2.4 TD480
Foto: Sergio Quintanilha / Guia do Carro

Viajar é um bom método para separar discurso de realidade. Com o Haval H9 4x4, da GWM, o roteiro foi o de sempre, mas revelador: São Paulo-Londrina, ida e volta, 1.160 km na estrada, mais uns 30 km na cidade, divididos ao volante com a Cris Prado. Estrada, chuva forte na volta, muita bagagem e tempo suficiente para entender onde esse SUV de sete lugares acerta e onde é exagerado.

Baixo consumo foi o ponto alto do Haval H9 na estrada

Enorme, imponente, bonito e “quadradão”, o Haval H9 é o que chamados de SUV raiz, pois é bem alto, tem tração 4x4 com reduzida e suspensão traseira com eixo rígido. O motor a diesel não poderia faltar – e é o ponto surpreendente deste carro.

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Todo mundo que se encantou com o carro perguntou se era híbrido. Não era. Todo mundo ficou surpreso ao imaginar que ele era elétrico. Não era também. A surpresa final foi saber que uma montadora chinesa importa um carro a diesel para o Brasil. O motor é um TD 2.4 de 184 cv, 479 Nm e câmbio automático de 9 marchas. O mesmo powertrain da picape Poer P30, também da GWM, mas que é produzida no Brasil. A previsão é que o Haval H9 também seja montado em Iracemápolis (SP).

O Haval H9 saiu com o tanque cheio (78 litros) e pediu apenas mais 22 litros ao longo de todo o percurso. No total, 100 litros bastaram para os 1.200 km, com média real de 12 km/l e pico de 12,7 km/l na Castello Branco, rodando entre 100 e 120 km/h e o conta-giros sempre abaixo de 2.000 rpm.

São números bem melhores do que os oficiais do PBEV, que indicam 9,1 km/l no urbano e 10,4 km/l na estrada. O mérito passa pelo câmbio, que trabalha com suavidade e ajuda o consumo. Mas está principalmente na forma de dirigir suave que adotamos para essa viagem. O desafio era ver até onde dava para ir com um SUV a diesel – e saber se ainda vale a pena viajar com esse tipo de carro. O H9 custa R$ 319.000.

GWM Haval H9 2.4 TD480
Foto: Sergio Quintanilha / Guia do Carro

O desempenho agrada, mas o peso impõe postura. Com 2,5 toneladas, o H9 convida à condução mais conservadora. Os freios são eficientes, mas não é simples parar um monstro desse porte em alta velocidade. Isso moldou nosso ritmo de viagem e não chega a ser um defeito – digamos que seja uma característica do SUV raiz.

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O conforto é um dos pontos altos. Bancos com ajustes elétricos, ventilação, aquecimento e massagem, isolamento acústico eficiente e nível de ruído baixo para um SUV a diesel. Mesmo com o porta-malas cheio na ida e na volta, sobrou espaço. As câmeras ajudam nas manobras; ainda assim, o Haval H9 não estaciona em qualquer lugar, pois tem 4,95 m de comprimento, 1,98 m de largura e 1,93 m de altura.

Há, porém, um contraponto importante. A suspensão traseira com eixo rígido faz o carro balançar demais na estrada, especialmente em ondulações longas. Curiosamente, ele se mostra mais confortável na cidade do que em rodovias rápidas. Em alguns momentos, o movimento excessivo chega a causar enjoo no passageiro. É o preço da robustez clássica aplicada a um uso majoritariamente rodoviário.

GWM Haval H9 2.4 TD480
Foto: Sergio Quintanilha / Guia do Carro

Por outro lado, o Haval H9 é um devorador de buracos e arapucas que existem na estrada. Os enormes pneus 265/55 R19, com muita borracha no perfil, dá uma tranquilidade incrível ao motorista. Este SUV raiz da GWM é uma resposta à altura a todos os SUVs modernos que adotaram a inadequada modinha dos pneus de perfil baixo.

Na viagem de volta, uma tempestade muito forte serviu como teste prático. Bastou colocar a tração no modo 4x4 para aumentar a segurança e trazer tranquilidade em piso encharcado. Nessas horas, a proposta “raiz” faz sentido – assim como a construção sobre chassi e os recursos pensados para uso severo. O balanço ao rodar faz parte da tradição.

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Um complemento no Guarujá depois da longa viagem

Terminada a viagem São Paulo-Londrina-São Paulo, fizemos uma segunda experiência com o Haval H9, descendo a Serra do Mar até o Guarujá e depois subindo. No foram foram mais 220 km. Colocamos mais 30 litros de combustível e a média ficou novamente em torno de 11 km/l. O consumo piora bastante na cidade e encontramos um posto em São Paulo cobrando quase R$ 10 pelo litro do Diesel S10.

GWM Haval H9 2.4 TD480
Foto: Sergio Quintanilha / Guia do Carro

Como vimos, o Haval H9 ganhou com méritos o Prêmio Trend Car 2025 na categoria SUV de 7 Lugares. Por óbvio, é um carro com características específicas e não serve para qualquer família. Digamos que ele cumpre o papel da tradição, pois o excesso de oscilação da carroceria, o alto preço do Diesel S10 e – principalmente – a alta emissão de CO2 não compensam o que ele oferece em status, conforto e presença. Mas, para quem precisa de um SUV raiz, é um carro excelente.

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