Bateria de carro elétrico dura mais que a do celular, confirma estudo com 20 mil veículos

Dados de telemetria mostram degradação média de apenas 2,3% ao ano; após 8 anos, componente mantém 80% da capacidade original

6 ago 2026 - 14h02

Um estudo global realizado pela Geotab, empresa especializada em telemetria, está ajudando a desmistificar um dos principais receios dos consumidores em relação aos carros elétricos: a durabilidade das baterias. A boa notícia é que o componente dos carros mostra resultados bem melhores do que a bateria dos celulares, que viciam rápido.

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A empresa acompanhou 22 mil veículos com a tecnologia, de 21 modelos diferentes, durante um longo período e descobriu que a degradação anual das baterias é, em média, de 2,3%. Na prática, isso significa que, mesmo após oito anos de uso, o componente ainda mantém cerca de 80% da capacidade original.

A degradação da bateria, porém, não significa que o veículo deixa de funcionar. Assim como acontece com celulares e outros dispositivos eletrônicos, as células perdem gradualmente parte da capacidade de armazenamento de energia ao longo dos anos, reduzindo a autonomia disponível.

De acordo com o estudo, os carros que realizavam recargas frequentes em corrente contínua acima de 100 kW chegavam a uma degradação de 3% da bateria ao ano. Esse índice é o dobro da degradação registrada em modelos que carregavam majoritariamente em corrente alternada ou em potências mais baixas.

A diferença ocorre porque a recarga rápida transfere uma grande quantidade de energia em pouco tempo, elevando a temperatura do conjunto e exigindo mais das células.

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Apesar de prático, carregamento rápido é o grande responsável pela degradação das baterias
Apesar de prático, carregamento rápido é o grande responsável pela degradação das baterias
Foto: Joédson Alves/Agência Brasil / Estadão

Como aumentar a duração da bateria dos carros elétricos

A recomendação, portanto, é utilizar recargas mais lentas no dia a dia e limitar o carregamento a cerca de 80% sempre que possível. Manter a bateria por longos períodos em níveis muito baixos ou muito altos também pode acelerar o desgaste.

Muitos modelos, inclusive, emitem alertas quando o carregamento chega aos 80%, indicando que esse é o nível recomendado para preservar a saúde da bateria.

Temperatura e uso também influenciam

A temperatura ambiente também aparece como um fator de risco. Em regiões onde o clima é mais quente, a degradação das baterias foi 0,4 ponto percentual maior do que em locais com temperaturas mais amenas.

Já o uso intenso do veículo apresentou impacto menor do que outros fatores analisados. O estudo da Geotab apontou uma diferença de apenas 0,8 ponto percentual entre carros utilizados em condições severas e moderadas.

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Estudos como o da Geotab podem ajudar a aumetar a confiança nos seminovos elétricos
Foto: Divulgação / Estadão

Para comparação, a própria Geotab destaca que fatores como recarga rápida frequente e exposição a temperaturas elevadas têm influência mais significativa na vida útil das baterias do que simplesmente a quantidade de quilômetros rodados.

Impacto no mercado de usados

No Brasil, dados como esses podem ajudar a aumentar a confiança dos consumidores no mercado de veículos elétricos usados. A preocupação com a substituição das baterias é uma das principais barreiras para compradores que avaliam adquirir modelos seminovos.

Além disso, a análise da saúde das baterias por meio de telemetria pode se tornar uma ferramenta importante para determinar o valor de revenda desses veículos, oferecendo mais transparência sobre as condições reais do componente.

Para os frotistas, a tecnologia também é uma aliada, ajudando a ampliar os ganhos operacionais, melhorar o planejamento e aumentar a previsibilidade dos custos de manutenção, além de auxiliar na realocação e substituição dos veículos.

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