Control Resonant é uma reinvenção ousada que leva a loucura da Remedy para Manhattan

Sequência expande o universo, transforma o combate e aposta em uma exploração muito mais ambiciosa

25 set 2026 - 14h46
Control Resonant é uma reinvenção ousada que leva a loucura da Remedy para Manhattan
Control Resonant é uma reinvenção ousada que leva a loucura da Remedy para Manhattan
Foto: Reprodução/Remedy

Quando a Remedy Entertainment lançou Control em 2019, o estúdio finlandês provou que sabia criar uma das atmosferas mais intrigantes e bem construídas da indústria. No entanto, o ritmo de tiro em terceira pessoa focado em telecinese e os corredores opressores e fechados da Oldest House deixavam claro que a franquia tinha potencial para ir muito além.

Com Control Resonant, a Remedy não apenas entrega uma sequência direta, mas assina uma verdadeira reinvenção. Ao tirar a trama dos escritórios federais da FBC e jogá-la no caos de uma Manhattan devastada por anomalias paranormais, o jogo abraça o RPG de ação em uma estrutura de mundo semiaberto, com uma escala muito maior, combate frenético e um visual psicodélico que parece saído de um delírio geométrico.

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Imagine juntar o combate frenético de Devil May Cry, a exploração de grandes áreas típica de jogos como Horizon Zero Dawn e a loucura visual dos filmes do Doutor Estranho. É mais ou menos nessa interseção que Control Resonant encontra sua identidade.

Confira a seguir nossa análise completa de um dos lançamentos mais ousados desta geração.

Uma nova perspectiva para Control

Control Resonant acontece depois dos acontecimentos do primeiro jogo (é recomendado que você já o tenha jogado) e coloca Dylan Faden, irmão da protagonista da aventura anterior, Jesse, no centro da história. Depois de passar anos em confinamento, ele finalmente volta à ação quando uma nova ameaça paranormal começa a transformar Manhattan, distorcendo a realidade ao redor da cidade.

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É uma situação perfeita para a Remedy continuar brincando com aquilo que sempre fez melhor: misturar ficção científica, terror, fenômenos paranormais e acontecimentos que parecem não fazer nenhum sentido. A diferença é que agora existe muito mais espaço para essa loucura acontecer. A Oldest House continua sendo importante, mas Manhattan assume o protagonismo.

Contudo, embora ofereça uma liberdade imensamente maior do que o Control original, Resonant passa longe de ser um mundo aberto tradicional — e essa escolha de design traz alguns tropeços perceptíveis durante a jogatina.

Um mapa que nem sempre ajuda

Chegar aos lugares em uma Manhattan toda distorcida pode ser bem difícil
Foto: Reprodução

Manhattan é dividida em grandes zonas, cada uma com identidade visual própria e diferentes atividades, missões e segredos. O jogador pode explorar essas áreas em diferentes momentos e voltar posteriormente para encontrar novos caminhos. É uma estrutura que lembra jogos de mundo aberto, mas com uma área de movimentação mais controlada.

Mas, se há algo que Control Resonant me fez perder a paciência algumas vezes, foi a navegação. O jogo até indica com clareza onde estão as missões principais e secundárias, mas saber onde está o objetivo não significa necessariamente saber como chegar até ele. Em diversas situações, passei mais tempo procurando uma entrada, uma porta ou uma passagem para alcançar determinado ponto do mapa do que propriamente cumprindo a missão.

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O problema fica ainda mais evidente quando a arquitetura de Manhattan começa a desafiar as leis da física. Com ruas, prédios e áreas que se cruzam em diferentes níveis, além das habilidades que permitem manipular a gravidade, o mapa 2D nem sempre consegue representar de maneira intuitiva o espaço tridimensional do jogo. É possível enxergar o marcador da missão e, mesmo assim, ficar dando voltas tentando descobrir qual caminho leva até ele.

É uma situação curiosa porque a própria exploração é uma das melhores características de Control Resonant. O problema não está em incentivar o jogador a explorar, mas em nem sempre oferecer ferramentas suficientemente boas para ajudá-lo a entender aquele espaço maluco e caótico.

Dylan é praticamente um super-herói

Dylan possui uma série de habilidades de fazer inveja aos super-heróis da Marvel e DC
Foto: Reprodução

Se Jesse já parecia uma Jedi poderosa no primeiro Control, Dylan leva essa ideia para outro nível. O protagonista possui uma série de habilidades paranaturais que tornam sua movimentação muito mais ágil e dinâmica, lembrando o ritmo de grandes jogos de super-heróis.

Ele pode saltar, planar, avançar rapidamente e utilizar habilidades que desafiam completamente as leis da física. Conforme a aventura avança, a movimentação fica ainda mais absurda, incluindo recursos que permitem desafiar a gravidade e atravessar superfícies verticais.

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Se você sentiu falta de uma exploração mais vertical e menos linear em Marvel's Wolverine, Dylan oferece justamente o oposto. Control Resonant permite explorar grandes áreas de Manhattan de maneira muito mais livre, usando os poderes do protagonista para alcançar lugares que inicialmente parecem inacessíveis.

E essa liberdade também transforma completamente o combate. A tradicional fórmula de tiro do primeiro Control dá lugar a um hack and slash estilizado e extremamente veloz, com uma dinâmica que lembra clássicos do gênero como Devil May Cry. Dylan pode alternar entre diferentes formas da Aberrante, sua arma de combate mutável, em tempo real durante os confrontos, criando sequências de ataques muito mais agressivas e acrobáticas.

A Aberrante funciona como um verdadeiro arsenal corpo a corpo. As Lâminas Duplas são rápidas e eficientes contra alvos individuais; o Martelo Gravitacional aposta em golpes pesados capazes de quebrar a postura dos inimigos e causar impacto em área; enquanto as Garras e a Foice oferecem alternativas para controlar grupos e dominar o espaço aéreo.

Combinar essas armas com os poderes de mobilidade urbana — como impulsos aéreos prolongados e a capacidade de correr pelas paredes dos arranha-céus — transforma cada confronto em um verdadeiro balé de destruição. Quando todas essas habilidades começam a funcionar em conjunto, Control Resonant encontra alguns de seus momentos mais divertidos e satisfatórios.

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Um pouco de RPG no meio da loucura

Dylan pode usar diferentes formas da sua arma, a Aberrante
Foto: Reprodução

A Remedy também decidiu colocar uma dose considerável de RPG na fórmula. Dylan possui árvores de habilidades, diferentes formas da Aberrante, armas secundárias, poderes sobrenaturais, finalizadores e diversas possibilidades de builds.

Quanto mais você entende as possibilidades de Dylan, mais o combate começa a ficar divertido. No começo, é fácil enxergar apenas um personagem batendo nos inimigos. Com o tempo, começam a surgir combinações entre movimentação, ataques, habilidades paranormais e finalizadores devastadores. É quando Resonant começa a mostrar sua verdadeira personalidade.

Por outro lado, são tantas ferramentas e possibilidades oferecidas ao jogador que nem sempre é possível aproveitar tudo o que o jogo coloca à disposição. Em determinados momentos, a quantidade de sistemas pode parecer maior do que a necessidade real de utilizá-los, especialmente quando algumas estratégias acabam se mostrando mais eficientes do que outras.

Se existe um aspecto em que Resonant realmente consegue impressionar, porém, é na quantidade de coisas que podem ser encontradas em uma exploração. Manhattan está repleta de pequenas histórias, caminhos alternativos, áreas escondidas e situações que podem ser completamente ignoradas ou descobertas por quem estiver disposto a investigar cada canto.

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E muitas das melhores experiências estão justamente nas missões secundárias. Elas conseguem alternar entre humor, estranheza e situações perturbadoras, mantendo aquela sensação de que sempre existe alguma coisa inexplicável esperando para ser descoberta.

Desafio elevado: Um teste de reflexos para os jogadores

Os monstruosos Resonantes lembram os Anjos do clássico anime Neon Genesis Evangelion
Foto: Reprodução

Outro elemento que me chamou bastante a atenção foi o nível de dificuldade. O jogo não chega a ser um Soulslike, mas existem trechos em que ele consegue ser surpreendentemente difícil — principalmente quando vários inimigos aparecem ao mesmo tempo ou quando um chefão resolve testar todos os recursos que Dylan aprendeu até aquele momento.

As batalhas podem ficar bastante caóticas. É comum enfrentar vários adversários simultaneamente, com ataques vindo de diferentes direções, enquanto a própria quantidade de efeitos na tela dificulta perceber exatamente de onde veio o golpe que arrancou boa parte da sua vida. O título não hesita em punir o jogador desatento, entregando batalhas que vão testar o limite da sua paciência e reflexos.

Os inimigos padrão atacam em maior volume e com agressividade elevada, exigindo que você domine a esquiva no tempo certo e alterne as formas da Aberrante constantemente para quebrar escudos, controlar grupos e manter o domínio do espaço.

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Inimigos atacam em grupos e podem ser bem desafiadores
Foto: Reprodução

Já os monstruosos Resonantes e alguns chefes de área funcionam como verdadeiros testes de habilidade. Algumas dessas criaturas também me fizeram lembrar os Anjos do clássico anime Neon Genesis Evangelion, especialmente pelas formas abstratas, pela aparência quase alienígena e pela sensação de estar diante de seres que parecem não obedecer às regras normais da realidade.

Eles possuem barras de vida generosas, padrões de ataque devastadores que tiram boa parte do seu HP em um único golpe e mecânicas que alteram a gravidade da arena no meio do confronto, multiplicando ainda mais o caos na tela. Em alguns casos, espere morrer algumas vezes até entender o padrão de ataques e descobrir a melhor estratégia — ou evolua Dylan e volte mais tarde para tentar novamente.

Para quem achar a aventura difícil demais e quiser apenas acompanhar a história, a Remedy manteve as opções de acessibilidade e personalização de dificuldade do título anterior, permitindo ajustar diversos parâmetros do combate. Isso inclui recursos bastante generosos para reduzir a dificuldade e até tornar Dylan praticamente invulnerável. Para quem optar pela experiência padrão, porém, é bom estar preparado: Resonant exige domínio das esquivas, posicionamento e habilidades, especialmente nos confrontos mais avançados.

Gráficos e visuais abaixo do esperado

Apesar do design artístico criativo, Resonant não chega a impressionar visualmente
Foto: Reprodução

Visualmente, Control Resonant é um jogo irregular. A direção de arte continua sendo um dos grandes trunfos da Remedy, especialmente quando a realidade começa a se distorcer e Manhattan ganha aquele aspecto surreal que já era uma das marcas da franquia. Mas, olhando especificamente para a qualidade gráfica, o jogo está longe de representar o mesmo salto que Alan Wake 2 apresentou.

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Isso fica ainda mais evidente nos personagens. Os modelos e as animações de Dylan não possuem o mesmo nível de acabamento visto em Alan Wake 2, e algumas cenas também apresentam ambientes e elementos com menos detalhes do que seria esperado de um título desse porte.

É importante lembrar que Alan Wake 2 possui uma estrutura mais linear, o que permite concentrar recursos em cenários e sequências específicas. Ainda assim, existem outros exemplos de jogos de grande escala, como Horizon Forbidden West, Ghost of Yotei, Death Stranding 2 e Crimson Desert que mostram como mundos amplos também podem alcançar um nível visual impressionante.

No PlayStation 5, versão em que joguei o game, a Remedy oferece dois modos principais: Desempenho, com alvo de 60 fps e resolução de 1440p, e Qualidade, com alvo de 30 fps e 2160p. No PS5 Pro, existe ainda um modo Desempenho com alvo de 40 fps em 2160p, além de opções com ray tracing. Para um jogo tão baseado em movimentação rápida e combate corpo a corpo, o modo de desempenho acaba sendo particularmente interessante.

Game possui excelentes dublagens em inglês e português
Foto: Reprodução

Por fim, um aspecto que merece todos os elogios em Control Resonant é a excelente localização para o português do Brasil. O jogo conta com interface, legendas e dublagem em nosso idioma, o que representa um avanço importante para uma produção tão carregada de termos técnicos, conceitos paranormais, documentos e diálogos.

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Além da excelente dublagem em inglês, a versão brasileira também funciona muito bem dentro da proposta do jogo, ajudando a transmitir o drama, o mistério e até os momentos mais estranhos da história. E isso faz diferença em uma aventura na qual boa parte da narrativa está espalhada por diálogos, arquivos, documentos e informações encontradas durante a exploração. Poder acompanhar tudo em português torna a experiência mais acessível e ajuda o jogador a mergulhar ainda mais nesse universo completamente fora da realidade.

Considerações

Control Resonant - Nota 8,5
Foto: Divulgação / Game On

Control Resonant é uma sequência que poderia simplesmente ter repetido a fórmula do primeiro jogo. Felizmente, a Remedy decidiu fazer o contrário. Ela pegou o universo de Control, mudou o protagonista, expandiu o cenário, transformou o combate, adicionou elementos de RPG e criou uma Manhattan onde as leis da realidade parecem ter pedido demissão.

Mas apesar de muito satisfatório e ambicioso, o resultado não é perfeito. O combate corpo a corpo pode ficar repetitivo, os gráficos e visuais estão longe de impressionar no nível que o estúdio já demonstrou ser capaz e a curva de dificuldade acentuada, combinada à poluição visual nas lutas mais intensas, podem assustar jogadores sem muita paciência ou reflexos mais afiados.

Contudo, quando todas as engrenagens funcionam juntas, Control Resonant entrega exatamente aquilo que se espera de um jogo da Remedy: uma experiência estranha, estilosa e difícil de comparar com qualquer outra coisa no mercado. E, apesar de suas imperfeições, essa combinação de loucura, exploração e combate já é motivo suficiente para dar uma chance ao game.

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Control Resonant está disponível para PC, PlayStation 5 e Xbox Series.

Esta análise foi feita no PlayStation 5, com uma cópia do jogo gentilmente cedida pela Remedy Entertainment.

Fonte: Game On
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