The Walking Dead: Streets of Survival resgata a nostalgia dos beat’em up clássicos

Aventura coloca Rick, Daryl e Michonne contra hordas de caminhantes em uma experiência nostálgica, mas com algumas limitações

22 set 2026 - 14h41
The Walking Dead: Streets of Survival resgata a nostalgia dos beat’em up clássicos
The Walking Dead: Streets of Survival resgata a nostalgia dos beat’em up clássicos
Foto: Reprodução/Trailmark Games

Lançado pela Trailmark Games e desenvolvido pela Odaclick Game Studio, The Walking Dead: Streets of Survival traz uma proposta inusitada para a famosa franquia de zumbis: olhar para o passado e resgatar a estrutura dos clássicos beat’em up 2D dos anos 90.

O resultado é uma experiência curta e estilosa que diverte os fãs do universo da série de televisão e quadrinhos, embora enfrente alguns tropeços de ritmo e repetição pelo caminho. Confira a seguir aqui no Terra Game On o que achamos dessa nova empreitada de Rick, Daryl e Michonne.

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Sangue, katana e nostalgia arcade

Em termos de enredo, o game decide focar em um dos arcos mais marcantes da série de TV: a All Out War (Guerra Total), centrado em Negan e nos Salvadores. O jogador assume o controle de Rick Grimes, Daryl Dixon e Michonne — com Negan liberado mais adiante — enquanto percorre locais icônicos como Alexandria, Hilltop e o Santuário.

A narrativa é contada principalmente por caixas de texto acompanhadas de ilustrações em estilo HQ e pixel art. Não espere a profundidade emocional dos jogos da Telltale; aqui, a história funciona mais como pano de fundo para colocar hordas de caminhantes e os capangas dos Salvadores na mira do seu revólver, besta ou katana.

Rick, Daryl e Michonne possuem estilos bem diferentes. Michonne é mais rápida e eficiente no combate corpo a corpo, graças à sua katana. Rick compensa sua menor eficiência física com maior poder de fogo, enquanto Daryl ocupa uma posição intermediária, combinando sua tradicional besta com facas de combate.

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Depois de concluir a campanha, Negan também é desbloqueado, permitindo revisitar as missões com o líder dos Salvadores.

É uma recompensa interessante, principalmente porque cada personagem conta com sua própria árvore de habilidades, permitindo desbloquear novos recursos e aprimorar suas características ao longo da aventura.

A dança da sobrevivência: combate e mecânicas

Chefes como o walker Winslow trazem variedade no gameplay de Streets of Survival
Foto: Reprodução

Ao contrário dos beat ’em ups tradicionais, focados quase exclusivamente no combate corpo a corpo — como Streets of Rage —, Streets of Survival também aposta no uso de armas de fogo e em tiroteios com cobertura, mas com munição limitada.

Enfrentar hordas de zumbis e Salvadores armados exige alternar entre esquivas, cobertura, tiroteios e combates de curta distância. Entre uma onda e outra de inimigos, há pequenas tarefas de exploração espalhadas pelo cenário, como encontrar coletáveis e cumprir objetivos secundários. Uma árvore de habilidades simples também permite aprimorar atributos como vida, dano e tempo de cura.

A mistura entre os dois tipos de ameaça funciona bem. Enquanto os zumbis são mais lentos e tentam cercar o jogador em grande número, os humanos armados atacam à distância e obrigam a adotar uma abordagem mais estratégica. Os confrontos contra chefes emblemáticos, como o walker Winslow e o vilão Simon, acrescentam batalhas com padrões próprios e ajudam a quebrar a repetição dos combates convencionais.

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Outro ponto positivo para o público brasileiro é a presença de legendas em português do Brasil, facilitando o acompanhamento da narrativa e dos objetivos.

Onde o jogo tropeça

É possível jogar como Rick, Daryl, Michonne e Negan
Foto: Reprodução

Apesar das boas intenções e do forte apelo nostálgico, Streets of Survival sofre com alguns problemas estruturais de design e não apresenta a mesma precisão dos grandes representantes do gênero.

Existem momentos em que as hitboxes parecem pouco confiáveis, principalmente quando vários inimigos ocupam a tela simultaneamente. Também há situações em que adversários conseguem atacar de posições que não ficam completamente claras para o jogador, tornando alguns confrontos mais frustrantes do que desafiadores.

Além disso, a campanha dura apenas cerca de 3 a 4 horas, distribuídas por 12 estágios, e acaba rápido demais. A mecânica de combate, embora responsiva, possui um leque relativamente restrito de combos, enquanto a ausência de ataques específicos contra inimigos caídos no chão também traz certa rigidez ao ritmo das lutas.

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Mas talvez a maior oportunidade perdida esteja na ausência de um modo cooperativo, seja local ou online. Em um gênero historicamente associado à experiência de jogar acompanhado, a falta desse recurso pesa ainda mais em um beat ’em up lançado em 2026.

É difícil não imaginar como seria divertido enfrentar as hordas de caminhantes ao lado de outro jogador controlando Rick, Daryl, Michonne ou Negan.

Considerações

The Walking Dead: Streets of Survival - Nota 7,5
Foto: Divulgação / Game On

The Walking Dead: Streets of Survival é uma grata surpresa para quem busca uma jogatina descompromissada e sente saudade da era de ouro da série de televisão. O game entrega a satisfação de fuzilar Salvadores e decapitar zumbis com a katana de Michonne, enquanto aposta em ideias interessantes, como o uso de coberturas em cenários 2D.

No entanto, a curta duração, a repetição e principalmente a ausência de um modo cooperativo impedem o título de alcançar todo o seu potencial dentro do gênero. Ainda assim, é uma opção divertida para os fãs da franquia, especialmente em uma boa promoção, ou para quem quer passar algumas horas revivendo os personagens e a atmosfera de The Walking Dead em uma aventura com sabor de nostalgia arcade.

The Walking Dead: Streets of Survival está disponível para PC, PlayStation 5, Switch, Switch 2 e Xbox Series X|S.

Esta análise foi feita no PlayStation 5, com uma cópia do jogo gentilmente cedida pela Trailmark Games.

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Fonte: Game On
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