Just Dance é uma daquelas franquias anuais que sempre deixam a dúvida sobre como serão as coreografias da vez e quais músicas estarão disponíveis no catálogo. Depois de tantos lançamentos seguidos mantendo a mesma base, também fica aquela curiosidade para saber se o novo jogo vai tentar algo diferente na prática ou apenas atualizar a lista de faixas para animar as festas.
Nesse cenário, Just Dance Decades of Hits chega com a proposta de celebrar diferentes fases da história da música para dar uma cara própria à edição deste ano. Depois de algumas horas na pista, dá para notar que a Ubisoft tentou trazer um fôlego novo para a fórmula tradicional, mesmo que a estrutura geral ainda insista em alguns costumes antigos da série.
Os anos de ouro da música
Em vez de entregar mais do mesmo que vemos nos Just Dance anteriores, Decades of Hits traz como novidade um modo aventura com uma narrativa bem simples, mas funcional para o que se propõe por conta do nome do jogo. A história desse modo gira em torno de Lyra, filha de um inventor conhecido como Dr. Gigavolt, que acaba sendo puxado para o passado por uma de suas próprias invenções.
Assim que descobre o acidente, a jovem parte na missão de trazer o pai de volta para os dias atuais, já que a máquina o mandou para os anos 70 e várias outras décadas. O único jeito de Lyra conseguir fazer isso é coletando fragmentos de areia que servem justamente para avançar no tempo, além de resolver tudo na base da dança.
Esse modo aventura é uma adição bastante divertida pelo que propõe, mesmo que a história em si seja bem qualquer coisa e sirva mais como uma justificativa para passarmos por diferentes eras da música. Além de funcionar bem para descobrir novas faixas e dançá-las, o modo traz vários quizzes sobre curiosidades de cada ano, incluindo as roupas usadas na época, os sucessos do momento e outras perguntas bastante criativas. Em algumas delas, dá até para notar certas pegadinhas feitas para fazer o jogador errar de propósito.
Claro que Just Dance não se resume apenas ao novo modo aventura, já que o título deste ano funciona como uma comemoração aos hits de diferentes épocas. O repertório conta com 35 músicas bem variadas que vão desde os anos 70 até a década de 2020, com direito a ABC do Jackson 5, Wannabe das Spice Girls, Bye Bye Bye do NSYNC e até mesmo NUEVAYOL do Bad Bunny.
Boa parte das faixas que vieram neste ano são bem divertidas de dançar, principalmente aquelas pensadas para mais de um personagem na tela. Mesmo assim, a sensação que fica com o tempo é a de que assinar o Just Dance Now acaba sendo quase obrigatório. Essa assinatura à parte reúne músicas dos jogos anteriores e oferece uma variedade muito maior, deixando impossível enjoar do catálogo por passar a impressão de que não dá para dançar todas elas.
Outro ponto que continua estranho é o próprio menu do jogo. Ele ainda mantém aquele formato de hub que parece mais um serviço de streaming do que um jogo de verdade. Achar qualquer opção ali dentro vira uma dificuldade que não precisava existir, como encontrar o próprio modo aventura ou customizar o avatar.
O grande elefante na sala é, mais uma vez, a questão de como é possível jogar o título. Você fica limitado a usar o celular na mão para registrar apenas os braços ou, caso queira quebrar a cabeça até achar uma posição boa que pegue o corpo todo, usar a câmera do aparelho para captar os movimentos.
Fora essa questão dos controles, as coreografias deste ano estão muito boas, principalmente nas músicas mais antigas, por conta dos cenários criados para elas. O problema é que jogar apenas com o movimento das mãos pelo celular faz parecer que ficou ainda mais difícil conseguir uma nota de 5 estrelas, já que o jogo não capta as pernas e acaba deixando alguns pontos de fora.
Mesmo com esse detalhe, não tive nenhum problema de conexão durante as horas em que joguei, bastando ler um QR Code ou digitar o código na tela para conectar. Também aproveitei bastante o contador de calorias que o jogo traz, mostrando que ele continua sendo uma boa alternativa para quem não quer ir à academia em um dia de chuva ou apenas prefere juntar a galera para jogar algo diferente.
Considerações
No fim das contas, Just Dance Decades of Hits entrega boas horas de diversão, seja para juntar os amigos na sala ou apenas para queimar algumas calorias em casa. Viajar no tempo com a Lyra no novo modo aventura e responder aos quizzes de cada década dá um fôlego legal para quem joga sozinho, enquanto as 35 músicas do repertório principal se destacam pelas coreografias criativas e pelos cenários bem trabalhados.
Por outro lado, a insistência naquele menu bagunçado, com cara de plataforma de streaming, e a falta de alternativas melhores ao uso do celular ainda incomodam na hora de jogar. Somando isso à sensação de que a assinatura à parte faz falta para o catálogo não cansar rápido, o título mostra que continua ótimo na hora da dança, mas ainda precisa corrigir decisões antigas que atrapalham o pacote completo.
Just Dance: Decades of Hits está disponível para PlayStation 5, Switch, Switch 2 e Xbox Series.
Esta análise foi feita no Xbox Series, com uma cópia do jogo gentilmente cedida pela Ubisoft.