Final Fantasy Resonance resgata a era de ouro dos RPGs

Com visual HD-2D caprichado, história envolvente e combates por turnos, novo RPG da Square Enix celebra o passado da franquia

20 out 2026 - 10h00
(atualizado às 10h04)
Final Fantasy Resonance resgata a magia dos RPGs clássicos
Final Fantasy Resonance resgata a magia dos RPGs clássicos
Foto: Reprodução/Square Enix

A franquia Final Fantasy construiu sua identidade ao longo de décadas com mundos fantásticos, personagens marcantes, cristais misteriosos e jornadas capazes de emocionar os jogadores. Com Final Fantasy Resonance, a Square Enix e o estúdio Lancarse encontraram uma maneira de revisitar essa herança sem ficar presa ao passado.

O RPG combina mecânicas tradicionais com a estética HD-2D, estilo que conquistou espaço no catálogo da empresa com jogos como Octopath Traveler, Dragon Quest e mais recentemente com o excelente The Adventures of Elliot. O resultado é uma aventura que entende a importância de suas raízes e encontra nelas a inspiração para construir uma experiência sem parecer datada.

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Confira a seguir, aqui no Terra Game On, nossa análise de Final Fantasy Resonance.

O resgate de uma boa história clássica

Inspirado no primeiro arco narrativo do antigo jogo mobile Final Fantasy Brave Exvius, lançado em 2015, Resonance foi reconstruído como um RPG completo para consoles e PC. A nova versão deixa de lado as mecânicas gacha e as microtransações do jogo original para oferecer uma aventura estruturada em uma campanha robusta de 30 a 40 horas de duração - podendo ser maior com as missões e atividades secundárias.

A trama acompanha os cavaleiros Rain e Lasswell ao lado da misteriosa Fina em uma jornada pelo reino de Grandshelt para proteger os Cristais Mágicos e deter um grande vilão chamado Veritas das Trevas. Embora a premissa seja o clássico "grupo de heróis salvando o mundo", a dinâmica entre os personagens é carismática, apoiada por uma direção cinematográfica surpreendente para um jogo em pixel art.

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Gostei bastante da história e dos personagens, e o desenvolvimento da jornada foi um dos fatores que me mantiveram interessado mesmo depois de tantas horas de jogo.

Um mundo que parece saído da era de ouro dos RPGs

Outro aspecto que chama a atenção em Final Fantasy Resonance é sua apresentação visual. A Square Enix já demonstrou em outros projetos que o HD-2D é muito mais do que uma maneira de reproduzir gráficos antigos, e o novo RPG reforça essa impressão.

A combinação de personagens em pixel art com cenários tridimensionais, efeitos de iluminação e movimentos de câmera cria um mundo que preserva o charme dos RPGs clássicos sem parecer preso às limitações técnicas daquela época.

O resultado é especialmente interessante para quem cresceu acompanhando a evolução dos jogos da franquia. Há uma familiaridade imediata na maneira como os personagens percorrem cidades, exploram ambientes - seja a pé, de Chocobo ou a bordo de aeronaves - e enfrentam inimigos, mas tudo comum tratamento visual mais contemporâneo.

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A belíssima direção de arte também ajuda a dar personalidade à aventura. Mesmo com uma apresentação inspirada nos RPGs antigos, o jogo consegue criar cenas visualmente expressivas, reforçando a atmosfera de fantasia que acompanha a série desde seus primeiros capítulos.

Combate cadenciado, tático e gratificante

O sistema de batalha é por turnos com um grupo com quatro personagens
Foto: Reprodução

O grande trunfo de Resonance está no sistema de batalhas por turnos, que permite formar equipes de quatro personagens a partir de um elenco variado, além de introduzir mecânicas táticas que modernizam a fórmula tradicional.

O sistema permite pensar nas ações de cada integrante antes de executá-las, em vez de depender exclusivamente de reflexos rápidos ou de combates em tempo real. É uma abordagem que combina com a proposta de resgatar a essência clássica de Final Fantasy.

Uma das mecânicas de destaque é a possibilidade de equipar Visions, manifestações de heróis lendários da franquia, como Cloud, Squall, Terra, Zidane, entre outros. Além de conceder bônus de atributos e habilidades passivas, essas manifestações podem ser invocadas para auxiliar temporariamente a equipe em combate. A presença desses personagens também reforça a conexão entre Resonance e a história da série, oferecendo referências que devem agradar especialmente aos fãs veteranos.

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Cada inimigo possui uma barra de postura abaixo da barra de vida. Explorar suas fraquezas elementais ou de armas reduz essa barra até provocar um atordoamento (o famoso Stagger), abrindo uma oportunidade para causar danos elevados. A mecânica incentiva o jogador a observar os adversários e escolher as ações mais eficientes em cada confronto.

Além disso, o uso coordenado das capacidades da equipe permite desencadear ataques combinados poderosos. Esses movimentos acrescentam uma camada de estratégia aos confrontos e proporcionam momentos de espetáculo durante as batalhas mais intensas.

Todo esse conjunto de batalha funciona bem porque mantém a essência dos combates por turnos, mas oferece ferramentas suficientes para que as lutas não se resumam a repetir os mesmos comandos. É uma fórmula familiar, com novidades que ajudam a manter o interesse ao longo da aventura.

Trilha sonora de arrepiar

O queridinho Cloud Strife é uma das Visions disponíveis que ajudam nas batalhas
Foto: Reprodução

Como não poderia deixar de ser em um Final Fantasy, a parte sonora também merece destaque. A trilha combina novas composições com referências musicais que remetem à longa história da franquia, reforçando a conexão entre o passado e o presente.

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A tradicional fanfarra de vitória após os combates é um exemplo simples, mas eficiente, de como pequenos elementos ajudam a preservar a identidade da série. Para os fãs de longa data, são detalhes que despertam familiaridade e tornam a experiência ainda mais especial.

Outro destaque são as excelentes dublagens em inglês e japonês, que dão personalidade aos personagens e ajudam a transmitir as emoções dos diálogos. A qualidade das interpretações reforça o envolvimento com a história e complementa a apresentação cinematográfica do RPG, tornando os momentos mais importantes da jornada ainda mais marcantes.

A falta de português é uma oportunidade perdida

Infelizmente o jogo não possui nenhuma localização para o português
Foto: Reprodução

Nem tudo, porém, funciona tão bem para o público brasileiro. O principal ponto negativo que encontrei é a ausência de localização para o português.

Em um RPG com uma narrativa importante, diálogos frequentes e personagens que sustentam boa parte da experiência, não oferecer tradução dos textos para o nosso idioma é uma limitação considerável.

Uma tradução para o português brasileiro ajudaria a tornar a experiência mais acessível e permitiria que mais jogadores acompanhassem a história sem depender de conhecimentos em outros idiomas.

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É uma ausência que não compromete os méritos do jogo como RPG, mas representa uma oportunidade perdida pela Square Enix no mercado brasileiro.

Considerações

Final Fantasy Resonance - Nota 9
Foto: Divulgação / Game On

Final Fantasy Resonance é uma resposta convincente para quem sentia falta de um RPG por turnos com alma clássica, mas com um acabamento moderno. O jogo reúne uma apresentação visual caprichada, combates estratégicos, referências tradicionais da franquia e uma história que consegue prender a atenção do jogador.

Para quem procura um RPG com dezenas de horas de conteúdo, batalhas táticas e uma jornada que recupera o espírito dos capítulos clássicos da série, Final Fantasy Resonance merece atenção.

É um lembrete de que a fórmula tradicional dos RPGs das eras 8 e 16 bits ainda tem muito a oferecer quando acompanhada de boas ideias e de uma apresentação à altura.

Final Fantasy Resonance será lançado em 22 de outubro para PC, PlayStation 5, Switch, Switch 2 e Xbox Series.

Esta análise foi feita no PlayStation 5, com uma cópia do jogo gentilmente cedida pela Square Enix.

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Fonte: Game On
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