Script = https://s1.trrsf.com/update-1786557910/fe/zaz-ui-t360/_js/transition.min.js
PUBLICIDADE
Publicidade

Marvel’s Wolverine é brutal e tem identidade própria

Insomniac abandona o mundo aberto para entregar uma aventura mais brutal, direta e focada na personalidade do mutante

10 set 2026 - 11h58
Compartilhar
Exibir comentários
Marvel’s Wolverine é brutal e tem identidade própria
Marvel’s Wolverine é brutal e tem identidade própria
Foto: Reprodução/Sony

Quando Marvel’s Wolverine foi anunciado em 2021, a expectativa era inevitável. Afinal, depois de transformar o Homem-Aranha em um dos grandes personagens dos games modernos, a Insomniac Games decidiu colocar as mãos em outro dos maiores ícones da Marvel.

Mas havia uma pergunta importante: como criar um jogo de Wolverine sem simplesmente repetir a fórmula de Marvel’s Spider-Man?

A resposta do estúdio veio na forma de uma experiência brutal, pesada e madura. O resultado é um jogo de ação visceral que se afasta do mundo aberto do "amigão da vizinhança" para apostar em uma narrativa focada e sem pudores na violência.

Confira a seguir, aqui no Terra Game On, o que esperar de um jogo que tem tudo para agradar aos fãs de Wolverine e de experiências de ação mais brutais.

Wolverine não é um Homem-Aranha com garras

Uma das preocupações dos fãs era que Marvel’s Wolverine fosse simplesmente uma adaptação da fórmula de Marvel’s Spider-Man, mas com garras no lugar das teias. Isso não acontece. A Insomniac entendeu que o mutante precisava ter uma identidade própria — e o combate é justamente onde essa diferença fica mais evidente.

Enquanto Peter Parker utiliza velocidade, acrobacias e suas teias para dominar grandes grupos de inimigos, Logan é muito mais direto. Ele corre, avança contra os adversários, recebe golpes, se recupera e responde com suas garras. O resultado é um combate mais pesado e agressivo.

É possível alternar rapidamente entre ataques com as garras, golpes corpo a corpo, esquivas, contra-ataques e habilidades especiais. Existe ainda um sistema de parry, que permite aparar ataques no momento certo com o botão L1, além de uma barra de Fúria que incentiva o jogador a permanecer agressivo durante os confrontos.

E a violência não é apenas um detalhe visual. Marvel’s Wolverine abraça uma representação muito mais brutal do personagem. Inimigos podem ser cortados, perfurados e desmembrados, enquanto as finalizações exploram justamente aquilo que diferencia Logan de outros heróis da Marvel.

É uma escolha que combina perfeitamente com o personagem e ajuda a estabelecer uma identidade própria para o jogo.

Combate satisfatório, mas com menor variedade

Marvel’s Wolverine entrega um sistema de combate competente, rápido e extremamente satisfatório quando tudo funciona em conjunto.
Marvel’s Wolverine entrega um sistema de combate competente, rápido e extremamente satisfatório quando tudo funciona em conjunto.
Foto: Reprodução

Um dos grandes trunfos de Marvel’s Spider-Man é a enorme variedade de possibilidades durante os combates. A fórmula de Wolverine, naturalmente, é mais limitada. Peter Parker conta com diferentes tipos de teia, dispositivos eletrônicos, movimentação vertical e uma grande variedade de habilidades. Logan possui suas garras, força, regeneração e diferentes técnicas de combate — e nada de firulas ou acrobacias complexas. São estilos completamente diferentes.

Marvel’s Wolverine entrega um sistema de combate competente, rápido e extremamente satisfatório quando tudo funciona em conjunto. O mutante tem peso suficiente para transmitir a sensação de força, mas também é ágil o bastante para que os confrontos nunca se tornem excessivamente lentos.

Ao longo da campanha, é possível desbloquear novos golpes e Técnicas Especiais, como o Giro Tornado e o Golpe Espiral. No entanto, não espere a mesma profundidade técnica ou variedade de combos vista nos jogos do teioso. E isso não chega a ser um problema. A proposta aqui é outra, e o que o jogo entrega é mais do que suficiente para sustentar a aventura.

Estrutura linear e narrativa focada

A aventura possui áreas mais lineares, mas existem momentos que permitem explorar os cenários, encontrar caminhos alternativos e investigar determinados locais.
A aventura possui áreas mais lineares, mas existem momentos que permitem explorar os cenários, encontrar caminhos alternativos e investigar determinados locais.
Foto: Reprodução

Outra diferença importante em relação aos jogos do Homem-Aranha está justamente na estrutura. Marvel’s Wolverine não foi construído como um grande mundo aberto. A aventura possui áreas mais lineares, mas existem momentos que permitem explorar os cenários, encontrar caminhos alternativos e investigar determinados locais.

Depois de dois grandes jogos do Aranha — três se contarmos Marvel’s Spider-Man: Miles Morales — seria fácil imaginar a Insomniac simplesmente repetindo a fórmula: um enorme mapa aberto, dezenas de atividades secundárias e uma lista de tarefas espalhadas pela cidade. Wolverine não precisa disso.

O personagem funciona melhor em uma aventura mais concentrada, na qual a narrativa consegue controlar o ritmo e alternar momentos de combate, exploração, furtividade e desenvolvimento dos personagens.

A campanha, que dura cerca de 20 horas, é ambientada na Terra-1048 (o mesmo universo dos jogos do Homem-Aranha - e não, não temos uma participação surpresa do teioso). A trama se passa antes da formação dos X-Men e mostra um Logan amnésico reencontrando a Equipe X — ao lado de Mística e Dentes de Sabre —, sob a liderança de Nathaniel Essex, um homem que afirma lutar por um mundo melhor para os mutantes.

Ao mesmo tempo em que apresenta uma história totalmente original, o jogo está recheado de referências à trajetória de Wolverine nos quadrinhos, filmes e outras mídias. Em termos de narrativa, o jogo consegue prender nossa atenção do início ao fim com uma atmosfera cinematográfica — um setor que a Insomniac domina muito bem.

Sua missão é a de investigar o sequestro de mutantes pelo bilionário industrial Bolivar Trask e sua milícia privada ciberneticamente aprimorada, os Reavers — ou Carniceiros, como são conhecidos no Brasil. Além deles, o jogador encontrará no caminho vilões de peso, como Ômega Vermelho, os Sentinelas, o Tentáculo e Lady Deathstrike, mais conhecida como Lady Letal por aqui.

E como já divulgado nos trailers, Jean Grey também possui uma participação importante e se torna uma das principais aliadas de Wolverine durante a aventura. E vale lembrar: os dois ainda não são o Wolverine e a Jean dos X-Men que o público conhece tão bem.

Um espetáculo visual digno de Wolverine

O jogo consegue extrair bastante do hardware do PlayStation 5, principalmente na construção dos cenários e na variedade de ambientes.
O jogo consegue extrair bastante do hardware do PlayStation 5, principalmente na construção dos cenários e na variedade de ambientes.
Foto: Reprodução

Visualmente, Marvel’s Wolverine é um trabalho caprichado da Insomniac Games. O estúdio consegue extrair bastante do hardware do PlayStation 5, principalmente na construção dos cenários e na variedade de ambientes.

Canadá, Japão e a fictícia Madripoor possuem identidades visuais muito distintas, e cada região ajuda a criar uma atmosfera própria para os diferentes momentos da aventura. Florestas geladas, paisagens urbanas, templos japoneses e locais tomados pelo caos mostram uma preocupação maior com ambientação do que simplesmente criar cenários bonitos.

O jogo também aproveita os recursos do PS5 para tornar a experiência mais imersiva. Desenvolvido no motor proprietário da Insomniac, Marvel’s Wolverine utiliza o SSD para praticamente eliminar longas telas de carregamento, enquanto o áudio 3D ajuda a posicionar sons e inimigos no ambiente.

O DualSense também é utilizado de maneira bastante competente, com feedback tátil e gatilhos adaptáveis reforçando golpes, movimentos e diferentes situações durante a aventura. Mesmo priorizando qualidade visual no modo Fidelidade, a experiência se mantém estável a 30 quadros por segundo, garantindo uma apresentação consistente durante a campanha.

A fera convence, mas o homem por trás dela divide

Jean Grey é uma aliada importante na aventura de Wolverine.
Jean Grey é uma aliada importante na aventura de Wolverine.
Foto: Reprodução

Marvel’s Wolverine acerta em cheio quando deixa o jogador assumir o controle do mutante. Cada golpe, esquiva e finalização reforça a sensação de estar diante de uma máquina de matar praticamente indestrutível. Logan corre para cima dos inimigos, atravessa grupos inteiros e se recupera de ferimentos que matariam qualquer outro personagem. É a fantasia de poder que se espera de um jogo protagonizado por Wolverine.

A história, porém, tenta mostrar o que existe por trás dessa máquina de matar. O jogo acompanha um Logan que ainda está tentando entender o próprio passado e lidar com as consequências de uma vida de mais de dois séculos. É nesse ponto que a caracterização do personagem pode dividir opiniões.

A versão apresentada pela Insomniac é muito mais aberta e suave emocionalmente do que aquela a que estamos acostumados. Nas conversas com Jean, Mística e Dentes de Sabre, Logan demonstra seus sentimentos com bastante facilidade e, em determinados momentos, parece muito mais fragilizado do que o personagem áspero que normalmente conhecemos.

O problema não está em mostrar um Wolverine vulnerável. Essa é, justamente, uma das características mais interessantes do personagem: por trás das garras, da raiva e da regeneração existe alguém marcado por perdas, culpa e memórias que preferia esquecer.

A questão é que Marvel’s Wolverine às vezes exagera nessa humanização. O personagem passa tanto tempo demonstrando suas fragilidades que algumas cenas acabam deixando de transmitir a personalidade mais ríspida, sarcástica e impulsiva que ajudou a definir Wolverine ao longo de sua história.

É um contraste curioso: o jogo encontra um Wolverine brutal praticamente perfeito quando o jogador assume o controle, mas apresenta um Logan com cara de chorão que nem sempre convence quando precisa simplesmente conversar.

Rostos com harmonizações

O visual de Logan, e outros personagens, nem sempre convence na tela.
O visual de Logan, e outros personagens, nem sempre convence na tela.
Foto: Reprodução

Outro ponto que pode dividir opiniões é o visual de Logan, modelado com base no ator australiano Liam McIntyre, mais conhecido por estrelar a ótima série Spartacus.

McIntyre é um excelente ator, mas o resultado em Wolverine nem sempre transmite a imagem mais bruta e calejada que tradicionalmente associamos ao mutante. Logan deveria carregar no rosto as marcas de alguém que passou décadas apanhando, lutando e sobrevivendo — e, em alguns momentos, sua aparência parece polida demais para esse papel.

Curiosamente, o próprio elenco de Spartacus oferece uma alternativa mais interessante. Manu Bennett, que interpretou Crixus na série, possui uma fisionomia mais pesada e uma presença naturalmente mais agressiva, características que poderiam combinar melhor com a versão mais selvagem de Logan.

E o problema não parece estar restrito ao protagonista. Outros personagens conhecidos, como Mística, Jean Grey, Lady Deathstrike e Dentes de Sabre, também apresentam feições que podem causar estranhamento. Em vez de simplesmente transportar para o jogo rostos reconhecíveis dos quadrinhos e do cinema, algumas escolhas de modelagem parecem ter passado por uma espécie de “harmonização digital” que deixou os personagens com uma aparência excessivamente refinada ou pouco natural.

Omega Red é um dos primeiros grandes vilões a aparecer no game.
Omega Red é um dos primeiros grandes vilões a aparecer no game.
Foto: Reprodução

É claro que essa é uma questão subjetiva. Ainda assim, quando falamos de personagens tão conhecidos, o rosto tem um papel importante na construção da personalidade. Pequenas diferenças podem alterar completamente a maneira como enxergamos alguém que, há décadas, já possui uma identidade visual muito bem estabelecida.

E não é de hoje que a Insomniac enfrenta críticas relacionadas ao design facial de seus personagens. Marvel’s Spider-Man, por exemplo, também passou por mudanças nos rostos de alguns personagens que dividiram opiniões entre os fãs. Isso mostra que a questão vai além de uma escolha pontual para Wolverine e envolve uma característica recorrente na representação de personagens humanos do estúdio.

Nesse aspecto, a Insomniac poderia tomar como referência trabalhos como os da Sandfall Interactive, em Clair Obscur: Expedition 33, e da Kojima Productions, em Death Stranding 2: On the Beach. Os dois jogos apresentam personagens com feições extremamente detalhadas e convincentes, capazes de transmitir personalidade e emoções de maneira impressionante.

Não se trata necessariamente de buscar realismo absoluto, mas de encontrar um equilíbrio entre a identidade visual do personagem, suas características físicas e a expressividade necessária para fazê-lo parecer vivo.

Localização em português de altíssimo nível

O jogo recebeu localização completa em português brasileiro e não economizou nos palavrões e gírias.
O jogo recebeu localização completa em português brasileiro e não economizou nos palavrões e gírias.
Foto: Reprodução

No Brasil, o trabalho de dublagem e adaptação merece destaque. O jogo recebeu localização completa em português brasileiro e não economizou nos palavrões e gírias — essenciais para o tom da obra envolvendo Wolverine. Termos como “xará”, “nanico” e “goró” recheiam os diálogos com a mesma naturalidade que aparecem nos quadrinhos ou animações.

O elenco de dublagem também está de parabéns, com ótimas performances ao longo da campanha. O destaque fica para Arthur Machado, que retorna ao personagem depois de interpretá-lo em Marvel Tokon: Fighting Souls. É um trabalho que demonstra um cuidado especial com a adaptação e ajuda a tornar a experiência ainda mais natural para o público brasileiro.

O único porém está na manutenção de nomes de personagens e alguns termos originais em inglês, seguindo a padronização internacional exigida pela Marvel. Para quem cresceu acostumado às versões brasileiras dos quadrinhos e animações, isso pode soar um pouco estranho aos ouvidos.

É algo que já aconteceu anteriormente nos jogos de Marvel’s Spider-Man e, mais recentemente, em Marvel Tokon: Fighting Souls.

Considerações

Marvel’s Wolverine - Nota 8,5
Marvel’s Wolverine - Nota 8,5
Foto: Divulgação / Game On

Marvel’s Wolverine não é simplesmente um “Marvel’s Spider-Man com garras” — e talvez esse seja o maior mérito da Insomniac. O estúdio entendeu que Logan precisava de uma experiência própria, mais pesada, violenta e concentrada. Em vez de repetir a fórmula do enorme mundo aberto, o jogo coloca o personagem, seus conflitos e sua trajetória no centro da aventura.

O combate é, sem dúvida, um dos grandes destaques. Há peso nos golpes, brutalidade nos ataques e uma sensação constante de que estamos controlando alguém que não precisa se preocupar em preservar a integridade física dos adversários. As garras, a regeneração e a ferocidade de Logan deixam de ser apenas características conhecidas dos quadrinhos e passam a fazer parte da própria linguagem do jogo.

Por outro lado, a experiência não é perfeita. A variedade de golpes e possibilidades de combate não alcança a mesma profundidade vista nos jogos do Homem-Aranha, enquanto algumas escolhas relacionadas à caracterização e ao visual de Logan — e de outros personagens — podem causar estranhamento em quem já está acostumado com suas representações tradicionais.

No entanto, a Insomniac conseguiu encontrar uma identidade própria para Logan e transformar aquilo que o torna único em mecânicas divertidas e que realmente funcionam. Tudo isso ajuda a construir a experiência de controlar Wolverine e simplesmente partir para cima dos inimigos — com sangue, adamantium e muita raiva.

Marvel’s Wolverine será lançado em 15 de setembro exclusivamente para PlayStation 5.

Esta análise foi feita no PlayStation 5, com uma cópia do jogo gentilmente cedida pela Sony Interactive Entertainment.

Fonte: Game On
Compartilhar

Comentários

Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião deste site. Se achar algo que viole os termos de uso, denuncie.

Publicidade
Meu Terra