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Onimusha: Way of the Sword é o retorno triunfante de uma das melhores IPs da Capcom

Protagonista carismático, jogabilidade prazerosa e ótima história fazem deste um dos jogos de ação obrigatórios de 2026

31 ago 2026 - 11h58
(atualizado às 12h26)
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Onimusha: Way of the Sword é o retorno triunfante de uma das melhores IPs da Capcom
Onimusha: Way of the Sword é o retorno triunfante de uma das melhores IPs da Capcom
Foto: Reprodução / Capcom

A Capcom está tendo um dos seus melhores anos em muito tempo no que diz respeito a lançamentos de peso que acertam muito mais do que erram, já tendo nos agraciado com o fantástico Resident Evil Requiem, o excelente Pragmata e o ótimo Monster Hunter Stories 3: Twisted Reflection.

Agora chegou a vez de Onimusha: Way of the Sword ganhar os holofotes, sendo o mais novo jogo da série em 20 anos, sem contar remasters ou o título Arcade de Realidade Virtual de 2025. E mais uma vez, a Capcom não deixou a peteca cair, nos fornecendo uma experiência e tanto, que muitos provavelmente irão considerar a melhor de toda a franquia.

Surge um novo Onimusha

A história começa em Quioto, no Japão, durante o período Edo, com o samurai andarilho Miyamoto Musashi, um espadachim que existiu de verdade na história japonesa e que vive pelo caminho da espada, sempre em busca de um desafio para mostrar que é o mais forte. Após enfrentar e derrotar Yoshioka Seijuro em um duelo, com ele também sendo baseado em uma figura histórica real, e essa luta servindo como tutorial das ações básicas do combate, ele acaba se deparando com um desafio de verdade ao se deparar com os terríveis Genma, que o matam e o mandam para o outro mundo.

Prestes a cair no abismo que levaria sua alma ao Inferno, Musashi é abordado por um senhor peculiar, trajado de branco, que mudaria seu destino para sempre, lhe dando uma Manopla Oni para que ele pudesse voltar à vida e ter a força necessária para enfrentar os Genma. Relutante, ele acaba aceitando o “presente”, que o colocaria em um caminho sem volta, transformando-se em um Onimusha.

No game, Musashi é um indivíduo que, embora bastante reclamão, tem um senso de justiça muito forte, estando disposto a ajudar aqueles que necessitam e não podem se defender da ameaça dos Genma. Ele é auxiliado por um outro Onimusha chamado Takamura, que também acaba sendo seu mentor no uso dos poderes da Manopla, e uma dançarina chamada Okuni. 

Além deles, temos outros personagens importantes na trama, incluindo Shizuka Gozen, uma das mulheres mais famosas da história do Japão. No game, ela é uma Oni que vive na Manopla de Musashi e o acompanha durante sua jornada. Outro personagem histórico que dá as caras é Sasaki Kojiro, mais conhecido como Sasaki Ganryu, rival histórico de Musashi, com essa rivalidade sendo abordada o tempo todo no jogo, especialmente porque Ganryu também se tornou um Onimusha com sua própria manopla, mas seguindo um caminho diferente daquele trilhado por Musashi.

Rivalidade entre Musashi e Ganryu é um dos pontos de destaque da história
Rivalidade entre Musashi e Ganryu é um dos pontos de destaque da história
Foto: Reprodução / Capcom

O grande vilão da narrativa, responsável pela presença dos Genma no mundo mortal, chama-se Minamoto no Yoshitsune, um comandante samurai e um dos guerreiros mais conhecidos da história japonesa. No jogo da Capcom, ele é um indivíduo sádico e manipulador, que não mede esforços para alcançar seus objetivos usando os Genma.

Graficamente Onimusha: Way of the Sword está fenomenal, mostrando mais uma vez a versatilidade do motor gráfico RE Engine da Capcom, que caiu como uma luva para mostrar detalhadamente os inimigos sendo dilacerados pelos ataques de Musashi. As expressões faciais de alguns personagens, especialmente de Musashi, chamam a atenção pelo realismo. As animações nos combates também estão fenomenais.

No caso do PC, o jogo vem com diversas opções de customização gráfica, mostrando detalhadamente o que cada uma delas muda no visual e o peso que elas têm na CPU, GPU e VRAM. No meu caso, usando um computador com Ryzen 5 7600, 2x16GB de RAM e GeForce RTX 5070 Ti, joguei do começo ao fim em 4K e 60 fps+ com a qualidade gráfica máxima, incluindo Ray Tracing, usando DLSS 4.5 Predefinição L e modo Qualidade, sem Frame Generation. No geral, o jogo me pareceu bem otimizado, algo que inclusive você pode conferir pessoalmente sem precisar comprá-lo, bastando testar a demo gratuita.

Jogo chama a atenção graficamente graças ao ótimo uso da RE Engine
Jogo chama a atenção graficamente graças ao ótimo uso da RE Engine
Foto: Reprodução / Capcom

Na jogabilidade, a primeira coisa que você precisa fazer é optar entre escolher o layout defensivo ou agressivo no controle, com isso mudando a posição de alguns botões. Como o game se baseia muito em ações de desviar de ataques e aparar com sua espada, o layout defensivo foi aquele que achei mais confortável de usar.

Inicialmente o jogo aparenta ser um pouco fácil demais, e inclusive se você tiver experiência em jogos de ação ou soulslikes (embora Onimusha: Way of the Sword não seja um soulslike), você provavelmente, assim como eu, vai demorar até morrer pela primeira vez. Comigo levou cerca de 4 horas, quando me deparei com um chefe chamado Rasho-gan - Manipulador de Desejos, que é essencialmente o primeiro desafio de verdade do jogo para jogadores experientes.

A partir daí, o jogo vai pegando ritmo e ficando cada vez mais difícil, com novos tipos de inimigos surgindo para enfrentar Musashi, incluindo até mesmo variações mais fortes de alguns oponentes, que podem te matar rapidamente se você não ficar esperto.

Os combates ocorrem quase que o tempo todo com a espada, com um botão para atacar com uma mão e o outro para atacar com as duas mãos, sendo necessário aparar investidas e desviar. Há alguns golpes mais fortes, identificados por uma cor rosada na arma do inimigo, que não podem ser esquivados e apenas aparados. Há também ataques do tipo agarrão, identificados com a cor azul, que podem ser evitados e ao mesmo tempo contra-atacados se você esquivar na hora certa. Vale ressaltar que aparar os ataques é algo crucial, havendo inclusive dois tipos deles, um normal e um mais forte que requer um timing mais preciso, mas que tira muito mais vigor do oponente.

Todos os inimigos e chefes tem uma barra de vigor que precisa ser quebrada para que sofram um ataque crítico
Todos os inimigos e chefes tem uma barra de vigor que precisa ser quebrada para que sofram um ataque crítico
Foto: Reprodução / Giuseppe Carrino

Todos os inimigos possuem uma barra de vida e uma barra de vigor, com essa segunda barra, ao ser quebrada (atacando o inimigo e aparando suas investidas), permitindo a realização de um ataque poderoso, muitas vezes fatal. Musashi também tem isso, com ele perdendo muitas almas e tomando dano considerável caso essa barra dele seja quebrada.

Nos chefes, quebrar essa barra permite realizar um ataque em uma das partes do seu corpo, com você optando por locais que irão causar mais dano ou fornecer mais almas. As almas amarelas curam a vida, as vermelhas servem como moeda de troca e para obter habilidades, as azuis para encher o medidor das Armas Oni e as roxas, obtidas apenas muito mais adiante na história, enchem o medidor da transformação Oni, que deixa Musashi imortal e extremamente forte por alguns segundos.

O jogo te pune se você apanhar muito de um determinado inimigo ou chefe, pois eles também sabem sugar almas, pegando aquelas que você derruba ao ser atingido. Isso permite que eles não apenas se curem, mas também ativem ataques e poderes especiais, elevando consideravelmente o desafio. Além disso, alguns chefes têm mais de uma etapa, sendo necessário triunfar em todas para vencê-los. 

Felizmente, se você morrer para um chefe, não perde nada e pode tentar derrotá-lo novamente de imediato, sendo possível até mesmo mudar os amuletos e itens que você está equipando, para ver se faz alguma diferença. Tais amuletos, inclusive, podem ser aprimorados com oferendas e almas para que seus efeitos se fortaleçam.

Falando detalhadamente das Armas Oni, que comentei mais acima, tratam-se de armas poderosas que você pode usar quando o medidor delas estiver cheio. São seis no total e recomendo que você encontre todas elas, mas fique tranquilo, pois são fáceis de achar. Particularmente gostei mais da Treme-Terra, que são dois martelos que despedaçam o vigor, escudo e armadura dos inimigos, e a Gera-Vento, uma naginata que cria um turbilhão afetando inimigos em volta, inclusive pegando fogo se houver uma fonte de chama próxima, aumentando o dano. Há também o Arco Oni, que você obtém de forma obrigatória pouco tempo após começar a jogar e pode ser usado livremente.

Armas Oni são trunfo nos momentos de maior dificuldade
Armas Oni são trunfo nos momentos de maior dificuldade
Foto: Reprodução / Capcom

Matar os inimigos é fundamental para obter, principalmente, almas vermelhas, pois elas são usadas para comprar itens importantes e também para ajudar na liberação de habilidades básicas e especiais. Muitas vezes eles estão espalhados pelos cenários, mas também aparecem por meio das Fendas Infernais, que só podem ser fechadas depois que você derrotar todos os oponentes que saírem dela. Além da espada, do arco e das Armas Oni, você pode fazer uso de alguns objetos no cenário para atingir os inimigos, tais como potes explosivos e carroças que podem ser empurradas.

Falando mais dos combates, esquivar com perfeição contribui para encher um medidor que permite executar um ataque forte em câmera lenta no inimigo. Além disso, aparar perfeitamente serve para ativar o Estado Escaldante, que coloca fogo em sua espada, aumentando o alcance e poder dos golpes, e contribuindo para que apareçam mais almas azuis para usar as Armas Oni. Essas duas habilidades precisam ser obtidas para serem utilizadas e são extremamente úteis nos combates, além de muito satisfatórias de serem usadas.

A sua vida, resistência, dano com a espada e poder da Manopla Oni aumentam subindo o nível de cada um, por meio de itens específicos para isso, que podem ser encontrados por todo o jogo. Fazer uso da Visão Oni, depois de aprimorá-la, lhe permite enxergar itens escondidos no cenário que estejam próximos de você. Os itens mais valiosos estão sempre dentro de baús, alguns inclusive invisíveis, mas que a Manopla te avisa caso você esteja próximo de um deles, para torná-los visíveis.

Dito isso, alguns desses itens, no caso aqueles que servem para melhorar a Manopla, caem apenas de determinados chefes, mas também podem ser comprados em quantidade limitada de um mercador que você desbloqueia após algumas horas de jogo.

Itens específicos e almas vermelhas são necessários para melhorar todos os aspectos de Musashi e lhe conceder novas habilidades
Itens específicos e almas vermelhas são necessários para melhorar todos os aspectos de Musashi e lhe conceder novas habilidades
Foto: Reprodução / Giuseppe Carrino

Para se curar, o principal artifício é a Bolsa Hozuki, que permite carregar uma determinada quantidade desses frutos chamados Hozuki, que estão virtualmente espalhados por todos os cenários do game, não sendo difícil de encontrá-los. Ao descansar em um Espelho Espiritual, que também serve para fazer viagens rápidas e salvar o progresso do jogo, sua Bolsa Hozuki é preenchida com os frutos que você pegou durante sua exploração e foram enviados diretamente ao seu depósito.

Essa Bolsa pode ser melhorada com Okuni para que carregue mais frutos e aumente seu poder de cura, e também alterada para que conceda benefícios diferentes, como encher os medidores de poder Oni ou fazer seus medidores de vida e vigor regenerarem gradualmente. Vale ressaltar que há outros itens de ajuda que você pode utilizar, que lhes dão vantagens temporárias como aumento de dano, aumento de defesa ou até mesmo permitir que você reviva após perecer.

A maior parte do tempo você passará no mapa do Leste de Quioto, que começa pequeno e vai se abrindo à medida que você elimina o Miasma em volta dele com o progresso da história. É um mapa aberto, não muito grande, mas com muitas coisas para serem descobertas. Os outros locais do jogo são mais lineares, como aquele presente na demo gratuita, mas que também guardam segredos, com muitos deles tendo várias ramificações. A exploração aumenta quando você obtém os poderes especiais que permitem quebrar as barreiras levantadas pelos Genma e andar por determinados tipos de paredes. Além disso, a Visão Oni, da qual falei há pouco, tem como principal uso te guiar até os seus objetivos.

Em adição às missões principais, existem dois tipos de missões secundárias chamadas de Mistérios de Quioto e Encontros do Destino. As primeiras, menos numerosas, são mais elaboradas e envolvem sempre a participação de uma mulher exótica conhecida como Dama Murasaki, que também lhe pede para encontrar seus Komainu (criaturas fofinhas que parecem cachorros peludos com juba de leão) que estão escondidos pelos mapas do jogo.

Leste de Quioto, um mapa aberto que vai se expandindo, é onde você fica mais tempo; há várias missões secundárias além das principais
Leste de Quioto, um mapa aberto que vai se expandindo, é onde você fica mais tempo; há várias missões secundárias além das principais
Foto: Reprodução / Giuseppe Carrino

Já no caso dos Encontros do Destino, eles são mais numerosos, simples e até mesmo repetitivos, mas também oferecem recompensas, assim como os Mistérios de Quioto. Dito isso, preferiria que a Capcom tivesse feito menos Encontros e focado em fazer uma quantidade maior de Mistérios, pois eles são muito mais interessantes por revelarem mais do folclore japonês, algo que também ocorre sempre que você encontra um Komainu.

Outro aspecto importante e totalmente opcional do game é que você pode realizar treinamentos com Takamura e até mesmo voltar a enfrentar chefes que você já derrotou para ganhar recompensas e praticar o gameplay.

Sobre os aspectos do game que não me agradaram, foram apenas dois. Um deles envolve a câmera, que te cega quando você está enfrentando um inimigo perto de alguma parede, forçando você a se mover para longe para conseguir voltar a ver o que está acontecendo. A segunda coisa é que a variedade de chefes poderia ser maior, havendo inclusive o reuso de alguns no game, em especial dois deles - Byakue e Dohatsu-ten - que você vai até perder a conta de quantas vezes os enfrentará, já que eles dão as caras o tempo todo, ao ponto de ficar cansativo topar com ambos. O lado bom desses encontros é que eles sempre fornecem dois itens importantes para melhorar a Manopla ao serem derrotados, mas mesmo assim achei exagerada a quantidade de vezes que eles aparecem.

Ao terminar o jogo, você obtém acesso ao New Game+, podendo levar consigo uma boa parte daquilo que obteve quando zerou o game pela primeira vez. Também é liberado um novo nível de dificuldade chamado Carnificina, onde há inimigos que podem te matar com um golpe só, criando um patamar de dificuldade adicional na experiência, voltado apenas para os jogadores hardcore.

Considerações

Onimusha: Way of the Sword - Nota 9
Onimusha: Way of the Sword - Nota 9
Foto: Divulgação / Game On

Me diverti um bocado durante minhas 22h jogando Onimusha: Way of the Sword, que foi o tempo que levei para terminar a campanha e todas as missões opcionais. O jogo começa fácil demais, mas depois que ele pega o ritmo melhora consideravelmente, oferecendo um desafio que chegou a me deixar com os olhos arregalados para prestar atenção nos movimentos dos inimigos mais fortes e chefes para atacá-los corretamente e vencê-los. 

Os personagens, especialmente o protagonista Miyamoto Musashi e seu rival Sasaki Ganryu, são memoráveis, mas todos eles complementam a experiência de forma positiva graças aos seus diálogos e interações. Aproveitar a ótima história em português brasileiro também foi um ponto positivo, pois a dublagem e a localização estão impecáveis. 

Estamos diante de mais um acerto da Capcom em 2026, que me deixou curioso para ver o que mais o futuro reserva na franquia Onimusha, que parece brilhante.

Onimusha: Way of the Sword chega em 4 de setembro para PC, PlayStation 5, Switch 2 e Xbox Series.

Esta análise foi feita no PC, com uma cópia do jogo gentilmente cedida pela Capcom.

Fonte: Game On
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