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Kusan: City of Wolves é uma pancadaria que exige perfeição

Inspirado por Hotline Miami, jogo apresenta ação brutal, estilosa e viciante

12 ago 2026 - 13h59
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Kusan: City of Wolves é uma pancadaria que exige perfeição
Kusan: City of Wolves é uma pancadaria que exige perfeição
Foto: Divulgação/PQube

Desde que Hotline Miami sacudiu a indústria independente em 2012, o subgênero dos shooters de visão aérea tenta encontrar uma obra que consiga replicar a mesma mistura hipnótica de violência estilizada, velocidade e punição instantânea.

E é com essa proposta do estúdio sul-coreano CIRCLEfromDOT e da editora PQube que vemos uma das adaptações mais maduras e divertidas dessa fórmula nos últimos anos.

Em Kusan: City of Wolves, a premissa de "um tiro, uma morte" ganha o reforço de mecânicas de combate corpo a corpo mais profundas, um universo de animais antropomórficos sob o clima cyberpunk e uma cadência de jogo que exige reflexos afiados a todo momento.

Hotline Miami encontra John Wick

A trama acompanha Jin, um leopardo veterano de guerra e mercenário que atua nos submundos de Kusan — uma metrópole futurista decadente dominada por corporações corruptas e facções criminosas.

Sua missão de proteger a jovem Haru logo se transforma em uma espiral de vingança e conspirações militares, contada por meio de painéis animados no estilo  de uma revista em quadrinhos.

Mas se a história cumpre seu papel de conduzir o jogador pelas áreas da cidade de forma linear, o verdadeiro brilho de Kusan está em sua mecânica de combate.

A história é estrelada por animais antropomórficos e contada ao estilo de quadrinhos
A história é estrelada por animais antropomórficos e contada ao estilo de quadrinhos
Foto: Reprodução

Jin possui armas de fogo, ataques corpo a corpo, facas, esquivas e parries. O jogador precisa alternar constantemente entre essas possibilidades enquanto tenta eliminar os adversários antes que eles tenham a oportunidade de reagir. E existe uma regra cruel: um golpe pode ser suficiente para matar você.

Não há uma barra de vida tradicional que permita absorver uma sequência de erros. Cada confronto precisa ser tratado quase como um pequeno quebra-cabeça de ação. A ideia é criar uma espécie de dança violenta em que o jogador precisa se movimentar constantemente, encontrar brechas e encadear diferentes tipos de ataques - ao melhor estilo John Wick.

Essa mescla entre tiros tomados de inimigos, parries, esquivas no momento exato e soco-inglês mecânico gera um fluxo de gameplay incrivelmente satisfatório. O jogo recompensa a agressividade controlada: parar para pensar por um segundo em uma sala lotada é sentença de morte.

A atmosfera de Kusan

Kusan: City of Wolves é um prato cheio para os fãs de Hotline Miami
Kusan: City of Wolves é um prato cheio para os fãs de Hotline Miami
Foto: Reprodução

Visualmente, o jogo usa e abusa do contraste. A iluminação em neon sob os cenários escuros e pixelados cria um clima urbano denso, complementado por animações de impacto violentas e fluidas. A apresentação das cenas de corte em quadrinhos dá um charme adicional que remete aos melhores momentos do gênero noir.

A trilha sonora, produzida pelo artista de hip-hop sul-coreano Loptimist, também tenta fugir do convencional. Apesar de eu preferir o estilo synthwave e eletrônico de Hotline Miami, as músicas de Kusan se encaixam muito bem com a intensidade das partidas. 

A mistura de batidas de hip-hop e eletrônicas com ritmos urbanos ditam o ritmo acelerado dos confrontos e das guerras de gangues, fazendo com que a repetição das fases após falhas no combate não se torne tão cansativas.

Kusan é um jogo de ação rápido, brutal e que recompensa a precisão
Kusan é um jogo de ação rápido, brutal e que recompensa a precisão
Foto: Reprodução

Mas apesar de se destacar nas mecânicas principais, Kusan: City of Wolves enfrenta alguns pequenos tropeços de ritmo na segunda metade da campanha.

O principal deles está no design das fases. Conforme a história avança, a estrutura das salas tende a se repetir, dependendo excessivamente de ondas de inimigos idênticos disparadas em arenas fechadas.

A inteligência artificial dos capangas comuns também é limitada: eles frequentemente correm em linha reta em sua direção, facilitando o uso de "gargalos" nos mapas para limpar a sala.

Em contrapartida, as batalhas contra chefes apresentam uma elevação súbita de dificuldade. Onde a fase normal exige velocidade e reflexo de reação rápida, os chefes exigem memorização estrita de padrões de ataque com barras de vida extensas, transformando esses confrontos em verdadeiros testes de habilidades, o que pode quebrar momentaneamente o ritmo ágil construído até ali.

Considerações

Kusan: City of Wolves - Nota 8
Kusan: City of Wolves - Nota 8
Foto: Divulgação / Game On

Kusan: City of Wolves é um prato cheio para quem sente falta da adrenalina de Hotline Miami e procura um jogo de ação rápido, brutal e que recompensa a precisão.

Ao combinar uma ambientação neo-noir habitada por animais antropomórficos, narrativa em formato de quadrinhos, chefes desafiadores, sistema de progressão e uma trilha sonora marcada pelo hip-hop coreano, o pequeno estúdio CIRCLEfromDOT conseguiu ir além das referências e construir uma identidade própria.

Apesar de alguns problemas na variedade dos cenários, especialmente na reta final, o excelente funcionamento do combate e a atmosfera estilosa fazem de Kusan uma experiência recomendada para quem gosta de desafio, velocidade e muita adrenalina no controle.

Kusan: City of Wolves está disponível para PC, PlayStation 5, Switch e Xbox Series X/S.

Esta análise foi feita no PlayStation 5, com uma cópia do jogo gentilmente cedida pela PQube.

Fonte: Game On
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