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The Sinking City 2 traz terror de Lovecraft em um survival horror de respeito

Entre criaturas grotescas, recursos escassos e mistérios, sequência encontra seu próprio caminho no gênero

24 ago 2026 - 14h14
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The Sinking City 2 traz terror de Lovecraft em um survival horror de respeito
The Sinking City 2 traz terror de Lovecraft em um survival horror de respeito
Foto: Divulgação/Frogwares

Quando The Sinking City chegou em 2019, a Frogwares apostou em uma combinação ambiciosa: unir o horror cósmico inspirado em H.P. Lovecraft, investigação policial e um grande mundo aberto. A ideia era interessante, mas o resultado acabou limitado por problemas de ritmo, repetição e um sistema de combate pouco refinado.

Sete anos depois, o estúdio ucraniano retorna à franquia disposto a mudar radicalmente essa fórmula. Em vez de colocar a investigação no centro da experiência, The Sinking City 2 abraça de vez o gênero survival horror, buscando inspiração nos remakes modernos de Resident Evil e na atmosfera de Silent Hill.

A mudança faz com que a sequência seja menos experimental e talvez menos única que seu antecessor, mas também resulta em uma experiência muito mais coesa, tensa e divertida de jogar.

Uma Arkham que está afundando

A trama se passa em 1929, na decadente e fictícia cidade de Arkham, nos Estados Unidos. Após uma misteriosa inundação sobrenatural, a cidade foi parcialmente destruída e abandonada. As ruas estão cobertas pela água, prédios foram tomados pela deterioração e criaturas grotescas passaram a ocupar os lugares deixados pelos antigos moradores.

É nesse cenário que conhecemos Calvin Rafferty, um investigador do oculto que parte em busca de sua companheira, Faye, que entrou em coma após um ritual. Sua busca o leva cada vez mais fundo pelos cantos obscuros de Arkham, onde ele acaba frente a frente com criaturas e acontecimentos que parecem ter saído diretamente de um pesadelo inspirado nos Mitos de Cthulhu.

Com o poder da Unreal Engine 5, a atmosfera e ambientação são os grandes trunfos de The Sinking City 2. Casas abandonadas, hospitais em ruínas, mercados, universidades e ruas parcialmente inundadas ajudam a construir a sensação de uma cidade que foi devastada por algo que foge completamente à compreensão humana. A direção de arte dos anos 1920 e a iluminação reforçam constantemente essa sensação de decadência e isolamento.

A trama se passa em 1929 na decadente e fictícia cidade submersa de Arkham
A trama se passa em 1929 na decadente e fictícia cidade submersa de Arkham
Foto: Reprodução

No primeiro The Sinking City, a investigação era o coração da experiência. O jogador percorria um mundo aberto em busca de pistas e utilizava as ferramentas do protagonista para reconstruir os acontecimentos e solucionar os mistérios de Arkham.

Na sequência, a Frogwares colocou combate, exploração, gerenciamento de recursos e sobrevivência no centro da aventura. A investigação continua presente, mas perdeu espaço e se tornou opcional em boa parte da campanha.

Em vez de passar longos períodos atravessando uma cidade aberta em busca de pistas, agora o jogador explora áreas mais controladas, procura recursos, resolve enigmas e enfrenta criaturas sobrenaturais.

A estrutura lembra bastante os remakes modernos de Resident Evil, com inventário limitado, recursos escassos, caminhos que se conectam e a constante decisão entre enfrentar um inimigo ou simplesmente passar por ele.

O combate não é o melhor do gênero

Criaturas lovecraftianas estão por toda a cidade
Criaturas lovecraftianas estão por toda a cidade
Foto: Reprodução

O combate de The Sinking City 2 é funcional, mas ainda está um degrau abaixo dos principais nomes do gênero. O arsenal inclui pistola, espingarda, rifle, lança-granadas e metralhadora, além de ataques corpo a corpo e uma esquiva para escapar de golpes mais perigosos.

Na prática, porém, algumas armas poderiam transmitir mais impacto, enquanto certos movimentos ainda parecem um pouco rígidos. Os confrontos funcionam, mas não apresentam a mesma precisão e fluidez encontradas nos remakes modernos de Resident Evil.

Por outro lado, a Frogwares acerta ao apostar na escassez de munição, no gerenciamento do inventário e na exploração de atalhos e áreas opcionais. Isso faz com que cada encontro com um inimigo envolva uma decisão importante: vale a pena gastar recursos para eliminá-lo ou é melhor simplesmente passar correndo?

The Sinking City 2 apresenta uma campanha com duração entre 10 a 15 horas
The Sinking City 2 apresenta uma campanha com duração entre 10 a 15 horas
Foto: Reprodução

Em algumas situações, tentar enfrentar todos os inimigos é praticamente garantir que a munição vai acabar poucos minutos depois. O jogo começa de maneira relativamente acessível, mas a dificuldade aumenta consideravelmente a partir da metade da campanha, tornando o gerenciamento de recursos ainda mais importante.

Felizmente, The Sinking City 2 oferece diferentes níveis de dificuldade, tanto para os combates quanto para os quebra-cabeças. Dessa forma, é possível adaptar a experiência ao seu estilo: quem procura um survival horror mais desafiador pode aumentar a dificuldade, enquanto quem prefere se concentrar na história e na exploração pode optar por uma experiência mais tranquila.

A campanha dura aproximadamente 10 a 15 horas, dependendo do ritmo do jogador e de quanto ele decide explorar os cenários. Outro ponto positivo para o público brasileiro é a localização em português brasileiro, presente nas legendas, textos e menus. A dublagem em inglês é competente e combina bem com a atmosfera sombria e perturbadora da aventura.

Considerações

The Sinking City 2 - Nota 8
The Sinking City 2 - Nota 8
Foto: Divulgação / Game On

The Sinking City 2 é uma grata surpresa para quem gosta de survival horror, Resident Evil, Silent Hill e das obras de H.P. Lovecraft. A Frogwares conseguiu transformar criaturas grotescas, seitas ocultistas, insanidade e mistérios sobrenaturais em uma experiência que, mesmo sem alcançar o refinamento técnico dos grandes nomes do gênero, funciona muito bem em seus principais pilares.

Ao apostar em recursos escassos, exploração, bons enigmas e combates tensos, a sequência encontra seu próprio caminho e mostra que o universo criado pela Frogwares funciona muito bem dentro da estrutura de um survival horror.

No fim, Arkham continua sendo o grande protagonista. Uma cidade decadente, inundada e repleta de segredos que desperta justamente aquela curiosidade perigosa: você sabe que deveria ir embora, mas sempre existe mais um corredor para explorar, mais uma porta para abrir e mais um mistério para descobrir.

The Sinking City 2 está disponível para PC, PlayStation 5 e Xbox Series.

Esta análise foi feita no PlayStation 5, com uma cópia do jogo gentilmente cedida pela Frogwares.

Fonte: Game On
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