Metal Gear Solid: Master Collection Vol. 2 faz justiça a dois clássicos da série
Peace Walker e Guns of the Patriots finalmente chegam ao PC e aos consoles atuais
A Konami vem fazendo um bom trabalho ao trazer algumas de suas principais séries de volta aos consoles atuais. Castlevania recebeu novas coleções nos últimos anos, enquanto Metal Gear começou esse retorno com o primeiro volume da Master Collection, reunindo os primeiros jogos da fase mais conhecida da franquia. Agora, o segundo volume continua esse trabalho com uma coleção que pode até parecer menor à primeira vista, mas tem um peso muito maior dentro da história da série.
Metal Gear Solid 4: Guns of the Patriots e Peace Walker representam momentos importantes de lados diferentes da saga. Enquanto um acompanha a trajetória de Big Boss e mostra acontecimentos fundamentais para a formação de sua história, o outro coloca Solid Snake no centro de um dos capítulos finais de sua jornada. Ghost Babel, por sua vez, completa a coleção com uma experiência diferente dos outros dois títulos.
Kept you waiting, huh?
Detalhar a trama de Peace Walker e, principalmente, de Metal Gear Solid 4: Guns of the Patriots, sem entrar muito nos acontecimentos dos jogos anteriores, pode ser um pouco difícil para quem nunca jogou a franquia. Ainda mais porque, seguindo a ordem cronológica, MGS4 deve ser jogado depois de Sons of Liberty, enquanto Peace Walker acontece depois de Snake Eater, mesmo com toda aquela discussão sobre jogar ou não Portable Ops antes dele.
Falando apenas por cima do que acontece em cada um deles, Metal Gear Solid: Peace Walker se passa em 1974, dez anos após os eventos de Snake Eater. Agora, adotando de vez o nome Big Boss, nossa missão acompanha o líder e seu grupo de mercenários, conhecido como Militaires Sans Frontières, que estão alocados na Costa Rica. Após uma sessão de treinamento com seu grupo, Big Boss é apresentado por Kazuhira Miller, seu braço direito, ao professor Ramón Gálvez e sua aluna, Paz Ortega.
Os dois chegam com informações sobre uma ameaça silenciosa na Costa Rica que, segundo o professor, já conquistou o território sem que nenhum tiro fosse disparado. Cabe à Big Boss e seu grupo deter essa outra força militar, que possui uma arma de destruição em massa, enquanto o mundo está à beira de uma crise nuclear.
Já em Metal Gear Solid 4: Guns of the Patriots, controlamos Solid Snake, que acabou recebendo a alcunha de Old Snake por estar sofrendo uma rápida degeneração que afeta sua idade e saúde. Ele aceita sua última missão, oferecida pelo general Campbell, para encontrar e matar seu velho rival, Liquid Ocelot, que se tornou uma das figuras mais poderosas do mundo por conta de suas companhias militares privadas.
Liquid Ocelot também está atrás do programa de nanomáquinas que controla diferentes aspectos dos soldados durante a guerra, incluindo suas emoções. Com isso, a missão coloca Snake mais uma vez no centro de um conflito que envolve seu antigo rival e o futuro da própria guerra.
Mesmo depois de tanto tempo desde o lançamento desses jogos, muitos dos temas presentes em suas histórias continuam atuais. A guerra é um dos principais deles, principalmente pela forma como Metal Gear trabalha a ideia de que, mesmo que seus princípios e suas consequências continuem os mesmos, a maneira como ela é praticada muda com o tempo. É justamente nesse ponto que existe um contraste interessante com a famosa frase de Fallout, “War never changes”, enquanto Metal Gear mostra justamente o contrário: a guerra mudou.
Quem nunca teve contato com a franquia Metal Gear, ou apenas não jogou esses dois títulos, pode ficar com a impressão de que esta coleção tem pouco conteúdo. Ao olhar todo o contexto dela, porém, e considerar que um dos jogos presentes ficou preso a um único console por 18 anos, fica mais fácil entender o quão importante é finalmente vê-los chegando aos consoles da geração atual e ao PC.
Jogando novamente, quase 10 anos depois de ter finalizado Peace Walker e MGS4, a sensação foi como descobrir várias coisas novamente. Enfrentar o esquadrão Beauty and the Beast em MGS4, por exemplo, continua sendo interessante, ainda mais pela forma como suas integrantes são baseadas em antigos rivais da série.
Em Peace Walker, toda a parte de gerenciar a Mother Base, recrutar novos soldados e criar os melhores armamentos para não passar perrengue contra os Metal Gears são mecânicas que envelheceram muito bem, ainda mais considerando como poucos jogos se inspiraram nelas mesmo depois de tanto tempo.
Para usuários de Xbox, por conta da retrocompatibilidade, Metal Gear Solid: Peace Walker pode passar a impressão de ser o título que dá para deixar de lado na coleção, principalmente porque ele já está disponível dessa forma no console. A versão presente aqui é justamente a HD Edition, mas quem joga nos consoles da Sony, no PC ou no próprio Nintendo Switch não deveria deixar essa parte da saga passar.
Muitas das mudanças presentes nela, dá para dizer, são pouco perceptíveis, para não dizer quase imperceptíveis. As melhorias ficam mais por conta do desempenho, que está mais estável, e de algumas texturas com resoluções maiores. Isso fica mais perceptível, principalmente em MGS4 e durante suas cenas, onde partes das roupas dos personagens secundários, como a da Meryl, apresentam uma resolução maior, principalmente no patch da FOXHOUND que ela carrega.
Já em Peace Walker, fica muito mais perceptível que as melhorias são mais próximas de um port tradicional, com algumas melhorias de qualidade de vida. Na questão da fidelidade gráfica, dá para notar que muitas das texturas ainda carregam o legado de o título ter sido feito para o PSP, o que pode acabar causando aquela sensação de algo datado na parte visual. Muito por conta do restante da qualidade que o jogo possui, porém, é fácil esquecer essas questões, ainda mais porque suas cenas em forma de quadrinhos continuam excelentes até hoje.
A jogabilidade dos dois jogos também é um ponto que permanece praticamente intocável, e ambos envelheceram muito bem após tanto tempo. Nos dois, nossos personagens conseguem andar agachados, e o stealth funciona de uma maneira até impressionante quando olhamos para a época em que foram lançados. MGS4 se destaca principalmente pelo uso da OctoCamo, a clássica roupa do Old Snake que se adapta a diferentes ambientes, copiando suas cores para permitir uma camuflagem de uma forma que apenas a série consegue entregar.
Dentro da coleção, também temos um Metal Gear menos badalado, conhecido como Ghost Babel, lançado originalmente para Game Boy Color em 2000. Ele funciona mais como um bônus do que realmente como um título que recebeu grandes melhorias, tanto que suas mudanças são bem pequenas, tendo apenas um menu diferenciado ao iniciar o jogo. Sem contar que ele não é canônico para a história, já que apresenta uma continuidade alternativa para o primeiro Metal Gear de MSX.
Considerações
Metal Gear Solid: Master Collection Vol. 2 é uma coleção que entende a importância dos jogos que reúne. As melhorias podem não ser tão grandes ou perceptíveis, principalmente para quem esperava uma reformulação visual mais profunda, mas a maior vitória está em finalmente tornar esses títulos acessíveis novamente, especialmente MGS4, depois de quase duas décadas preso ao PlayStation 3.
Peace Walker continua sendo um dos jogos mais completos da franquia, com mecânicas que envelheceram muito bem, enquanto MGS4 ainda entrega uma experiência que mantém sua identidade mesmo tantos anos depois. Ghost Babel funciona como um extra interessante para completar o pacote, mesmo sem receber o mesmo tratamento dos outros dois. No fim, a Master Collection Vol. 2 recupera três capítulos importantes da história de Metal Gear e oferece uma oportunidade que muitos jogadores esperaram por anos. É uma coleção que cumpre exatamente o que precisava fazer.
Metal Gear Solid: Master Collection Vol. 2 chega em 27 de agosto para PC, PlayStation 5, Switch, Switch 2 e Xbox Series.
Esta análise foi feita no PlayStation 5, com uma cópia do jogo gentilmente cedida pela Konami.
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