Para chegar as quartas de final, a Seleção Brasileira vai precisar quebrar o tabu de nunca ter vencido a Noruega. Em quatro jogos, foram dois empates e uma derrota em 1997 por 4 a 2 em amistosos. E no único encontro em Copa do Mundo, em 98 na França, os noruegueses ganharam por 2 a 1, na fase de grupos.
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Porém, o zagueiro Gonçalves, que esteve em campo em 98, minimizou o resultado. “Nós já estávamos classificados para enfrentar a Noruega”, relembrou em entrevista ao Terra.
O defensor relembrou que para esse jogo, o técnico Zagallo montou uma estratégia para conter Torre Andre Fló, um atacante que se assemelha hoje a Haaland. “O Torre Andre Fló era um jogador bastante alto e o Júnior Baiano era o encarregado de marcá-lo. Eu fazia a cobertura, a sobra.”
O xerifão ainda lembrou que o gol da vitória norueguesa foi bastante duvidosa. “Talvez se tivesse o VAR, o pênalti teria sido revisto e não teria sido marcado”, destacou. “Foi um puxão na camisa que não daria para derrubar ninguém, mas o jogador da Noruega foi esperto, caiu no chão e o juiz acabou marcando”, lamentou.
Gonçalves não tem dúvidas que a seleção da Noruega de hoje é superior a de 98. “Hoje eu vejo que é uma seleção com jogadores com mais qualidade do que daquela época."
Para o ex-jogador, esse jogo das oitavas de final vai ser tão difícil quanto a vitória apertada sobre o Japão por 2 a 1, de virada. “A seleção norueguesa vem jogando junto há algum tempo, fez uma boa Eurocopa. Mas o Brasil tem jogadores com qualidade suficiente para se impor, só que tem que se jogar no limite, entregar o melhor, tem que performar no seu máximo cada um dos jogadores em campo para que a seleção possa seguir evoluindo e construir uma vitória diante de um adversário qualificado. O Brasil tem totais condições de vencer o jogo e seguir avançando na Copa do Mundo”.
O ex-xerifão acredita que o Brasil tem todas as condições de passar às quartas de final. “Os nossos jogadores podem decidir e tem mais qualidade. É só chamarem a responsabilidade e procurarem entregar o melhor de cada um dentro de campo. E se isso acontecer o Brasil é favorito para vencer o jogo”.
E esse jogador diferente que o ex-zagueiro se refere atende pelo nome de Vinícius Júnior, que fez quatro gols nesta Copa do Mundo 2026 . “Ele tem sido o melhor jogador do Brasil, o mais decisivo. É quem está chamando a responsabilidade para si, e isso é importante”, ressaltou.
“Em todas as conquistas da Seleção Brasileira em Copas do Mundo, nós tivemos um ou dois jogadores que se destacaram, que chamaram a responsabilidade, assumiram um protagonismo. Foi assim com Romário e Bebeto em 94, com Ronaldo e Rivaldo em 2002”.
Para ele, falta um companheiro para o camisa sete. "O Vini Júnior precisa ter alguém além dele que também possa começar a performar e chamar a responsabilidade para decidir os jogos. O Matheus Cunha até agora já fez três gols. Espero que eles continuem sendo protagonistas fazendo mais gols para que o Brasil possa seguir avançando em busca desse hexacampeonato.”
O zagueiro só espera que Neymar entre em campo o mais rápido possível para ser protagonista. “É para isso que ele foi convocado, e é isso que o torcedor brasileiro espera dele, que possa entrar e com o talento dele e ter condições de decidir um jogo assim como ele foi capaz no Mundial passado contra a Croácia, fazendo gol no tempo extra. Infelizmente o Brasil não conseguiu segurar e acabou sofrendo gol de empate, sendo eliminado nos pênaltis”, lembrou.
Como ex-zagueiro, Gonçalves elogia a dupla titular da zaga formada por Marquinhos e Gabriel Magalhães. “Eles estão fazendo uma boa Copa do Mundo. A dupla tem se comportado muito bem, junto com os laterais, o Danilo e o Douglas Santos. O Marquinhos é um zagueiro experiente e campeão da Champions League e o Gabriel Magalhães foi vice, mas ganhou o campeonato inglês. É um jogador que está motivado e confiante”.
Gonçalves tem a estratégia perfeita para anular o jogador mais perigo da Noruega, mas é preciso mudar o esquema tático de Carlo Ancelotti. “Para marcar o Haaland, eles vão ter que utilizar uma estratégia diferente do que vêm adotando, porque é uma seleção que joga em linha defensiva. Para evitar surpresas desagradáveis, seria interessante um zagueiro marcar o Haaland e o outro fazer uma sobra para poder fazer a cobertura a tempo, já que ele, além de ser grande e forte, é rápido. E quando ele arranca é difícil de pará-lo”, destacou.
Mais do que nunca, Gonçalves está confiante que o hexa vem. “A gente tem que seguir sonhando, a esperança sempre existe, a confiança vai aumentando a partir do momento que a seleção vai vencendo. Se o Brasil passar pela Noruega, aumentam as chances”, finalizou.