Pedrinho está apto a voltar à presidência do Vasco, ao menos até o julgamento do recurso do clube contra a liminar que o afastou do cargo em 23 de junho. O documento em prol do ex-jogador foi publicado no site do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJRJ) e assinado pelo desembargador César Cury.
O ídolo cruzmaltino seguia como presidente do quadro associativo, mas não tinha mais poder no futebol desde que a juíza Caroline Fonseca, da 4ª Vara Empresarial do Rio, atendeu a um pedido do grupo americano 777 Partners, que foi controladora e dona das ações da SAF vascaína até maio de 2024. Samantha Longo, ex-diretora jurídica da CBF, foi designada para atuar como interventora na época.
De acordo com César Cury, relator do processo, a decisão de primeira instância de afastar Pedrinho teria sido "desproporcional, prematura e excessiva" e que, se mantida, poderia agravar a situação de instabilidade enfrentada tanto pelo clube quanto pela empresa investidora, além de descontinuidade administrativa e interferência excessiva sobre a recuperação financeira.
O afastamento ocorreu porque o Conselho de Administração do clube teria desumprido pedidos de fornecimento de documentos e informações ao Conselho Fiscal, segundo o qual a SAF continuaria com um patrimônio líquido negativo de R$ 647 milhões, embora tenha entrado em recuperação judicial.
Com o retorno de Pedrinho, e se consolidado após o julgamento do colegiado do recurso do Vasco, o processo pode acelerar, visto que o apreço de Lamacchia é recíproco. "É uma grande marca, um cara com sucesso enorme no futebol e que tem um desejo enorme de reconstruir a instituição. Ele assumir a dívida é o maior benefício; o Vasco já fica em outro nível. Estrutura de recuperação fora do comum", comentou o ex-jogador em entrevista ao canal "Atenção, Vascaínos!" em junho.
Apesar de viver uma guerra de bastidores, o valor da SAF do Vasco, bem como seus bens, não devem ser afetados, de acordo com César Cury. "Uma vez que a eventual alienação da participação societária da SAF está sujeita ao regime previsto no plano de recuperação, com controle pleno do juízo recuperacional", diz o relator na decisão que derrubou o afastamento de Pedrinho.