O processo de reformulação do Santos atingiu um número expressivo e simbólico. Desde o início da gestão de Marcelo Teixeira, em janeiro de 2024, o clube já contabiliza mais de 40 saídas, considerando vendas, empréstimos, rescisões e encerramentos de contrato. As movimentações mais recentes envolveram o atacante Tiquinho Soares, negociado com o Mirassol, e o lateral JP Chermont, emprestado ao Coritiba.
A próxima baixa deve ser o zagueiro Alexis Duarte. Fora dos planos da comissão técnica, o defensor paraguaio, que também integra a seleção de seu país, desperta interesse de clubes do futebol mexicano. Assim, com a provável saída, o Santos se aproxima de encerrar a etapa mais intensa da reformulação do elenco.
Além de Duarte, outros nomes seguem com futuro indefinido por conta da baixa utilização. Um dos exemplos é o volante Tomás Rincón, que somou apenas seis minutos em campo na temporada 2026.
As saídas de atletas do Santos
Caso a negociação de Duarte se concretize, ele será o sexto jogador a deixar o clube desde a chegada de Alexandre Mattos ao departamento de futebol. Antes dele, o Santos já havia negociado o atacante Gustavo Caballero, emprestado ao Portsmouth, rescindido com Bilal Brahimi e vendido o meio-campista Victor Hugo ao Atlético-MG, além das saídas de Chermont e Tiquinho Soares.
Aliás, no caso de Victor Hugo, que estava emprestado pelo Flamengo, o Peixe recebeu 250 mil dólares, cerca de R$ 1,4 milhão, valor correspondente a 10% da quantia paga pelo clube mineiro ao Rubro-Negro.
Quando se amplia o recorte para toda a gestão Marcelo Teixeira, o número de saídas sobe para 15 entre os 45 atletas contratados. Pouco mais de um terço do total. Nomes como Diego Pituca, Patrick, Luisão, Deivid Washington, Guilherme, Leo Godoy, Gabriel Verón, Aderlan, Gil, Rodrigo Ferreira e o próprio Tiquinho Soares chegaram nesse período e já não fazem mais parte do elenco.
Além disso, existe também situações que geraram desconforto interno, como a de Andrey Quintino. Afinal, o jogador nunca atuou pelo profissional, tinha contrato até o fim do ano, renovou o vínculo e acabou emprestado ao Confiança.
Base do Santos garante maiores receitas
Entre as negociações, os maiores retornos financeiros vieram das categorias de base. O lateral Souza foi vendido ao Tottenham por 15 milhões de euros, cerca de R$ 94 milhões. O Santos ficou com pouco mais de R$ 82 milhões líquidos na operação.
Já o atacante Luca Meirelles foi negociado por 10 milhões de euros, aproximadamente R$ 63,5 milhões. Detentor de 70% dos direitos econômicos, o Peixe manteve 15% do atleta, projetando lucro em uma transferência futura.
Pressão da torcida em cima da diretoria
Antes da goleada por 6 a 0 sobre o Velo Clube, que garantiu a classificação às quartas de final do Paulistão, a diretoria foi alvo de protestos na entrada social da Vila Belmiro. Torcedores cobraram a contratação de atletas pouco utilizados e, ao mesmo tempo, a saída de jovens considerados promissores.
A janela de 2026, porém, trouxe sinais de mudança. Todos os reforços contratados neste ano vêm sendo aproveitados pelo técnico Juan Pablo Vojvoda: o volante Gabriel Menino e os atacantes Rony, Gabriel Barbosa e Moisés. Além deles, o clube aguarda a chegada de Christian Oliva, volante do Nacional.
A cobrança sobre a diretoria não é recente. Após o vice-campeonato paulista de 2024, o acesso à Série A veio com título da Série B, mas também com protestos no dia da entrega da taça, na Vila Belmiro.
Em 2025, o Santos acumulou frustrações, como a eliminação para o Corinthians na semifinal do estadual, a queda precoce na Copa do Brasil diante do CRB e a luta contra o rebaixamento no Brasileirão até a rodada final.
Já em 2026, o início foi turbulento. O time chegou a acumular sete partidas sem vitória e flertou com a eliminação no Paulistão. A reação veio na última rodada da fase de grupos. No Campeonato Brasileiro, porém, o cenário ainda preocupa: sob o comando de Vojvoda, o Peixe soma duas derrotas e um empate nas três primeiras rodadas.
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