Após críticas ao gramado no empate contra o Palmeiras, o colunista Matheus Vieira Ramos defendeu que o Santos dispute a reta final do Brasileirão fora da Vila Belmiro. O argumento baseia-se no baixo rendimento como mandante (49%), nas más condições do campo — que passará por reforma para instalação de piso híbrido em dezembro — e na chance de maior arrecadação em outros locais, como o MorumBIS. O técnico Cuca minimizou o impacto do campo, e a diretoria ainda não confirmou a mudança de estádio.
O empate sem gols entre Santos e Palmeiras, na quarta-feira (28 de outubro), pela 33ª rodada do Campeonato Brasileiro, voltou a colocar as condições da Vila Belmiro em discussão. Além das críticas feitas pelo técnico Abel Ferreira ao gramado, o desempenho do Peixe como mandante motivou uma sugestão para a reta final da competição.
Em coluna publicada no Bolavip Brasil, nesta quinta-feira (29 de outubro), o jornalista Matheus Vieira Ramos defendeu que o Santos deixe de mandar seus últimos jogos na Vila Belmiro. O argumento considera os resultados da equipe dentro e fora de casa, as condições do campo e a possibilidade de aumentar a arrecadação com bilheteria.
Segundo dados da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) apresentados pelo colunista, o Santos conquistou 25 pontos em 17 partidas como mandante no Brasileirão. O aproveitamento é de 49%, suficiente apenas para a 14ª colocação no ranking de desempenho em casa.
O time comandado por Cuca também acumula três empates consecutivos na Vila Belmiro. O resultado diante do Palmeiras manteve a equipe com dificuldades para transformar o mando de campo em vitórias.
Fora de casa, o cenário é diferente. O Santos soma 22 pontos como visitante, ocupando a quinta colocação nesse recorte. Durante o campeonato, a equipe conseguiu cinco vitórias consecutivas longe de seus domínios, superando Vasco, Corinthians, Internacional, Remo e São Paulo.
A sequência foi interrompida pelo Atlético-MG, que venceu o Peixe de virada na Arena MRV, pela 30ª rodada.
Outro argumento apresentado pelo jornalista envolve as condições do gramado da Vila Belmiro, que recebeu críticas públicas após o clássico contra o Palmeiras.
Na entrevista coletiva, Abel Ferreira questionou a qualidade do campo e cobrou maior fiscalização das condições oferecidas aos jogadores.
"Queria os convidar a ver se este gramado é do nível da grandeza das duas instituições", declarou o treinador português.
Abel também classificou a situação como lamentável e inacreditável. O treinador afirmou que o futebol brasileiro precisa de regulamentações mais rigorosas para garantir condições adequadas de jogo, citando os principais campeonatos europeus como referência.
O comandante palmeirense demonstrou preocupação com possíveis lesões e afirmou que esperava não receber notícias de novos problemas físicos no elenco após a partida.
Do lado santista, Cuca reconheceu que o gramado precisa de melhorias, mas descartou que suas condições tenham interferido diretamente no resultado contra o Palmeiras.
"Hoje, [o gramado] não fez diferença alguma no jogo, porque as duas equipes são técnicas. O Palmeiras é uma equipe mais de força, mas também é técnica e rápida. Se for na reclamação, não vai adiantar nada. Eu vou na contramão. Nós treinamos aqui e vamos jogar, porque é o que tem. A gente tem que jogar sem ficar se queixando. A diretoria já está agindo para trabalhar no campo do CT e daqui também, para ser o gramado que sempre foi. Esse ano só que desandou. Mas sem querer defender, eu nunca vi chover tanto", afirmou.
O treinador também explicou que a diretoria está trabalhando para melhorar os campos da Vila Belmiro e do CT Rei Pelé. Segundo Cuca, o excesso de chuvas durante a temporada contribuiu para a deterioração do gramado.
A substituição do campo da Vila Belmiro está prevista para começar em 7 de dezembro, após o encerramento do Campeonato Brasileiro. Inicialmente, a reforma começaria no dia 3, mas o cronograma foi alterado para permitir a realização de um jogo festivo de Neymar e um evento para sócios.
A previsão é que o trabalho seja concluído em até 60 dias. O Santos pretende instalar um gramado híbrido, com fibras sintéticas combinadas à grama natural, semelhante ao utilizado na Neo Química Arena.
Diante desse cenário, Matheus Vieira Ramos considera que o clube deveria procurar outros estádios para disputar seus compromissos restantes como mandante.
"Considero que o ideal seria o Peixe atuar os últimos jogos em casa longe da Vila Belmiro para arrecadar um valor maior de bilheteria e atuar em um gramado melhor, que favoreça os jogadores técnicos do time", escreveu o colunista.
Uma das possibilidades envolve o confronto contra o Grêmio, pela 36ª rodada, previsto para 23 de novembro. Segundo informação do jornalista Ricardinho Martins, da TNT, a partida poderá acontecer no MorumBIS.
O colunista também defendeu a transferência do confronto contra o Botafogo, marcado para 2 de dezembro, pela última rodada do Brasileirão.
Nesse caso, a sugestão seria procurar um estádio no interior paulista, já que os jogos da rodada final acontecerão simultaneamente, dificultando a utilização de uma arena na capital.
A proposta permitiria ao Santos atuar em um gramado considerado mais adequado e receber torcedores de outras regiões do estado.
Apesar da sugestão, não existe confirmação de que o clube deixará a Vila Belmiro nos compromissos restantes. A mudança depende de decisões da diretoria e da disponibilidade de outros estádios.