A MotoGP minimizou as especulações sobre uma possível expansão do calendário para circuitos urbanos nos próximos anos, apesar da decisão de levar o GP da Austrália para um traçado de rua em Adelaide a partir de 2027, substituindo Phillip Island.
A mudança para a cidade australiana representa um marco para o campeonato, já que será a primeira vez na era moderna da categoria que uma etapa será realizada em um circuito urbano especialmente adaptado para receber as motos. O acordo entre a organização da MotoGP e o governo da Austrália prevê a realização da prova até 2032.
Nos bastidores, o anúncio aumentou rumores sobre um interesse da categoria em utilizar o modelo em outras cidades ao redor do mundo. No entanto, tudo indica que Adelaide é tratada como um projeto específico e não como o início de uma estratégia para múltiplas corridas de rua.
“Isso é mais fácil (levar o campeonato para Buenos Aires) do que algo como Adelaide, onde há uma particularidade geográfica específica da cidade que lhes permite construir algo e desmontá-lo. No que diz respeito a Adelaide, não estamos realizando qualquer outra conversa desse tipo neste momento". disse o diretor desportivo da MotoGP SEG, Carlos Ezpeleta à imprensa em Brno.
O principal obstáculo continua sendo a segurança. Diferente da Fórmula 1, que ampliou sua presença em circuitos urbanos nos últimos anos, a MotoGP exige áreas de escape extensas e estruturas de proteção capazes de absorver impactos em velocidades superiores a 300 km/h.
Miami é um dos exemplos citados quando se fala de expansão da MotoGP para grandes centros urbanos. A cidade passou a ser mencionada após o sucesso comercial da Fórmula 1 por lá e o interesse da Liberty Media em ampliar a presença do motociclismo nos Estados Unidos. Ainda assim, a MotoGP mantém cautela e ressalta que a adaptação de circuitos urbanos para receber motos apresenta desafios muito maiores do que aqueles enfrentados por categorias de carros.
A adoção de um circuito urbano em Adelaide também provocou reações divididas. Se lamenta a saída de Phillip Island, considerada uma das pistas mais tradicionais e populares do calendário. Críticos da mudança argumentam que o circuito australiano oferece características únicas para as corridas e representa um dos maiores desafios técnicos da temporada.
Por outro lado, a organização enxerga potencial comercial na nova etapa. Além de aproximar o evento de uma grande área urbana, a prova deve ampliar a visibilidade da categoria junto ao público e aos patrocinadores, em linha com iniciativas recentes para fortalecer a presença global do campeonato.