Você sabia que quatro jogadores do Haiti, próximo adversário da seleção brasileira na Copa do Mundo de 2026, têm relação próxima com o País? Não por conta de ascendência ou naturalização, mas por terem feito parte da carreira nas categorias de base em território nacional. São eles: o volante Danley Jean-Jacques, o lateral-direito Carlens Arcus, o goleiro Josué Duverger e o atacante Derrick Etienne. O primeiro, disputou a Copinha.
A convocação para o torneio no Canadá, Estados Unidos e México é a coroação de uma nova geração projetada por ações sociais e trabalhos de longo prazo. Uma delas é a Academia de Futebol Pérolas Negras, criada pela ONG Viva Rio com o objetivo de ajudar na inclusão dos afetados por crises, onde o quarteto se formou e pela qual o meia participou do torneio de juniores.
Danley Jean-Jacques é natural da comuna de Petit-Goâve e fez seu primeiro jogo pela seleção do Haiti em 2023, contra Montserrat. Entre adversários de mais destaque, já enfrentou o México e os Estados Unidos pela Copa Ouro da Concacaf e a Tunísia em amistoso - os três participam da Copa do Mundo.
Em 2017, ele fazia parte do elenco júnior do Pérolas Negras, clube com base em Resende (RJ) criado pela ONG Viva Rio que atualmente joga na Série A2 do Campeonato Carioca, em busca de uma vaga na primeira divisão, e que também disputa a Copa Rio.
Naquele ano, Jean-Jacques era um dos inscritos na Copinha e foi relacionado para três jogos do Grupo 24. Na estreia, foi reserva contra o Goiás; contra o Corisabbá (PI), pela segunda rodada, entrou aos 27 do segundo tempo e na última partida, contra o Nacional (SP), também não saiu do banco.
O Pérolas Negras estreou na Série C do Campeonato Carioca em 2017, mas surgiu oito anos antes, em 2009, um ano antes do terremoto com epicentro na península de Tiburon que matou mais de 200 mil pessoas. E a ONG Viva Rio iniciou sua atuação no país em 2004, em que Brasil e Haiti fizeram o 'Jogo da Paz' e a seleção praticamente 'interrompeu' uma guerra civil.
O volante, assim como Carlens Arcus, Josué Duverger e Derrick Etienne, frequentaram a fazenda Quindins, em Paty dos Alferes (RJ), onde o clube se estruturava e mantinha seu centro de treinamento. Hoje, é baseado em Resende (RJ).
O lugar não só abrigava o time profissional do Pérolas Negras como também categorias de base do Haiti. A equipe sub-17, por exemplo, que disputaria o Mundial da modalidade em 2019, treinou no local em 2017. E boa parte das divisões juniores da seleção passavam por lá.
Jean-Jacques, peça frequente dos 11 iniciais do Philadelphia Union, dos Estados Unidos, foi o único que jogou pelo clube, mas não o único a entrar em campo no Brasil. Em 2011, bem antes do hoje colega de time na Copa do Mundo de 2026, ele disputou o Paulistão sub-17 pelo Olé Brasil. Atualmente, é titular do Angers, da França.
Josué Duverger, por sua vez, atua no FC Cosmos Koblenz, da Alemanha, depois de anos no futebol português. E Derrick Etienne, assim como Jean-Jacques, faz carreira na América do Norte, estando há três anos no Toronto FC, do Canadá, após passar quase dez na MLS, o Campeonato Americano.
Brasil e Haiti, pela segunda rodada do Grupo C da Copa do Mundo, está marcado para as 21h30 desta sexta-feira, 19. O jogo terá transmissão de Globo e SBT na TV aberta, do SporTV na TV fechada e da CazéTV no streaming. Confira e baixe aqui a tabela completa.