A retirada da proposta da Fifa de abrir as operações comerciais da Copa do Mundo para investidores privados não encerrou a crise nos bastidores do futebol mundial. Nos dias seguintes ao recuo da entidade, federações nacionais e confederações divulgaram notas oficiais cobrando mais transparência, governança e participação das associações nas decisões estratégicas da organização presidida por Gianni Infantino.
Na nota, a entidade fez duras críticas à condução da proposta e afirmou que "o futuro da Copa do Mundo da Fifa, o maior patrimônio do futebol mundial, foi levado adiante fora de qualquer estrutura de governança estabelecida, sem transparência, consulta ou devido processo". Para a Concacaf, "uma proposta dessa magnitude não chega a esse estágio por acidente" e representa "um sintoma de uma liderança que deixou de colocar o futebol em primeiro lugar".
A confederação ainda elevou o tom ao afirmar que os problemas não se limitam ao episódio envolvendo a proposta comercial. "Este recente ato unilateral e flagrante de má governança e liderança segue um padrão de equívocos e comportamentos semelhantes. Um amplo acerto de contas com esta presidência é imperativo", destacou. A entidade também reforçou que "a Fifa não é uma empresa privada. É uma instituição que existe em nome do futebol e de seus membros" e defendeu que seus dirigentes sejam responsabilizados quando deixam de cumprir esse compromisso.
Passados vários embates recentes com Infantino, a Uefa foi veemente e disse que não podem deixar mais que aconteçam "esquemas secretos em escalas curtas de tempo, preparadas por indivíduos desconhecidos e de benefícios duvidosos para o esporte". Em comunicado, disse que as autoridades, bem como membros da mídia, mostraram ao presidente da Fifa que "o futebol não está à venda".
"É certo que, nos próximos dias e semanas, a Uefa trabalhará com suas associações em cooperação com outras confederações para refletir sobre como isso aconteceu e traçar um plano para garantir que nunca mais ocorra de novo. Essa revisão é fundamental", seguiu a entidade europeia.
Em sentido oposto, a Federação de Futebol do Catar foi uma das poucas a sair em defesa de Infantino. Em nota assinada pelo presidente da entidade, Sheikh Hamad bin Khalifa bin Ahmed Al Thani, o país declarou que "recebe com satisfação a decisão do presidente da Fifa de retirar a proposta FIFA Forward Enterprise, no interesse da comunidade global do futebol".
Statement by H.E Sheikh Hamad bin Khalifa bin Ahmed Al Thani,
President of the Qatar Football Association. pic.twitter.com/AbhbZps4E3
— Qatar Football Association (@QFA_EN) August 1, 2026
Apesar de reconhecer que a iniciativa "tinha mérito", a federação afirmou que "a sabedoria de priorizar a união entre as associações-membro deve ser aplaudida" e reiterou apoio aos esforços do dirigente para "continuar a desenvolver e fortalecer o futebol em nível global".
A Federação Real Marroquina de Futebol (FRMF) adotou posicionamento semelhante. Em nota, afirmou que a retirada da proposta foi uma decisão "sábia", por priorizar "a unidade e a coesão entre as associações-membro da Fifa". A federação também destacou que os avanços obtidos pelos programas de desenvolvimento da entidade, especialmente na África, "representam conquista valiosa que deve ser preservada" e reiterou seu apoio a Infantino e às iniciativas voltadas ao desenvolvimento do futebol mundial.
Outras federações ainda preparam manifestações oficiais, e a tendência é que a discussão sobre transparência, governança e o modelo de gestão da entidade siga ganhando força nas próximas horas. A CBF ainda não se pronunciou até o momento.