A escolha de Denilson como comentarista da Globo na Copa do Mundo de 2026 foi um movimento estratégico claro: uma tentativa da emissora de se aproximar da linguagem descontraída da CazéTV e fisgar o público das redes sociais. A intenção é excelente, mas o resultado em tela entrega uma incômoda sensação de desalinho. O ex-jogador, hoje, parece um peixe fora d’água no canal.
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Em diversos momentos da transmissão, Denilson tenta puxar aquela resenha, o tom informal e a piada rápida, como se estivesse dividindo a tela com Casemiro Miguel, Luizinho e companhia. O problema é que ele não está na internet. Ele está na TV aberta e, exceto pela parceria com Everaldo Marques, o papo simplesmente não flui.
A irreverência e a leveza que sempre foram as marcas registradas de Denilson, desde os tempos de gramado até o sucesso na Band, batem de frente com a seriedade protocolar do "Padrão Globo".
Everaldo Marques, que é um camaleão do microfone, até tenta dar corda e servir de escada para o colega.
No jogo contra o Haiti, após Denilson insistir em um trocadilho com o jogador chamado "Ade", Everaldo brincou perguntando "quem trouxe o Denilson?". Foi um bom momento, mas que soou deslocado em uma transmissão que, no minuto seguinte, volta a ser rígida e formal.
Falta, principalmente, entrosamento com os outros membros da cabine. A dinâmica com Cristiane e, sobretudo, com o maestro Júnior escancara o abismo de estilos. Não há absolutamente nada de errado com o perfil técnico e sério de Júnior ou com as observações de Cristiane. O erro está na mistura sem critério.
Enquanto Denilson quer o churrasco e a resenha, seus companheiros de comentário entregam a análise tática. No fim das contas, a Globo precisa decidir o que quer da sua vida nesta Copa: ou abraça a resenha escrachada da era digital de vez, ou mantém a seriedade analítica tradicional. Tentar ficar no meio do caminho, equilibrando-se em cima do muro, é uma cilada que prejudica o carisma de Denilson e gera críticas pela falta de comentários técnicos do pentacampeão.