Trinta e quatro dias após o jogo inicial, a Copa do Mundo conheceu nesta quarta-feira, 15, sua grande decisão, que será disputada entre Argentina e Espanha. E a final reunirá em Nova Jersey dois times que são praticamente como água e vinho, quase sem semelhanças, unidos apenas por serem os atuais campeões de seus continentes e por já integrarem o seleto grupo de seleções que venceram Copas (embora a Argentina busque a quarta e a Espanha, a segunda).
O Terra lista abaixo cinco diferenças entre as duas seleções que deixaram para trás outras 46 no maior Mundial da história.
Estrela solitária x Jogo coletivo
Se ainda há quem duvide que Messi é o segundo maior jogador da história, pelo menos não há dúvidas de que ele é o maior da Copa 2026. Artilheiro do Mundial com oito gols, ele também é: vice-líder em assistências (4), líder de ataques (34), líder em chutes na direção do gol (19) e líder em tentativas de furar a defesa adversária (32). Como se qualquer número ainda fosse necessário para comprovar sua genialidade.
Do lado da Espanha, divindade única não se cria. Nenhum espanhol aparece no top 5 de artilheiros (Oyarzabal é o sétimo, com 5 gols), nenhum aparece no top 10 de assistências (quem tem mais tem 2), Oyarzabal é o quarto com mais tentativas de ataque e só Yamal e Rodri aparecem no top 2 de alguma categoria.
Yamal, brilhante na Eurocopa, tem desfilado ‘aura’ e boas jogadas, mas por enquanto só fez 1 gol. Enquanto isso, Rodri vai fazendo jus à Bola de Ouro conquistada em 2024 e vê outros vértices sólidos no time como Cucurella, Olmo e, claro, Oyarzabal.
Ataque x Defesa
A Argentina, encabeçada por Messi, tem o melhor ataque da Copa, com 19 gols. Os sul-americanos fizeram gols em todas as partidas do Mundial. Mais do que isso, fizeram pelo menos dois gols em todos os jogos. Em compensação, dos oito times que chegaram às quartas de final, só a Inglaterra levou mais gols – oito contra sete tomados pelos argentinos.
A balança da Espanha pende para o outro lado, o da escassez, atrás e na frente. É a seleção menos vazada da Copa, tendo levado incrivelmente apenas 1 gol nos sete jogos que disputou. Já seu ataque é mais econômico, com apenas 13 tentos, menos até do que a Bélgica, a quem eliminou, e com somente dois a mais do que Estados Unidos, Alemanha e Holanda, times que caíram muito antes na Copa.
Ainda falando de números, a Espanha lidera o ranking de jogadas forçando o adversário perder a bola, demonstrando a marcação sob pressão.
Pratas da casa x forasteiros
Aqui, claro, há de se levar em conta que os grandes centros de futebol do mundo estão na Europa, e que a Espanha tem uma das cinco principais ligas do planeta. Ainda assim, quase 70% da Fúria é formada por jogadores que atuam no próprio país, enquanto na Argentina, apenas Paredes e Montiel jogam em clubes locais. A Espanha ainda se deu ao luxo de não convocar nenhum jogador do Real Madrid, lembrando que o lateral Cucurella só foi anunciado pelo time merengue após a Copa iniciada.
Evolução x Sofrimento
A campanha da Argentina se assemelha bem às emoções de seus melhores tangos. Mesmo jogando com o favoritismo de atual campeã e com o segundo maior jogador da história no comando das ações, conseguiu se enforcar sozinha em jogos relativamente fáceis – contra Cabo Verde, Egito e Suíça – e venceu a Inglaterra graças a um Messi inspirado, uma torcida incansável e um técnico adversário covarde. Para os argentinos, resiliência virou a maior arma para superar o estresse mental em que a própria albiceleste se colocou.
A Espanha, por sua vez, é nitidamente a seleção que mais evoluiu durante o Mundial. Na primeira fase, fez o jogo mais improvável da rodada de abertura, num empate sem gols com Cabo Verde, e ainda ganhou de apenas 1 a 0 do combalido Uruguai. A vitória larga sobre a Áustria deu alívio para o mata-mata, e o time só realmente engrenou quando venceu o clássico ibérico contra Portugal. Não que o jogo contra a Bélgica tenha sido fácil, mas a Espanha chega no auge de sua maturidade na Copa, após uma vitória indiscutível sobre a poderosa França na semi.
Caos x Reconstrução
Como grande parte das seleções sul-americanas, a Seleção Argentina é controlada por uma entidade que preza mais pela confusão do que pela calmaria. Enquanto os comandados de Lionel Scaloni disputam sua segunda final consecutiva, a AFA (Associação de Futebol Argentino) enfrenta mais um escândalo de corrupção, com suspeita de desvio de recursos e uso de empresas laranjas.
Já a Espanha, que também enfrentou escândalos no início do ciclo entre Copas, demitiu funcionários supostamente envolvidos em um esquema de corrupção, e a RFEF (Real Federação Espanhola de Futebol) passou a ser provisoriamente gerida pelo próprio governo espanhol, até Rafael Louzan ser eleito como novo presidente há dois anos.