Luís Felipe Freitas é, indiscutivelmente, um dos principais e mais talentosos narradores da nova geração da nossa TV. No entanto, é inegável que ele errou feio no tom da transmissão de Argentina x Suíça. Enquanto a CazéTV fazia história ao dominar os números de audiência em pleno sábado à noite, o locutor se transformou na voz da torcida dentro do jogo. O grande problema? Era a torcida rival.
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A própria CazéTV rodou uma enquete para entender o termômetro do público: mais de 80% dos espectadores declararam torcida contra os hermanos. E o que o narrador entregou? Uma catarse desmedida, gritando como se não houvesse amanhã a cada avanço da seleção alviceleste.
O que fica claro é que Luisinho nada aprendeu com Galvão Bueno, o maior entusiasta da rivalidade entre Brasil e Argentina na história da comunicação esportiva.
Ninguém está defendendo que o narrador seja obrigado a praticar um pachequismo barato e torcer contra a Argentina, especialmente quando o adversário é um europeu insosso como a Suíça. Mas será que precisava de tanta histeria? Não seria de bom tom respeitar o sentimento do próprio público que sustenta a transmissão?
Não há necessidade de alimentar teorias da conspiração, como as redes sociais adoram fazer. A questão aqui é muito mais simples: faltou ao profissional entender a sua audiência. O resultado foi uma enxurrada legítima de críticas.
Essa gritaria desenfreada até se justifica quando algo verdadeiramente épico acontece em campo, como foi a virada milagrosa contra o Egito. Mas não foi o caso de Argentina x Suíça. O confronto entregou apenas mais um jogo emocionante de prorrogação, decidido por um belo gol. Tratar o ordinário como um milagre é cansativo.
Esse descompasso com a realidade do jogo não é um caso isolado e não se restringe a Lionel Messi. Luís Felipe Freitas já havia mostrado um tom excessivamente artificial nos compromissos de Portugal. Cristiano Ronaldo podia estar no banco de reservas que o narrador gritava e criava um drama grego a cada imagem do atacante na tela, como se houvesse alguma chance palpável de o veterano decidir o destino da partida. Mas até aí não envolvia rivalidade com a maioria de sua audiência.
Diante de tamanha falta de compreensão sobre o que o público sente no sofá, teve gente no X (antigo Twitter) admitindo que até o contestado Tiago Leifert e o seu famigerado bordão “gol dos caras” deixaram saudades.
O mata-mata da Copa de 2026 avança rápido e ainda há tempo de corrigir a rota tática das transmissões. Contudo, até o momento, Luisinho parece confortável demais no seu pedestal, ignorando as queixas de uma audiência que só queria ver o jogo sem precisar colocar a televisão no mudo.