Opinião: Se quiser brigar com a CazéTV, Globo precisa ser menos Brasil e mais Argentina na Copa

Emissora tratou a semifinal da Copa como se fosse um jogo de estadual qualquer

16 jul 2026 - 04h59
Cazé TV em campo após semifinal da Copa
Cazé TV em campo após semifinal da Copa
Foto: João Amaral / Divulgação

Por décadas, a Seleção Brasileira foi a força dominante e incontestável do futebol mundial. Bastava a Copa do Mundo começar para que todos soubessem que a Amarelinha estaria ali, ditando o ritmo e brigando pelo topo. Mas esse brilho amarelo foi se desgastando, enquanto a estrela alviceleste passou a reluzir com mais intensidade. Com fome de bola, correndo a vida por Lionel Messi, a Argentina aprendeu a viver a Copa do Mundo em estado de transe.

Esse exato cenário explica, sem precisar mudar uma única linha, a atual disputa entre a TV Globo e a CazéTV pela audiência do Mundial. A emissora carioca ainda tem o peso institucional, a grife e a camisa gigante, mas precisa demonstrar que realmente quer a Copa se não quiser ser engolida pelos garotos que correm a vida por Casimiro Miguel.

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O descompasso ficou escancarado em um dos momentos mais importantes do torneio. Não dá para conceber que, no dia de uma semifinal histórica, marcada pela consagração do maior jogador de futebol do planeta depois de Pelé, a Globo encerre a transmissão com um corte seco e burocrático no sinal para encaixar a novela das seis em sua programação.

O que o telespectador faz de forma automática nessa hora? Movido pela adrenalina da partida, ele pega o controle remoto ou o celular e vai atrás da festa. E ele encontra essa catarse na CazéTV, que permaneceu ao vivo por horas a fio dissecando o jogo direto do gramado, mostrando os bastidores da classificação e deixando a emoção respirar.

Enquanto a Globo age como um funcionário cansado que bate o ponto no fim do expediente e vai para casa, a CazéTV se comporta como o jogador faminto que dá carrinho de cabeça aos 45 minutos do segundo tempo para ser a grande estrela da Copa.

Essa diferença de postura se reflete também antes de a bola rolar. Faltando menos de uma hora para o apito inicial de um confronto gigantesco, a Globo insistia em exibir a reprise de um folhetim de sua grade.

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Enquanto isso, três horas antes do duelo começar, a CazéTV já estava com a temperatura no máximo, aquecendo o clima, trazendo informações de bastidores e envolvendo o torcedor na atmosfera do espetáculo.

Para a Globo, a Copa do Mundo parece ter se tornado um evento caro demais que precisa ser encaixado à força em uma grade rígida de programação. Para o streaming, a Copa é a vida deles.

Se quiser recuperar o protagonismo absoluto do debate esportivo nacional, a Globo precisará reaprender a ter fome de futebol. Caso contrário, no fim do dia, a gigante carioca terá que se conformar em ser mera coadjuvante da CazéTV, exatamente da mesma forma que o Brasil vem sendo da Argentina nos últimos anos.

Fonte: Portal Terra
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