Árbitro sofre agressão física por homofobia

Árbitro alemão foi brutalmente agredido em Colônia dias após pedir o namorado em casamento durante o "Dia da Diversidade" da Bundesliga

9 fev 2026 - 09h17
(atualizado às 09h56)
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Foto: Stuart Franklin/Getty Images / Esporte News Mundo

O caso de Pascal Kaiser chocou a Alemanha e ganhou repercussão internacional neste fim de semana. O árbitro amador alemão e ativista LGBTQIA+ foi brutalmente agredido poucos dias após protagonizar um gesto simbólico de diversidade em um estádio da Bundesliga, levantando um debate profundo sobre segurança, intolerância e crimes de ódio no esporte europeu.

Árbitro pede companheiro em casamento durante partida –
Foto: Reprodução/X / Esporte News Mundo

No dia 31 de janeiro de 2026, durante o "Dia da Diversidade" da Bundesliga, Kaiser entrou no gramado do RheinEnergieStadion, em Colônia, antes da partida entre Colônia e Wolfsburg, e pediu seu namorado, Moritz, em casamento. O momento foi celebrado por cerca de 50 mil torcedores, com aplausos e iluminação especial nas cores do arco-íris. As imagens circularam pelo mundo como um marco de visibilidade em um ambiente ainda marcado por resistência a pautas LGBTQIA+.

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A repercussão positiva, no entanto, veio acompanhada de uma onda de ataques. Nos dias seguintes, Pascal Kaiser passou a receber ameaças diretas nas redes sociais, incluindo mensagens com a divulgação de seu endereço residencial. Na noite de sábado para domingo, entre 7 e 8 de fevereiro, o árbitro chegou a acionar a polícia de Colônia, que avaliou não haver risco imediato.

Cerca de 20 minutos após o contato com as autoridades, Kaiser saiu ao jardim de sua casa e foi surpreendido por três homens. Ele foi cercado e violentamente agredido, sofrendo diversos ferimentos, entre eles uma lesão no olho direito. O caso está sendo investigado pelas autoridades locais, e a principal linha de apuração trata o ataque como crime de ódio motivado por homofobia.

A agressão provocou forte reação de entidades ligadas aos direitos humanos e da comunidade LGBTQIA+ na Alemanha, que criticaram a condução inicial do caso e a subestimação das ameaças feitas contra o árbitro. Organizações apontam falhas na avaliação de risco e cobram medidas mais rígidas de proteção para pessoas que se tornam alvos após episódios de grande exposição pública.

Pascal após agressão –
Foto: Divulgação / Esporte News Mundo

Pascal Kaiser atua como árbitro em competições regionais do futebol alemão. Em 2022, assumiu publicamente sua bissexualidade e passou a se posicionar de forma ativa contra a homofobia nos estádios. Mesmo após a violência sofrida, ele afirmou, por meio de suas redes sociais, que não pretende se calar e que a visibilidade segue sendo uma ferramenta essencial no combate ao preconceito.

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O episódio expõe um contraste simbólico e duro. O mesmo gesto que arrancou aplausos de um estádio lotado terminou, dias depois, em agressão física fora dos holofotes. Em uma cidade historicamente associada à diversidade e à inclusão, o caso de Pascal Kaiser reforça que o combate à intolerância no esporte ainda enfrenta obstáculos concretos e, em alguns casos, perigos reais.

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