A continuidade da Toyota no Campeonato Mundial de Endurance (WEC) da FIA a partir de 2030 enfrenta uma certa incerteza. Em entrevista ao site Sportscar365, Masaya Kaji, diretor global de automobilismo da marca, sinalizou que o futuro da montadora na classe Hypercar pode estar em xeque caso as novas diretrizes técnicas, que preveem a padronização para tração traseira, sejam implementadas conforme anunciado.
O ponto da questão reside na proposta da FIA, ACO e IMSA de unificar os regulamentos LMH e LMDh. O novo desenho técnico planeja banir os sistemas híbridos montados no eixo dianteiro, característica central do atual projeto da Toyota, que permite a tração nas quatro rodas, e exigir sistemas híbridos montados no eixo traseiro, que seriam obrigatórios para todos os participantes.
Kaji admitiu que a notícia foi recebida com surpresa pela equipe japonesa. Segundo o diretor, a marca esperava por um diálogo mais aprofundado antes de uma definição sobre o futuro do regulamento. Para a Toyota, a mudança representaria um retrocesso tecnológico considerável.
"Se a ideia é convergir tudo para o modelo LMDh e tivermos que abandonar a tração integral, teríamos que recomeçar nosso desenvolvimento do zero. Para nós, isso é algo muito difícil de aceitar", explicou Kaji
A posição da Toyota é agravada pelos planos da fabricante em relação à transição energética. A montadora tem como meta desenvolver um carro movido a hidrogênio dentro das novas regras que entram em vigor em 2030. No entanto, Kaji destaca que a eficiência energética necessária para esse tipo de projeto depende, essencialmente, de um sistema híbrido dianteiro.
A marca japonesa enfrenta agora um dilema logístico e financeiro. Conciliar o desenvolvimento de um protótipo a hidrogênio com a criação de um novo Hypercar de tração traseira (que não se alinha aos seus interesses tecnológicos) sobrecarregaria os recursos de engenharia e o orçamento da equipe.
"Para a sustentabilidade, precisamos buscar eficiência energética com o sistema híbrido no motor dianteiro. Não podemos retroceder para um trem de força clássico (tração traseira) para o futuro", reforçou.
Embora a Toyota esteja aberta à possibilidade de ser a única fabricante a apostar na categoria de hidrogênio e até mesmo cogite fornecer motores para outras equipes para fortalecer o ecossistema, o ceticismo em relação ao equilíbrio do grid permanece.
A FIA planeja utilizar uma "Equivalência de Tecnologia" para igualar os carros de hidrogênio aos convencionais, mas Kaji questiona a eficácia de tal sistema, temendo que a unificação para a tração traseira elimine a essência da competição que define o endurance.
A decisão final da Toyota deve ocorrer até o fim deste ano, prazo crucial para que a engenharia possa iniciar os trabalhos de 2027 focada em uma das direções propostas, seja ela compatível ou não com o novo rumo do campeonato.