A nova era da Fórmula 1, marcada pela introdução dos regulamentos técnicos de 2026, já começa cercada de polêmicas antes mesmo da largada oficial da temporada. Em meio a questionamentos sobre possíveis 'brechas' na regulamentação das novas unidades de potência, o chefe da Cadillac, Graeme Lowdon, afirmou estar tranquilo quanto à legalidade do motor fornecido pela Ferrari.
Em entrevista exclusiva à Sky Sports News, Lowdon destacou que a equipe norte-americana utiliza um propulsor que segue rigorosamente as regras impostas pela Federação Internacional de Automobilismo (FIA).
“O que me deixa muito confiante e satisfeito é que temos um motor totalmente legal”, afirmou Lowdon à Sky Sports.
“Nesses motores, a combustão não pode ocorrer com uma taxa de compressão superior a 16 para 1. Sabemos que a Ferrari seguiu completamente as regras nesse ponto, e isso nos dá muita confiança.”
A partir de 2026, a Fórmula 1 adotará novas unidades de potência e novos chassis, em uma das mudanças mais radicais da história da categoria. O campeonato terá início com o Grande Prêmio da Austrália, no dia 8 de março.
Polêmica sobre taxa de compressão
Nos bastidores, uma controvérsia vem ganhando força envolvendo diferentes interpretações do limite de taxa de compressão imposto pelo regulamento. Informações dão conta de que Mercedes e Red Bull, fornecedoras de motores para cinco equipes do grid, teriam desenvolvido soluções técnicas que permitem que o motor cumpra as regras em testes estáticos, mas opere com uma taxa superior quando em funcionamento na pista.
Por outro lado, Ferrari, Audi e Honda teriam optado por não adotar esse tipo de tecnologia, mantendo os parâmetros estritamente dentro do regulamento em todas as situações.
Questionado se isso poderia representar desvantagem competitiva para a Cadillac, Lowdon evitou críticas diretas aos rivais.
“Não posso falar sobre os motores de outras equipes ou sobre como interpretaram o regulamento. Para mim, está tudo extremamente claro, preto no branco”, completou.
Red Bull minimiza discussão
Do lado da Red Bull, o chefe do departamento de motores, Ben Hodgkinson, minimizou a polêmica e classificou o debate como exagerado.
Durante o lançamento do carro da equipe para 2026, em Detroit, Hodgkinson afirmou:
“Existe um certo nervosismo de alguns fabricantes achando que pode haver engenharia inteligente acontecendo. Para ser honesto, isso me parece apenas barulho.
Estamos confiantes de que o que estamos fazendo é legal. Levamos o regulamento até o limite — como todos fazem.”
Parceria com a Ferrari até 2029
A entrada da Cadillac na Fórmula 1 foi aprovada com a condição de que a General Motors desenvolva sua própria unidade de potência no futuro, algo previsto apenas para 2029. Até lá, a equipe firmou acordo com a Ferrari, anunciado em dezembro de 2024.
Lowdon elogiou a parceria com a escuderia italiana:
“A Ferrari é uma grande parceira. É um nome icônico da Fórmula 1. Eles não fornecem apenas o motor, mas também suporte técnico e pessoal. Estamos muito felizes com essa relação.”
A Cadillac foi a primeira equipe a testar um motor Ferrari de 2026, durante um shakedown privado realizado em Silverstone, na semana passada. A Ferrari deve fazer seu primeiro teste ainda esta semana.
Testes de pré-temporada
Devido às profundas mudanças no regulamento, a Fórmula 1 programou três períodos de testes de pré-temporada antes do início do campeonato. O primeiro acontece a portas fechadas em Barcelona, entre 26 e 30 de janeiro. Na sequência, as equipes se reúnem no Bahrein, com sessões marcadas para 11 a 13 de fevereiro e 18 a 20 de fevereiro.