Volume de serviços no Brasil é pressionado por transportes e tem em março maior queda desde o fim de 2024

15 mai 2026 - 09h05
(atualizado às 10h23)

‌O setor de serviços brasileiro encerrou o primeiro trimestre com uma queda muito maior do que a esperada no volume em março, a mais intensa desde o final de 2024, pressionado principalmente pelo setor de transportes.

Aeroporto Internacional de Guarulhos, São Paulo
19 de novembro de 2020. REUTERS/Amanda Perobelli
Aeroporto Internacional de Guarulhos, São Paulo 19 de novembro de 2020. REUTERS/Amanda Perobelli
Foto: Reuters

O volume de serviços teve em março recuo de 1,2% na comparação com o mês anterior, informou nesta sexta-feira o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

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Essa ⁠foi a queda mais forte desde novembro de 2024 (-1,4%) e ainda marcou o pior resultado ‌para o mês em cinco anos.

Com isso o setor fechou o primeiro trimestre com queda de 0,7% frente aos três meses anteriores -- primeiro recuo trimestral desde os três primeiros meses ‌de 2023.

Em relação ao mesmo mês do ano anterior, ‌o volume apresentou alta de 3,0%.

Os resultados foram bem piores do que as expectativas ⁠em pesquisa da Reuters, de recuo de 0,1% na comparação mensal e de alta de 4,5% na anual.

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O setor de serviços mostrou um desempenho fraco neste início de ano, com queda de 0,1% em janeiro e estagnação em fevereiro, chegando a um total de cinco meses seguidos sem crescimento.

"Os dados mais recentes sugerem uma acomodação da atividade em patamares mais baixos, ‌refletindo os efeitos defasados da política monetária restritiva, mas também uma moderação do forte crescimento observado ‌no setor de serviços nos ⁠últimos cinco anos", avaliou ⁠Rafael Perez, economista da Suno Research.

A taxa de juros ainda elevada segue como um peso, com a ⁠Selic atualmente em 14,5% ao ano. O mês ‌de março foi marcado ainda pelo ‌início da guerra no Oriente Médio, que vem elevando os preços do petróleo e já mostrou impactos na inflação nacional. No mês, o IPCA registrou a taxa mais alta em cerca de um ano, de 0,88%, sob pressão de transportes e alimentos.

"Por ⁠ser a primeira leitura após o início do conflito no Irã, é cedo para se tirar conclusões, mas o recuo (dos serviços) parece ser efeito de realocação de consumo, dado o aumento nos preços dos combustíveis", disse André Valério, economista sênior do Inter.

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Houve queda em março em todas as cinco atividades de serviços investigadas, ‌com destaque para a taxa negativa de 1,7% de transportes na comparação com o mês anterior.

"O recuo no setor foi influenciado principalmente pela queda observada no transporte rodoviário de ⁠cargas e no transporte aéreo de passageiros", explicou o analista da pesquisa Luiz Carlos de Almeida Junior.

"Houve uma mudança de calendário da agricultura por climas extremos. Ao atrasar a colheita, você afeta a logística e o transporte de cargas", completou. "Há sinais de que as chuvas no Norte e Nordeste acima da média afetaram a colheita e até o começo do plantio."

O volume de transporte de passageiros recuou 3,4% em março, segunda taxa negativa seguida, segundo o IBGE, enquanto o volume do transporte de cargas diminuiu 1,0%.

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Também tiveram quedas serviços profissionais, administrativos e complementares (-1,1%); serviços de informação e comunicação (-0,9%); outros serviços (-2,0%); e serviços prestados às famílias (-1,5%).

O índice de atividades turísticas, por sua vez, registrou retração de 4,0% em março, segundo resultado negativo seguido. Com isso, o segmento de turismo está 6,3% abaixo do ápice da sua série histórica, alcançado em dezembro de 2024.

(Edição de Fabrício de Castro)

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