A Volkswagen vai produzir no Brasil uma nova picape voltada ao mercado brasileiro e latino-americano, com possibilidade também de exportação para outras regiões, anunciou o presidente-executivo da montadora no país, Ciro Possobom.
O modelo, projetado e desenvolvido no Brasil, vai se chamar Tukan e será fabricado na unidade de São José dos Pinhais (PR) em 2027. A montadora vai investir R$3 bilhões no projeto, parte de um aporte de R$20 bilhões previsto para a América do Sul até 2028, sendo R$16 bilhões para o Brasil.
"É para nós um segmento inédito no mercado de picapes", afirmou Possobom à Reuters em entrevista na segunda-feira.
"A Tukan é feita aqui, não existe no mundo. Foi desenhada aqui, feita aqui, com engenharia e design locais. É uma plataforma para a América Latina e pode se tornar global, porque vários países já demonstraram interesse", disse.
A nova picape terá uma versão em tom amarelo, em uma alusão à seleção brasileira de futebol, após a Volkswagen anunciar que será patrocinadora da Confederação Brasileira de Futebol (CBF).
Atualmente, no segmento de picapes, a Volkswagen comercializa no país a Saveiro e a Amarok, esta última produzida na Argentina. A montadora também já informou que vai comercializar uma nova geração da Amarok.
"A Tukan e a nova Amarok fazem parte da nossa nova ofensiva no mercado de picapes. É um mercado grande, representa quase 18% das vendas no Brasil, e precisamos estar presentes", disse Possobom.
"Esse mercado cresce muito por causa do agronegócio e pela grande quantidade de estradas não pavimentadas no Brasil e na Argentina, o que exige um veículo robusto."
Possobom se mostrou otimista com o mercado automobilístico brasileiro em 2026. Ele espera um aumento das vendas da Volkswagen de dois dígitos, mantendo a liderança nacional pelo quarto ano consecutivo. O executivo citou o bom desempenho de modelos como Polo, T-Cross, Taos, Tiguan e o recém-lançado Tera.
"Em janeiro já crescemos nosso market share em um ponto percentual em relação ao mesmo mês de 2025. Fechamos dezembro com 18%. Acreditamos que podemos, como fizemos em 2025, crescer três vezes mais que a média do mercado. Temos ambição e produtos para isso", disse.
A esperada trajetória de queda da taxa Selic, possivelmente a partir de março, pode acelerar as vendas internas, segundo o executivo.
"Juros menores ajudam muito. Hoje, o juro para automóvel zero no Brasil está em aproximadamente 28% ao ano. Qualquer sinalização de queda ajuda tanto o setor quanto o restante da economia", afirmou.